IMuNE – A potência da coletividade negra

Por  Roger Deff

MC Belo-horizontino, artivista, jornalista, mestrando em artes, com pesquisa sobre o Hip Hop e colaborador de diversas ações pela cultura na cidade.

O racismo (que é sempre estrutural) afeta a comunidade negra em todas as áreas e nas artes não é diferente. A música como atividade artística essencialmente coletiva e com potência para desconstruir barreiras historicamente foi o que motivou o nascimento do Coletivo IMuNe (sigla de Instante da Música Negra), idealizado pela cantora, compositora e atriz mineira Bia Nogueira. A proposta surgiu como uma plataforma para potencializar os trabalhos de outros artistas negros e negras, tendo como meio principal o festival que leva o mesmo nome do coletivo responsável por sua realização.  Em formato itinerante, o festival IMuNe contemplou diversos nomes, sempre com a pauta anti-racista como norte. O festival, um dos projetos selecionados pelo Natura Musical, foi realizado em setembro de 2020, com programação online recebendo artistas como Elza Soares, Flávio Renegado e Djonga, além de debates e palestras. Plataforma de fomento e discussão da arte negra, o IMuNe também é um projeto musical, formado pelos artistas que compõem a base de todo o “corre” necessário para que as coisas aconteçam. Integram o grupo: Bia Nogueira, Cleópatra, Gui Ventura, Maíra Baldaia, Raphael Sales e Rodrigo Negão, compondo um grupo diverso de artistas pretos que transitam por estilos como o rap, trap, samba, afrobeat, MPB e samba. Com trabalhos sólidos individualmente, a soma desses encontros transforma-se em multiplicação de idéias e de fortalecimento mútuo. É força poética da pretitude urbana contemporânea e afro-futurista. Com produção audiovisual impecável, o IMuNE lançou os clipes “Podemos Fazer”, “Quem é você”, “Me deixa Dançar” e “Pra limpar terreiro”.  Vejam e ouça no canal do Youtube: https://www.youtube.com/c/IMuNeoficial 

Fotos: Imune