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Belo Horizonte

Rolê nas Gerais: protagonismo das periferias nas telas da TV

Programa da Globo Minas amplia as vozes potentes que ecoam nas favelas

Resistência, cultura, garra, honestidade, cooperação, alegria. Sim, nós estamos falando de favela! Aliás, de F-A-V-E-LA, com todo o destaque merecido. Se durante tempos as periferias só ganhavam espaço nos noticiários policiais, a televisão mineira encarou o desafio de escancarar as portas da favela para todo o estado. O programa semanal Rolê nas Gerais estreou na Globo Minas em setembro do ano passado e está, literalmente, quebrando estereótipos. Comandado pela dupla Renata do Carmo e Tábata Poline, a atração está mostrando que as periferias não são formadas apenas por violência, ao contrário, elas têm em seu DNA a essência de vozes e pessoas potentes que ganham cada vez mais força para ecoar.

O projeto nasceu em maio de 2019, quando o diretor de jornalismo da Globo Minas, Marcelo Moreira, convidou as duas jornalistas para desenvolverem o projeto de um novo programa que conseguisse aproximar ainda mais a emissora das comunidades. Essa proposta veio se somar ao desejo que Tábata já tinha de fazer um jornalismo social que representasse a riqueza das periferias. Uma equipe de peso também se juntou ao time: Xiko César, editor de imagens, e os repórteres cinematográficos Saulo Luiz, Saulo Vieira e Frederico D’Ávila.

Os assuntos tratados a cada semana são diversos: moda na favela, força das mulheres, desigualdades sociais, educação, e por aí vai. A ideia é descontruir formatos tradicionais para construir narrativas que gerem empoderamento e alcance. E é assim que uma boa parcela da população tem olhado para as telas da TV e reconhecido sua força. Longe de romantizar a realidade, o Rolê nas Gerais tem a missão de mostrar o universo das periferias de forma transparente para que essa potente parcela da população não permaneça à margem e possa, enfim, ser protagonista de suas próprias histórias.

Tábata Poline e Renata do Carmo – Foto: Bruno Soares

Corte Real Momesca de Belo Horizonte

Por Equipe Canjerê

Belo Horizonte já conhece a sua Corte Real Momesca do Carnaval 2020. O trio formado pelo rei Wallace Filipe Guedes, rainha Laís Lima e princesa Josi Semeão tem agenda intensa de compromissos durante o período carnavalesco da cidade. Wallace Filipe Guedes é estudante de Educação Física, bailarino e modelo fotográfico. Laís Lima é enfermeira, modelo e passista das escolas de samba Cidade Jardim, Acadêmicos de Venda Nova, Imperavi de Ouro e Estrela do Vale. Já a princesa Josi Semeão é formada em administração e também desfila na Acadêmicos de Venda Nova. Os candidatos foram julgados por uma comissão e entre os quesitos avaliados estavam comunicação, simpatia e espírito carnavalesco, samba no pé, desembaraço, sociabilidade, facilidade de expressão e elegância. Os selecionados são considerados embaixadores da folia na capital mineira.

Foto: Corte Momesca – Crédito Bruno Figueiredo / Área de Serviço / Acervo Belotur

Elisa de Sena – Cura

Por Roger Deff

A cantautora Elisa de Sena representa o atual momento da música em Belo Horizonte. Já se percebe uma cena com ótimos trabalhos que, nos últimos anos, tem sido protagonizada principalmente por mulheres, a exemplo de nomes como Tamara Franklin, Zaika dos Santos, Bia Nogueira, Júlia Branco, Manu Dias, Déh Mussolini, Maíra Baldaia e Nathy Rodrigues.

As duas últimas foram parceiras de Elisa de Sena no projeto Negras Autoras, coletivo que reúne mulheres negras da música na capital mineira, do qual fez parte também a percussionista Manu Ranilla, que acompanha a artista em seu  primeiro vôo solo.  Em 2019, Elisa estreou com seu trabalho o álbum “Cura” com produção da DJ Black Josie e apoio do selo Natura Musical. 

O disco conecta a tradição afro-mineira dos tambores com a idéia “futurista” dos timbres eletrônicos e dos samplers. Não por acaso, a música que abre os trabalhos conta com a participação do mestre Maurício Tizumba. Ao longo das 11 faixas do disco que marca o início dessa nova caminhada, a artista desenvolve uma assinatura própria, sem negar as referências, mas se permitindo experimentar direções nada óbvias.

As canções propõem uma leveza necessária em dias tão densos e tensos, mantendo-se na contra-mão uma ideia de desconstrução da cultura que segue vigente no atual momento.

Sob um fundo amarelo com água, a cantora Elisa de Sena se encontra deitada, olhando em direção para câmera. Ela é negra, possui cabelos crespos curtos. Seu olhos estão delineados de preto e com sombra nas cores dourado e acobreado. Seus ombros e braços estão à mostra e metade de sua mão esquerda submersa na água. Sua mão direita está sob a esquerda,e ela está com as unhas pintadas de preto.
Elisa de Sena – Crédito Paulo Oliveira

 “Cura” é o que o nome título propõe, a anti-tese do ódio, um descanso sonoro em meio ao caos. Sem restrições, Elisa se coloca em contato com a música preta universal, sem se preocupar muito com qualquer rótulo que queiram lhe dar. E segue leve, aguerrida, como mulher negra que é, mas sem perder a alegria ancestral.

“A grana é curta, sistema é bruto, bruta batalha, mas sigo flor.” (trecho da música “Ficar só”)