Fundação pelas Memórias e Culturas Negras do Vale do Jequitinhonha

A necessidade de se instituir um local de acolhimento dos diferentes grupos culturais, de capacitação educativa para a população negra e de enfrentamento do racismo estrutural em Diamantina (MG), culminou com a união pela criação da Fundação pelas Memórias e Culturas Negras do Vale do Jequitinhonha, que pretende ser efetivada no segundo semestre deste ano.

A cidade, segundo o IBGE, possui uma população de 73% de negros, isto é, de pardos e pretos, e está entre as cidades mais negras de Minas Gerais. O Vale do Jequitinhonha possui riquezas inigualáveis em termos de culturas negras, seja no âmbito da arte, com o artesanato e a cerâmica, seja no âmbito do cuidado e da preservação da natureza, com o cultivo da agricultura familiar quilombola e com o cultivo e a colheita da sempre-viva, ou no âmbito da religião, com as irmandades católicas, os grupos de folias de reis, as pastorinhas e os terreiros de matriz africana, entre outras expressões culturais.

A proposição da criação da fundação surgiu com os membros do NUPEDE – Núcleo de Pesquisa, Ensino, Extensão e Divulgação sobre Escravidão, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), coordenado pela professora Adna Candido de Paula. Foram abertas duas frentes de atuação para a organização da participação coletiva de sujeitos sociais da região na realização dessa empreitada. A primeira, organizada com os representantes de instituições interessadas no projeto, tais como a diretora do Museu do Diamante, Sandra Martins Farias, a secretária de cultura da prefeitura de Diamantina, Márcia Betânia Oliveira Horta, o arcebispo metropolitano de Diamantina, Dom Darci José Nicioli, o diretor da CEI/UNOPAR, Erildo Nascimento de Jesus, com alguns pesquisadores do NUPEDE, professores da UFVJM.

Nesta frente de trabalho, após muitos encontros, elaborou-se um estatuto provisório da fundação. Atualmente são desenvolvidas ações da segunda frente de trabalho que, devido à pandemia do coronavírus, precisou adiar algumas das agendas que serão retomadas no segundo semestre. A frente é composta por alunos, professores, agentes públicos e membros de organizações sociais sem fins lucrativos que acolhem e desenvolvem pesquisas sobre temas da negritude e desenvolvem o trabalho de aproximação das iniciativas de estudos e preservação desse patrimônio cultural da população negra já existente com campanhas, audiências públicas, entre outras iniciativas a fim de efetivar a criação da Fundação pelas Memórias e Culturas Negras do Vale do Jequitinhonha.