O design a serviço do bem

Por Naiara Rodrigues

Leonardo da Silva Ramaldes, mais conhecido como Léo Ramaldes, é colaborador da Revista Canjerê e membro do Casarão das Artes, o qual integra desde a fundação, em 2014. Formado em design gráfico, atua como profissional em design de superfície, na criação e produção de estampas de roupas e tecidos, além da criação de marcas para eventos e empresas. Seu interesse pelo design surgiu quando ainda era criança. Ele chegou a enveredar-se nas ciências exatas, estudando por um ano eletrônica – seu primeiro trabalho como técnico na área lhe deu a oportunidade de conhecer mais de cinquenta cidades. Porém, logo descobriu que poderia ter sua paixão como profissão.

“Desde a infância, eu desenhava muito, mas não tive uma orientação para seguir adiante nos estudos, pois não tinha acesso. Desenhar há algum tempo não era um trabalho reconhecido e isso gerava uma ‘crença limitante’ de que eu não podia. Além dos desenhos, também tive influência de convívio de pessoas que trabalhavam com serigrafia estampando camisetas e adesivos”, explica Léo Ramaldes.

Após realizar seu curso técnico design, conheceu o artista plástico Marcial Ávila ao atuar na área, o que influenciou em sua formação. “Minha experiência se ampliou exponencialmente e meu repertório cultural expandiu por meio de outras culturas, religiões e manifestações artísticas que refinaram meu olhar para a arte”, ressalta Léo, que sempre gostou de serigrafia, artes gráficas, colagens. “Tenho necessidade de dominar o processo para literalmente realizar os sonhos com trabalhos de serigrafia do início ao fim por conta própria que, em si, é uma arte saber fazer e como fazer”, conta.

Entre os seus anseios almejados com a profissão está o propósito de devolver o que recebe de bom para o mundo por meio de alguma ação individual ou coletiva. “É o princípio dessa evolução que o ser humano precisa para aprender a cuidar do outro e ter a oportunidade de realizar esse trabalho de comunicar projetos e eventos enriquecedores para pessoas que precisam conhecer e se reconhecer. É uma grande uma conquista pessoal e me sinto realizado a cada oportunidade de participar”, ressalta.

Como integrante assíduo, nos últimos dois anos, por meio do Casarão das Artes, Léo Ramaldes integrou projetos relevantes para a cultura negra da cidade de Belo Horizonte. “Cada evento realizado tem a contribuição de muita gente boa envolvida que coletivamente busca reivindicar uma ocupação legitima da arte e cultura afro-brasileiras nos espaços públicos e privados da cidade. Presenciar tudo isso gerou uma grande influência, me fez uma pessoa melhor por ter adquirido mais conhecimento e conceito de respeito que sempre tive para com as pessoas pretas”,  informa sobre o que o motivou a contribuir pela causa voluntariamente e fazer parte do projeto que para ele trouxe laços de família com a equipe.

Em 2019, participou do projeto Matriarcas Geledés, no qual Marcial Ávila representaria em suas obras a figura de matriarcas líderes de três quilombos de BH. E as pinturas foram apresentadas em evento aberto no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, onde as matriarcas receberam as homenagens. Em 2020, o projeto Quilombos de corpo e alma ofereceu a duas comunidades quilombolas um curso de capacitação para criação de máscaras em papel colê com Marcial Ávila e oficina de dança, ministrada pelo dançarino e coreógrafo Evandro Passos. Nesse evento, eles buscaram incentivar o empreendedorismo nas comunidades quilombolas oferecendo conhecimento para produção de peças artesanais para agregar na melhoria da renda das comunidades que viveram a ameaça da COVID-19 de perto.

Já em 2021, o Casarão das Artes criou o projeto Canjerê, um evento online para homenagear personalidades pretas da cena literária e musical, com participação de Conceição Evaristo em roda de conversa, entre outros convidados.

Foto: Leo Ramaldes – crédito Márcia Ramaldes