Saúde, Vulnerabilidades e Necropolítica

Por Emilly Prado – Graduanda em Ciências Sociais, Educadora Social, Assessora Parlamentar, Produtora Cultural, Ativista na área do HIV/AIDS, Gordofobia e Movimento Negro

Sempre senti a necessidade de pensar como que as políticas públicas perpassam os nossos corpos, principalmente os corpos negros. É que existe uma confluência de fatores que faz com que as Políticas de Prevenção do HIV/AIDS sejam extremamente necessárias, principalmente para população em situação de rua, grupos LGBTQI +, quilombolas, indígenas e população carcerária. No Brasil, desde o boom da epidemia de HIV/AIDS nas décadas de 80 e 90, houve uma massificação de novas infecções nas camadas mais pobres da sociedade brasileira. Este resultado provocou campanhas incisivas direcionadas à redução do HIV/AIDS e conscientização na utilização de estratégias de prevenção. Tal processo gerou avanços na prevenção e no tratamento das ISTS/AIDS.

Infelizmente existe um perfil de quem é passível de morte. É necessário perceber como o desmazelo com que essas políticas públicas de prevenção e tratamento das ISTs/AIDS atinge diretamente determinadas populações; populações estas que se encontram nos diferentes níveis de vulnerabilidade social pela sistemática negação de direitos que sofrem, como historicamente acontece com a população afro-brasileira.

Se instaura, infelizmente, no país, uma política de morte – a Necropolítica – que promove diariamente a eliminação dos nossos iguais.  Hoje em dia, se torna novamente importante disputar a construção do imaginário social brasileiro no processo educacional de cada indivíduo, pois esse processo de discussão da vida é importante para o desenvolvimento e acesso às políticas públicas de saúde para o país.

As mães de santo sempre lutaram pela saúde da população negra e são detentoras de saberes ancestrais para cuidarmos do corpo e da mente. Fotos: Ricardo Laf