Articles written by

Naiara Rodrigues

Exposição Maracatu Chico Rei

Por Equipe Canjerê

O Centro de Referência da Cultura popular e Tradicional Lagoa do Nado recebe a partir de dezembro a Exposição “Maracatu Chico Rei: elo entre o erudito e o popular por meio da música”. A exposição se propõe a apresentar os limites artificiais dos conceitos clássicos de “popular” e “erudito”, por meio do bailado Maracatu Chico Rei.  Mostrando que o tradicional lugar da cultura erudita, ela reconhece e apresenta toda a riqueza e beleza da cultura popular, fundamental para a identidade do país. O Maracatu Chico Rei é um poema sinfônico e bailado para orquestra e coro, que tem como tema a lenda de um antigo rei africano que foi trazido para o Brasil. Essa importante obra marcou a história da música e da dança do Brasil.

Foto: Ricardo Laf

Patrimônio Cultural

Por Equipe Canjerê

A Festa de Iemanjá e a Festa dos Pretos Velhos se tornam patrimônio imaterial de Belo Horizonte (MG). O reconhecimento atende a uma solicitação de representantes das comunidades tradicionais de matrizes africanas e afro-brasileiras encaminhado ao Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município, em 2017.

Com o reconhecimento oficial como patrimônio cultural da cidade, as celebrações passam a integrar a lista de bens culturais que contam com a colaboração do poder público para sua salvaguarda e continuidade histórica. O culto aos Pretos Velhos e Pretas Velhas, ancestrais guias da Umbanda, acontecem desde 1982, nos meses de maio, em meio aos prédios residências do bairro Silveira, na praça Treze de Maio. A festa reúne centenas de afro-religiosos que vão louvar seus ancestrais e pessoas que buscam atendimento nas dezenas de terreiros, das várias partes da cidade e região metropolitana que fazem parte do festejo.

Festa de Preto Velho. Foto: Ricardo Laf

Já a Festa de Iemanjá, realizada anualmente desde 1953, possui relevância histórica para os adeptos das celebrações do Sagrado afro-brasileiro na capital mineira e acontece próximo à Praça Dalva Simão, na Lagoa da Pampulha, ressignificando o projeto original do Conjunto Moderno da Pampulha. De grande importância para os adeptos do Candomblé e da Umbanda, ela revela o sagrado no espaço urbano.

Chica, a princesa do Arraial

Por Equipe Canjerê

A infância de Chica, no Arraial do Tejuco, é narrada em palavras e imagens pelo artista plástico Marcial Ávila. O livro “Chica, a princesa do arraial”, é como uma máquina do tempo: ao ler o texto, somos transportados a um passado remoto, a uma cidade mineradora do século XVIII, como o arraial em que viveu a “menina Chica”. Mas somos, também, lançados em uma memória atemporal: essa é a história da infância de muitas crianças em cidades do interior, como a do próprio autor, que cresceu em Diamantina. Além disso, projetamos na “menina Chica” um ideal de infância para os dias atuais, pois acompanhamos uma criança livre de preocupações, envolvida por seus sonhos e desejos, satisfeita consigo mesma, que aproveita todos os momentos de sua vida. 

Marcial Avila – Foto Ricardo S. Goncalves

Corte Real Momesca de Belo Horizonte

Por Equipe Canjerê

Belo Horizonte já conhece a sua Corte Real Momesca do Carnaval 2020. O trio formado pelo rei Wallace Filipe Guedes, rainha Laís Lima e princesa Josi Semeão tem agenda intensa de compromissos durante o período carnavalesco da cidade. Wallace Filipe Guedes é estudante de Educação Física, bailarino e modelo fotográfico. Laís Lima é enfermeira, modelo e passista das escolas de samba Cidade Jardim, Acadêmicos de Venda Nova, Imperavi de Ouro e Estrela do Vale. Já a princesa Josi Semeão é formada em administração e também desfila na Acadêmicos de Venda Nova. Os candidatos foram julgados por uma comissão e entre os quesitos avaliados estavam comunicação, simpatia e espírito carnavalesco, samba no pé, desembaraço, sociabilidade, facilidade de expressão e elegância. Os selecionados são considerados embaixadores da folia na capital mineira.

Foto: Corte Momesca – Crédito Bruno Figueiredo / Área de Serviço / Acervo Belotur

Amigos abrem Afropub em BH

Por Equipe Canjerê

Jose Lucas Ramalho, Warley Barros, Fernando Calleb e Douglas Barbosa tinham o sonho de criar um espaço em Belo Horizonte onde a beleza, a luta e a cultura negra fossem exaltadas. Foi assim que nasceu o Black To Black – Afropub, em outubro de 2019.

Rapidamente, o espaço se tornou o ponto de encontro de pessoas que logo sentiram afinidade pela história, missão e identidade do espaço. O cardápio inclui chopes artesanais de cervejarias renomadas da cidade, burguers artesanais com opções vegetarianas, veganas e petiscos. A parte musical é composta pelo melhor da música negra.

O Afropub funciona de terça à quinta, de 17h à 00h00, nas sextas de 17h à 1h e aos domingos de 14h à 1h.

Instagram: @b2b.afropubbh

Fotos: Warley Barros

O Sofá Azul

Por Equipe Canjerê

O pedagogo, ator e arte educador Evandro Nunes lançou, em outubro, a série Sofá Azul. Experiente na arte de atuar, o artista agora encara com maestria o desafio das câmeras. O cenário é na casa das Borboletas, nome que ele mesmo deu para a sua própria residência. Nas redes sociais, Evandro faz uma pergunta convidativa e ao mesmo tempo reflexiva aos seus seguidores/as, “E você, sobre o que quer conversar?”. A comunidade logo aderiu ao chamado e várias pessoas já gravaram suas participações no Sofá Azul.

 A filmagem fica por conta de Luiz Oliveira. A trilha de abertura é a Musica “Tempo Breve” de Nath Rodrigues, do seu disco FRACTAL.

Acesse aqui: Série Sofá Azul com Evandro Nunes.

Resistência: Moçambique, Quilombo dos Arturos, Samba do Meio-Dia e Fela Kuti

Equipe Casarão das Artes

Chegamos ao quarto ano da Revista Canjerê.  Seguramente estamos falando de mais um ato de resistência do Instituto Cultural Casarão das Artes. A 12ª edição foi lançada no Museu das Minas e do Metal e em homenagem ao nosso querido país, Moçambique, que completou 44 anos de regime “pós-colonial” no dia 25 de junho. Com as ilustres presenças do moçambicano Cláudio Manjate, dos músicos Márcio e Sílvio Santos, e dos nossos queridos amigos e seguidores, a noite foi de puro Canjerê. O moçambicano Cláudio João Manjate é educador Social e auxiliar administrativo que mora em Belo Horizonte desde 2018; Márcio Santos é multi-instrumentista autodidata e cantor. Ele se apresenta em bares e festas particulares, cantando e se fazendo acompanhar  de violão e teclado e compartilhou a apresentação neste dia com o irmão, Sílvio Santos.

Lançamento da 12ª edição da Revista Canjerê. Foto: Rosália Diogo

No dia 30 de junho, o Consulado de Moçambique celebrou o Dia de Independência de Moçambique com uma grande festa no Consulado de Moçambique, que fica em Vespasiano. O Casarão das Artes se fez presente. A grande questão que apontamos é: como podemos juntos buscar formas de melhorias econômicas e sociais para aquele país?  A questão surge sobretudo a partir da preocupante situação de devastação a que chegou o país que foi abatido por dois ciclones em 2019. O desastre deixou centenas de morte e deixou milhares de pessoas desabrigadas.

Homenagem à independência de Moçambique. Foto: Rosália Diogo

Em outubro, três grandes agendas foram realizadas ou acompanhadas pela equipe do Casarão das Artes:

No início do mês, a nossa equipe foi prestigiar a Festa de Nossa Senhora do Rosário, realizada pela comunidade dos Arturos. A Comunidade dos Arturos é composta pelos descendentes de um antigo escravo de nome Artur, vem daí o nome Arturos e preservam sua cultura e religiosidade por meio dos Congados. Está sediada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. É uma das mais antigas comunidades de Minas Gerais, sendo a mais velha com mais de 128 anos. Em sua 6ª geração, a Comunidade dos Arturos é a mais tradicional comunidade quilombola do município.  A programação foi marcada por cortejos, atividades congadeiras, desfile de guardas de congo, além da tradicional Missa Conga, entre outras celebrações culturais e religiosas que fazem parte da rica história da Comunidade.


Missa Conga – Comunidade dos Arturos. Foto: Rosália Diogo

No dia 17, no Museu das Minas e do Metal, foi a vez de o Casarão das Artes realizar mais um tributo à Fela Kuti por meio de uma Roda de Conversa sobre a pessoa e a música desse ativista político e músico, com ênfase no seu perfil de multi-instrumentista e ativista político devido aos seus ideais pan-africanistas, no seu relevante e utópico papel na música negra, em todos esses processos.

Na ocasião, contamos com depoimentos do nigeriano Olugbenga Olusola Fayenuow e interpretações de canções em Yorubá com a cantora Eda Costa. Assim, essa foi a nossa forma de homenagear um dos mais instigantes e carismáticos personagens do Continente Africano.


Tributo à Fela Kuti.

Dia 27, no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, prestigiamos a apresentação do Samba do Meio-Dia, um projeto que surgiu por meio da vivência e da necessidade das sambadeiras e sambadores do Samba da Meia-Noite. Com a presença das crianças (filhos e filhas das sambadeiras e sambadores), era necessário criar um espaço para que elas se expressassem pois era possível perceber o quanto a música, a dança, o ritmo, ou seja, a arte se faziam presentes em suas vidas por conviverem com a grande família de samba de roda.

Samba do Meio-dia. Foto: Ricardo Laf

A apresentação encheu os olhos do público, pois a maioria não havia tido a oportunidade de assistir à apresentação de crianças e jovens tão engajados em preservar a tradição, a alegria e a arte dos seus ancestrais.

Um salve à resistência cultural do povo negro, na África e na diáspora!

Elisa de Sena – Cura

Por Roger Deff

A cantautora Elisa de Sena representa o atual momento da música em Belo Horizonte. Já se percebe uma cena com ótimos trabalhos que, nos últimos anos, tem sido protagonizada principalmente por mulheres, a exemplo de nomes como Tamara Franklin, Zaika dos Santos, Bia Nogueira, Júlia Branco, Manu Dias, Déh Mussolini, Maíra Baldaia e Nathy Rodrigues.

As duas últimas foram parceiras de Elisa de Sena no projeto Negras Autoras, coletivo que reúne mulheres negras da música na capital mineira, do qual fez parte também a percussionista Manu Ranilla, que acompanha a artista em seu  primeiro vôo solo.  Em 2019, Elisa estreou com seu trabalho o álbum “Cura” com produção da DJ Black Josie e apoio do selo Natura Musical. 

O disco conecta a tradição afro-mineira dos tambores com a idéia “futurista” dos timbres eletrônicos e dos samplers. Não por acaso, a música que abre os trabalhos conta com a participação do mestre Maurício Tizumba. Ao longo das 11 faixas do disco que marca o início dessa nova caminhada, a artista desenvolve uma assinatura própria, sem negar as referências, mas se permitindo experimentar direções nada óbvias.

As canções propõem uma leveza necessária em dias tão densos e tensos, mantendo-se na contra-mão uma ideia de desconstrução da cultura que segue vigente no atual momento.

Sob um fundo amarelo com água, a cantora Elisa de Sena se encontra deitada, olhando em direção para câmera. Ela é negra, possui cabelos crespos curtos. Seu olhos estão delineados de preto e com sombra nas cores dourado e acobreado. Seus ombros e braços estão à mostra e metade de sua mão esquerda submersa na água. Sua mão direita está sob a esquerda,e ela está com as unhas pintadas de preto.
Elisa de Sena – Crédito Paulo Oliveira

 “Cura” é o que o nome título propõe, a anti-tese do ódio, um descanso sonoro em meio ao caos. Sem restrições, Elisa se coloca em contato com a música preta universal, sem se preocupar muito com qualquer rótulo que queiram lhe dar. E segue leve, aguerrida, como mulher negra que é, mas sem perder a alegria ancestral.

“A grana é curta, sistema é bruto, bruta batalha, mas sigo flor.” (trecho da música “Ficar só”)

Costura da memória

Por Naiara Rodrigues

Um dos grandes nomes das artes visuais no Brasil, Rosana Paulino, se destaca por sua produção que traz a abordagem de questões sociais, étnicas e de gênero. Nascida em São Paulo, em 1967, a brasileira já participou de exposições em países como França, África do Sul, Bélgica, Porto Rico, Estados Unidos e Portugal. Desde 2018, a exposição “Rosana Paulino: A Costura da Memória” apresentou a maior individual da artista já realizada no Brasil.

Após uma temporada de sucesso na Pinacoteca (SP), com curadoria de Valéria Piccoli e Pedro Nery, a mostra passou também, em 2019, pelo Museu de Arte do Rio (RJ), reunindo 140 obras produzidas ao longo dos seus 25 anos de carreira. Nela é possível ver obras impactantes e poéticas como Bastidores (1997), que faz uma crítica ao silenciamento e à violência histórica sofrida por mulheres negras. A obra traz imagens de mulheres de sua família estampadas em bastidores, com costuras tapando suas bocas, gargantas e olhos.

Obra Bastidores, de Rosana Paulino, em exposição no MAR. Foto: Daniel Pacífico

Rosana Paulino é doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – Eca/USP, especialista em Gravura pelo London Print Studio, de Londres, e Bacharel em Gravura pela Eca/USP. Foi bolsista do programa da Fundação Ford (de 2006 a 2008), Capes (de 2008 a 2011), e fez residência no Bellagio Center, da Fundação Rockefeller, na Itália.

Rosana Paulino na abertura da exposição no MAR-RJ . Foto: Daniel Pacífico

A denúncia ao apagamento histórico sofrido pelo povo negro e o questionamento da visão colonialista presente ainda hoje na sociedade brasileira são temas presentes em seu trabalho. Rosana Paulino utiliza diversos suportes e técnicas como instalações, gravuras, desenhos, esculturas, entre outras, sempre trazendo uma crítica à falsa ideia de igualdade racial no país e escancarando as marcas deixadas pela escravidão. Atualmente obras da artista podem ser vistas em duas mostras coletivas em São Paulo, na Palavras Somam, no MAB FAAP, até 15 de dezembro, e na 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc VideoBrasil, no Sesc 24 de Maio, até 2 de fevereiro.

Abertura da exposição no MAR RJ . Foto: Daniel Pacífico

Saúde, Vulnerabilidades e Necropolítica

Por Emilly Prado – Graduanda em Ciências Sociais, Educadora Social, Assessora Parlamentar, Produtora Cultural, Ativista na área do HIV/AIDS, Gordofobia e Movimento Negro

Sempre senti a necessidade de pensar como que as políticas públicas perpassam os nossos corpos, principalmente os corpos negros. É que existe uma confluência de fatores que faz com que as Políticas de Prevenção do HIV/AIDS sejam extremamente necessárias, principalmente para população em situação de rua, grupos LGBTQI +, quilombolas, indígenas e população carcerária. No Brasil, desde o boom da epidemia de HIV/AIDS nas décadas de 80 e 90, houve uma massificação de novas infecções nas camadas mais pobres da sociedade brasileira. Este resultado provocou campanhas incisivas direcionadas à redução do HIV/AIDS e conscientização na utilização de estratégias de prevenção. Tal processo gerou avanços na prevenção e no tratamento das ISTS/AIDS.

Infelizmente existe um perfil de quem é passível de morte. É necessário perceber como o desmazelo com que essas políticas públicas de prevenção e tratamento das ISTs/AIDS atinge diretamente determinadas populações; populações estas que se encontram nos diferentes níveis de vulnerabilidade social pela sistemática negação de direitos que sofrem, como historicamente acontece com a população afro-brasileira.

Se instaura, infelizmente, no país, uma política de morte – a Necropolítica – que promove diariamente a eliminação dos nossos iguais.  Hoje em dia, se torna novamente importante disputar a construção do imaginário social brasileiro no processo educacional de cada indivíduo, pois esse processo de discussão da vida é importante para o desenvolvimento e acesso às políticas públicas de saúde para o país.

As mães de santo sempre lutaram pela saúde da população negra e são detentoras de saberes ancestrais para cuidarmos do corpo e da mente. Fotos: Ricardo Laf