PROJETO “PERCURSA” RESGATA MEMÓRIAS DAS AFRICANIDADES EM BH

O projeto Percursa: Uma Cartografia das Africanidades em BH busca registros das trajetórias, experiências e lugares de memória da população negra, a partir das vivências de mulheres negras.

Apesar de pouco referenciadas, essas mulheres são protagonistas fundamentais na (re)existência de famílias e comunidades. Muitas delas na atualidade, como no passado, guardam e disseminam em suas comunidades conhecimentos, tecnologias ancestrais que possibilitam viver em um contexto de negação à existência dos corpos negros na cidade.

Uma equipe de pesquisadoras e pesquisadores está levantando referências bibliográficas sobre a história da cidade de Belo Horizonte, bem como referenciais da produção do espaço urbano e arquitetônico. Karla Danitza, programadora, produtora cultural e uma das pesquisadoras do projeto ressalta sobre a importância de aprofundar a pesquisa para além do que se vê. “Buscar investigar, para além das observações iniciais, aquilo que é produzido e que conta com a atuação contínua das mulheres, estimular a produção e o registro de memórias de mulheres negras na cidade é de vital relevância, pois contribui para que a voz feminina que constrói a cidade seja audível”, explica.

O resultado da pesquisa, será disponibilizado em plataforma online e colaborativa, georeferenciando no mapa de Belo Horizonte, espaços marcantes para a história das presenças negras na cidade. O acesso será gratuito.

SEMINÁRIO

O primeiro seminário de lançamento do projeto será no dia 13 de junho com nomes como Maria Luiza de Barros, da coletiva Terra Preta Cidade e da artista literária Nívea Sabino. Em breve a equipe divulgará o Instagram oficial.

Além dos seminários e da plataforma colaborativa, será realizado, no próximo ano, um percurso presencial, em locais significativos da memória e da história da população negra. Na ocasião, será possível experienciar o espaço e escutar narrativas.

Esse estudo também será enriquecido com debates acerca do tema das relações raciais, raça e racismo, buscando evidenciar as relações de apagamento e resistências das presenças negras na cidade.

Foto Leonardo Ramos