Em sua 1ª edição, Cineclube Mocambo valoriza a tradição do Cineclubismo em BH com exibição contínua de filmes realizados por pessoas negras. A programação on-line e gratuita começa em setembro

Por Mariana Cordeiro e Milena Geovana – jornalistas

Na 1ª edição do Cineclube Mocambo, o evento, que abriga cinco sessões de filmes  de setembro a dezembro, se propõe a ser um cineclube negro contínuo em Belo Horizonte. O Cineclube terá em sua programação exibição de filmes dirigidos por realizadores e realizadoras negras brasileiras, das Américas, Europa e do continente Africano, além de espaços de debates. A primeira sessão, de 23 a 26 de setembro, trará reflexões sobre a complexa relação entre vida e morte para a comunidade negra com apontamentos para possibilidades de aquilombamento, resistência e afetações. A programação é on-line e gratuita

A partir do dia 23 de setembro, o Cineclube Mocambo apresenta ao público um espaço contínuo de debates sobre cinema e audiovisual através da exibição e discussão sobre filmes dirigidos por pessoas negras brasileiras, das Américas, Europa e do continente Africano. Em sua 1° edição, o Cineclube Mocambo abrigará cinco sessões de filmes de setembro a dezembro de 2021. A 1ª sessão de 23 a 26/09; 2ª sessão de 28 a 31/10; 3ª sessão de 11 a 14/11; a 4ª e a 5º sessão serão definidas em breve. Toda programação é on-line e gratuita. 

O tema desta edição aponta para as encruzilhadas da produção do cinema independente, já que os filmes escolhidos tratam das experiências de vidas e dos diversos caminhos posíveis que se cruzam no ponto comum que é o ser negro no mundo, em especial na América Latina. O projeto é idealizado por Jacson Dias, produtor de cinema e sócio-fundador da  Ponta De Anzol Filmes e por Gabriel Araújo, curador mineiro e crítico de cinema. A iniciativa tem curadoria, além de Jacson e Gabriel, da pesquisadora e professora Tatiana Carvalho Costa. O Cineclube Mocambo é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, por meio do Edital BH nas Telas, Fundo 2020.

Jacson explica que havia o desejo de que a programação acontecesse de forma presencial, mas, com a chegada da pandemia de Covid-19, o cineclube passou por uma reformulação para aumentar a circulação do cinema independente entre pessoas que costumam não ter esse tipo de acesso. “O cineclube Mocambo tem uma razão e sentido de existir: fazer circular os filmes produzidos por pessoas negras e os debates suscitados por eles”.

Primeira sessão

A primeira sessão, do dia 23 a 26 de setembro, discute a complexidade do binômio vida/morte, constantemente presente na experiência de pessoas negras, seja no Brasil, seja em outras partes do mundo. Gabriel Araújo, um dos organizadores, explica que a ideia é programar filmes que lidem frontalmente com essa questão – não para causar mais violência ou sofrimento. “Pessoas negras representam o grupo que mais vem sendo terrivelmente afetado pela política de morte do país e pela pandemia de covid-19. A proposta dessa primeira curadoria é apontar, com os filmes, possibilidades de aquilombamento, resistência e afetações que nos façam refletir essa situação”, afirma. 

A sessão terá filmes como o documentário “T”, da cineasta norte-americana Keisha Rae Witherspoon, que mostra a história de três enlutados que participam do festival T Ball, em Miami. O curta do colombiando Jorge Perez, “Lumbalú; Agonía”, também estará presente na sessão de abertura do Cineclube Mocambo, apresentando uma narrativa que recupera as tradições palenqueiras do Lumbalú. Todas as obras serão exibidas pelo site cineclubemocambo.com.br.

Sobre o cineclubismo

A prática de assistir e discutir filmes surgiu quase em conjunto com a criação do próprio cinema e, no Brasil, tem seu primeiro registro no estado do Rio de Janeiro, em 1928 com  o Chaplin Club, fundado por Plínio Sussekind Rocha, Otávio de Faria, Almir Castro e Cláudio Mello. De acordo com Gabriel Araújo, Belo Horizonte também tem uma bela tradição com o cineclubismo, com vários cineclubes presentes na história da cidade: “já tivemos várias iniciativas semelhantes nesse sentido. Muitos dos cineastas que hoje produzem na cidade foram inclusive formados pelas experiências de cineclubes, ou por meio das programações de mostras e festivais independentes que ocorrem aqui”.

Cineclube Mocambo

O caráter formativo permeia a construção do projeto, já que, além das discussões das sessões, o cineclube realiza lives periódicas pelo Instagram com convidados da cena audiovisual brasileira para falar sobre cinema e curadoria. Jacson destaca que “a irmandade para as os curadores e fazedores de cinema negros é uma parte importante do cineclube”.

Para os idealizadores, um dos objetivos é também ampliar a discussão em torno do cinema preto latino-americano, uma vez que essas produções são muito ausentes no Brasil. Além do cineclube contínuo, que vai acontecer a cada seis meses, e com caráter formativo, diferente de outros espaços como esses em que cada pessoa do grupo sugere quais filmes serão exibidos, as produções que serão exibidas no Cineclube Mocambo foram escolhidas a partir de um pensamento curatorial que leva em conta o momento que vivemos no mundo. “A escolha dos filmes da primeira sessão e das próximas não é vã, ela foi feita com base na conversa, no visionamento de filmes, e com base na experiência e opinião dos curadores”, destaca Gabriel. 

A exibição dos filmes vai acontecer no site do Cineclube Mocambo, e as discussões serão transmitidas no canal do Youtube da iniciativa. As datas e horários da 1° sessão serão divulgados pelas redes sociais:

Instagram: instagram.com/cineclubemocambo

Facebook: facebook.com/cineclubemocambo

Twitter: twitter.com/cinemocambo

Imagem do filme LUMBALÚ; AGONÍA que será exibido durante a 1ª edição do CineClube Mocambo – Foto Mario Prado