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Conheça Bianca Pereira, a nutricionista que criou o programa “Pense Bem e Emagreça”

Sandrinha Flávia – Editora, locutora, apresentadora e mestra de cerimônias

A especialização em coaching de emagrecimento com estudos em PNL e neurociência mudou a forma como Bianca realiza seus atendimentos.

Estamos vivendo um momento em que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a saúde. Aos poucos, hábitos alimentares não ideais estão ficando para trás. Essa busca por uma alimentação melhor reflete diretamente no trabalho da nutricionista Bianca Pereira.

Aos 39 anos, casada, mãe de dois filhos, a vida da nutricionista é uma correria, mas não uma loucura, pois é planejada.

Natural de Belo Horizonte, capital mineira, a rotina da profissional começa cedo com atividade física, o que dá energia para a sequência de atividades profissionais que se seguem durante o dia.

São vários atendimentos, gravações e produções de textos para as redes sociais, e ainda sobra tempo para frequentar a igreja duas vezes por semana, às vezes como cantora. Aos finais de semana, a família é o foco, folga para os passeios com o marido e os dois filhos.

No início da carreira, Bianca atuava apenas como nutricionista em consultórios. Com o passar do tempo, percebeu que estava faltando algo para ajudar as pessoas a manterem o foco durante o processo de emagrecimento e permanecerem magras. Foi aí que resolveu se especializar em coaching de emagrecimento, com estudos em PNL e neurociência.

Logo veio uma nova ideia. A nutricionista criou o Programa Pense Bem e Emagreça, ganhou vários seguidores nas redes sociais que se transformaram em clientes. Segundo ela, “ o programa visa transformar os meus clientes de dentro para fora e consequentemente desfrutam de resultados mais satisfatórios e a longo prazo.”

O sucesso que hoje Bianca Pereira conquistou foi plantado com muita dificuldade, mas a força de vontade e a colaboração de muita gente foram combustíveis para ela continuar.

Tudo começou ainda na infância. Sua mãe, Ivone das Graças, sempre se preocupou com a boa alimentação. Essa referência foi definitiva na hora da escolha da profissão.

Durante uma amostra de profissões no Centro Universitário de Belo Horizonte – UniBH, Bianca conheceu vários cursos, dentre eles nutrição. Naquele momento não teve dúvidas, e decidiu que seria essa a profissão que queria para a vida.

Bianca explica que foi aí que começou a saga, “fiquei durante um ano e meio tentando bolsa pela própria universidade. Todo final de semestre, eu ficava devendo mais de R$3 mil e cada final de semestre, eu fazia um empréstimo, parcelava com cheque ou pedia às pessoas dinheiro emprestado. Depois de um ano e meio, consegui 50% de bolsa, mas já estava completamente endividada. E foi assim durante os 4 anos de graduação, pagando os empréstimos, mensalidades, passagens de ônibus, xerox e lanches. Não foi fácil”, relata Bianca.

Além das dificuldades financeiras, estudava no turno da manhã, saía de casa às 5h30. No período da tarde seguia para o trabalho em um CallCenter de venda de medicamentos e só voltava para a casa às 22h.

Por conta das longas horas fora de casa, Bianca não tinha um contato diário com o filho. Por causa dessa ausência, a criança começou a dar trabalho na escola e em casa. Esse era o maior desafio, “várias vezes eu quis desistir porque ele sentia muito a minha falta e ficava agressivo comigo e na escolinha”, disse.

Sua mãe, principal incentivadora, cuidava do pequeno e sempre tinha palavras de incentivo na ponta da língua a qualquer sinal de desistência. “Minha mãe cuidava do meu filho com muito carinho, dizia que tudo isso ia passar, me dava todo dinheiro que conseguia com o trabalho de cabeleireira, e para completar a renda, produzia sanduíche natural para eu vender na faculdade”.

Os incentivos também vinham do seu marido Fábio, seu pai Benedito Gregório, e suas tias Rosália e Zenilda.

Além dessas dificuldades, ainda tinha as barreiras raciais. Única negra da sala e que trabalhava fora, a futura nutricionista sentia na pele as diferenças no dia a dia.

Com muita dificuldade, ela conseguiu se inserir em um grupo de amigas que, apesar de serem de classe média e brancas, a tratavam muito bem, e com igualdade, diferente das outras alunas da sala. Apesar de todas as diferenças sociais, culturais e raciais, as notas eram sempre altas.

A caminhada seguia até que chegou o momento do estágio. Mais uma vez, Bianca viu a diferença racial falar mais alto. “Realizei estágios em clínica, hospital, UAN (cozinha) e asilo. Adorava cuidar dos idosos. Foi bom, mas o fiz com minhas amigas brancas e de classe média e no hospital especificamente sentia certa distinção por causa da raça e do poder aquisitivo”.

No estágio em UAN, a nutricionista chefe gostou tanto do trabalho de Bianca que a contratou para mais seis meses de estágio remunerado, e dizia que em breve a colocaria no lugar dela.

Feliz com a notícia ela criou expectativas, mas depois de 2 meses, engravidou do filho mais novo. Naquele momento, ela achou que sua carreira iria desabar, mas como ela mesma disse, “Deus tinha planos maiores.”

Não havia espaço para o desânimo, era mais um obstáculo, mas tinha um propósito em sua vida: cristã e mulher de muita fé, buscou em Deus a provisão financeira para conseguir uma colocação profissional assim que terminasse a graduação. “Assim que me formei, fiz panfletos e entregava por onde passava, escolas, sacolões, igrejas etc. Um dia, surgiu a oportunidade de trabalhar em uma clínica, área que eu sempre quis, daí não parei mais”.

Bianca se formou em 2009. Logo após, cursou pós-graduação em nutrição clínica e fez vários cursos de fitoterápicos. Em 2017 se especializou em coaching de emagrecimento consciente, o que deu uma reviravolta em sua forma de trabalhar, “com o curso de coaching entendi como funciona nosso cérebro através da neurociência e PNL, então percebi que para acontecer o emagrecimento definitivo é preciso primeiramente transformar a mente, porque no nosso cérebro existem 4 engrenagens cerebrais: 1°pensamento, 2° sentimentos/emoções, 3° Comportamento e 4° hábitos”.

Agora, a nutricionista considera o atendimento mais completo tanto do corpo como da mente. “A pessoa troca o chip de gordo pelo chip de magro, e permanece magro para sempre”, finaliza.

Altair Alves, o empresário que usa a internet para fazer revolução no marketing contábil

Por Sandrinha Flávia – Jornalista, editora, locutora e apresentadora de eventos

Colaborar com o crescimento do empreendedorismo disponibilizando conteúdos na internet que geram crescimento e lucratividade para as micro, pequenas e médias empresas, e incentivar os empreendedores brasileiros são alguns dos objetivos do empresário Altair Alves.

Dono de duas empresas, a COMED, que fica em Palmas(TO) e atua com serviços de contabilidade e gestão para empresas da área da saúde, e a Soluzione Contábil, em São Paulo, que presta serviços de contabilidade para micro, pequenas e médias empresas em diversos segmentos.

Para além das empresas, Altair, único negro no segmento da contabilidade para empreendedores com essa projeção no Youtube, se tornou protagonista do marketing contábil no Brasil, após criar dois canais no youtube, e postar conteúdos produzidos a partir das demandas que ele percebia no dia a dia das suas empresas.  Já são mais de 1200 vídeos publicados nos canais “Gerando Empreendedores” e “Altair Alves”, ambos somam mais de 4 milhões de visualizações.

O homem por trás de todo esse sucesso não teve a vida fácil no início. Natural de São João de Meriti, estado do Rio de Janeiro, no local mais conhecido como baixada fluminense, o empresário viveu em São João até os 19 anos, quando se mudou para São Paulo em busca de oportunidade de emprego. Órfão de pai desde os 15 anos, sua mãe sempre segurou o sustento da família trabalhando como empregada doméstica. O lugar onde morava, na época, tinha poucos recursos e também não era um local inspirador.

Devido às dificuldades da vida, Altair decidiu parar de estudar. “Parei na 7ª série e voltei apenas depois dos 25 anos. Não foi fácil porque naquele momento eu estava casado e com um filho recém-nascido, mas conseguimos avançar”, destaca.

Antes de se tornar empresário, Altair teve várias profissões: passou pela construção civil como ajudante, depois foi auxiliar de restaurante e estoquista. “A boa oportunidade que seria o pontapé para tudo que tem acontecido hoje, surgiu no ano 2000 quando já havia terminado o colegial e consegui uma vaga em uma multinacional e também uma bolsa para estudar. Ingressei para trabalhar em uma empresa multinacional como quarteirizado e depois terceirizado. Após um ano, passei para a empresa principal, com isso tive a oportunidade de estudar. Fui o primeiro a trabalhar como auxiliar de depósito e a ganhar uma bolsa de estudo pela empresa para fazer o curso de administração de empresas”, informa.

Mas, após dois anos, o futuro empresário e youtuber percebeu que se formar em contabilidade seria melhor. Ele acreditava que seria um caminho mais apropriado para trabalhar por conta própria no futuro. “Percebi também que o contador poderia ser o braço direito na gestão das pequenas empresas no Brasil”, mencionou.

O caminho, até se tornar referência na internet e palestrante do ramo, foi longo. Em 2015, o empresário resolveu publicar conteúdos no site da sua empresa. As pessoas começaram a copiar, uma demonstração de que os conteúdos estavam bons. Mas ele queria mais, daí pensou que se publicasse vídeos seria mais difícil de copiarem, para além disso, existe uma estatística que prevê que até 2020, oitenta porcento da linguagem de comunicação será através do vídeo, informação decisiva para começar um novo negócio.

As dificuldades no início foram muitas. O medo do julgamento das pessoas era uma sombra, mas a vontade de ajudar o outro falou mais alto. “Eu tinha medo do julgamento das pessoas, mas, com o tempo, fui aprendendo como lidar com isso. Hoje já gravo sem medo e focado nas pessoas que precisam da informação e gostam do meu trabalho. Rejeição, mesmo que muito pequena, todos nós teremos. Aprendi que o mais importante é colaborar”, enfatiza.

Perguntado sobre a sua esposa, pois o mesmo sempre a menciona nas suas redes sociais particulares, Altair responde: “A Família é a base de tudo. Acredito que ela é uma grande parceria no meu desenvolvimento. Uma das principais incentivadoras. Fica atrás apenas da minha mãe que sempre fez o possível e impossível para que eu conseguisse avançar. Nada justifica o sucesso no empreendedorismo se com ele não vier a família e os principais amigos”, finalizou.

Ubuhle: quilombo da beleza negra no coração da Savassi

Por Naiara Rodrigues – Jornalista

Em uma das áreas mais elitistas da capital mineira, na rua Tomé de Souza, está reservado no número 932, sala 205, um espaço dedicado à beleza negra: a Ubuhle. Lá é possível encontrar corte e hidratação de cabelos, design de sobrancelhas, tranças e penteados, além de serviços oferecidos por uma rede de parceiros que incluem estética corporal, massagens e limpeza de pele, tatuagens, depilação, manicure, entre outros.

O nome do salão vem da língua bantu e significa beleza, bondade e excelência. Ele foi escolhido por Aline Tomaz, sócia-fundadora do espaço, ainda quando atuava como sobrancelhista em atendimentos domiciliares ou em espaços colaborativos como o Coletiv’Art Handmade, que reunia uma loja de artesanato e serviços, próximo ao local onde hoje é o salão. Nele, ela teve sua primeira experiência de atendimentos na região e foi onde conheceu outra sócia-fundadora da Ubuhle, Rafaela Xavier, que atua como trancista.

A decisão de abrir o espaço veio do fechamento do coletivo. As amigas tiveram a ideia de montar um empreendimento próprio, em 2018, trazendo os serviços de beleza para o público negro como carro-chefe.

O racismo da região fez com que inicialmente enxergassem como um erro a escolha do local, mas essa ideia foi ressignificada com o tempo. “A Savassi em si não tem nada voltado para pessoas negras. Enfrentamos muito racismo de pessoas que nos maltrataram e maltratam nossos clientes. Hoje vemos o fato da Ubuhle ser o único salão afro na região como algo positivo porque a gente se enxerga como um ponto de resistência, e acaba sendo também um espaço político”, afirma Aline.

O espaço não se limita a prestação de serviços, ele também promove encontros e eventos para discussão sobre temáticas da negritude. “Desde que começamos, passamos a ter mais visibilidade e também a ser procuradas por pessoas que têm interesse nesses debates. Já promovemos rodas de conversas sobre temas como afro empreendedorismo, aromoterapia e fito energética. O maior evento que realizamos foi o Pele Negra, que trouxe convidados para debater questões da negritude sob a perspectiva da estética negra, como a solidão da mulher negra, a hiper sexualização do homem negro e como nossa estética é uma forma de resistência e implica várias áreas da nossa vida”, enfatiza Aline.

Além disso, o espaço recebe constantemente oficinas para cuidados, amarrações de turbantes, entre outras iniciativas que dão visibilidade a culturas de matriz africana.

Para a empreendedora, o trabalho desenvolvido tem uma grande responsabilidade: mais que um momento de reconhecimento da beleza negra, ele devolve a autoestima e ajuda clientes de todas as idades a fazerem as pazes consigo mesmas.

“Diariamente entram clientes que falam que sempre acharam que seu cabelo era ruim, que sempre quiseram que ele fosse de um outro jeito. Por exemplo, 90% das nossas clientes que vão trançar cabelo estão em um momento de transição capilar, com metade do cabelo alisado com produtos químicos. Elas acabam nos encontrando como uma forma de apoio, inclusive para obter informações essenciais nesse processo”, destaca Aline.

“Vemos como as pessoas negras estão constantemente brigando com a sua estética, passando por processos que nós já passamos e tentamos acolher da melhor forma a todas. Para mim, ficou mais emblemático este processo quando me vi dentro de um lugar elitista fazendo um espaço para receber pessoas negras que já vêm desacreditadas e odiando a si mesmas, e saem da Ubuhle outra pessoa”, afirma Aline, destacando o potencial transformador do espaço.

A Ubuhle também oferece produtos cosméticos e artesanais desenvolvidos por produtoras, mulheres da região de BH. A proposta é oferecer para os clientes produtos de qualidade e sustentáveis e fortalecer o empreendedorismo feminino.

No sábado, dia 27 de junho, o empreendimento comemora um ano de existência e realiza um evento de confraternização, às 18h. A entrada é gratuita e aberta ao público.

Foto: João Saraiva

Lingerie nude para mulheres

A empresária Ade Hassan lançou a marca Nubian Skin com uma linha de lingerie nude pensada para as mulheres negras

Por Sandrinha Flávia, jornalista, locutora, mestra de cerimônias e editora

A expertise de criar um negócio a partir de uma dificuldade resolveu o problema de milhares de mulheres negras. A empresária Ade Hassan, de Londres fez da sua frustração uma empresa diferente, rentável e que atende um público que não se via representado. Hassan criou uma linha de lingerie Nude para mulheres negras de várias tonalidades de pele.

Tudo começou em 2014 quando a empresária já estava cansada de procurar meia calça e lingerie Nude do seu tom de pele e nunca encontrava. Frustrada, ela decidiu se movimentar acreditando que outras mulheres também passavam pelo mesmo problema. Foi assim que nasceu a Nubian Skin.

O trabalho de pesquisa para a criação dos produtos durou cerca de um ano. O primeiro passo, segundo a empresária, foi visitar as marcas de maquiagem que já trabalhavam com produtos para a pele negra para se inspirar nas cores. “No início, visitei lojas em Londres e Nova York que tinham ofertas significativas de produtos para as mulheres negras como Fashion Fair, MAC, Nars, Lancôme e Blackup. Eu queria descobrir quais das suas cores eram as mais populares entre as mulheres com pele mais escura”, disse.

Com base em todas as descobertas, a empresária selecionou suas cores preferidas. Essa foi apenas a primeira etapa, muitos desafios ainda viriam pela frente. “Combinar os tons de pele ao pantone de tecidos e certificar-se de comparar as cores sob uma caixa de luz foi um exercício muito bom. Foram várias idas e vindas à fábrica e às casas de tingimento para encontrar os tons certos”, mencionou.

Ade Hassan, criadora da marca Nubian Skin – Foto: Israel Peters for Xero

O trabalho foi finalizado em meados de junho, mas tinha outra tarefa pela frente: achar os tons das meias-calça. “Não poderíamos simplesmente replicar a cor de um tecido sólido em um tecido transparente. As meias exigiram muito mais tempo. Duas das cores desceram muito rapidamente, mas duas levaram um pouco mais de esforço”. Chegou um momento em que a própria empresária decidiu fazer o trabalho. “Decidi eu mesma ferver algumas das cores com as quais eu não estava satisfeita em enormes potes de chás e café para obter a cor perfeita. No final, deu certo”.

Após o lançamento da marca, Ade Hassan virou notícia na mídia. Foram diversas entrevistas para os mais variados veículos. O sucesso foi tanto que a cantora Beyoncé e suas dançarinas usaram lingeries da marca em sua sétima turnê musical, The Formation World Tour.

Os produtos da Nubian Skin são vendidos em todo o mundo pela internet, com estoquistas físicos no Reino Unido, EUA, Portugal, Nigéria, Jamaica e Caribe francês e no site ASOS. A empresa não tem loja física, o atendimento é feito por meio de um showroom na cidade de Londres com serviços de Color Match & Fit, onde as pessoas podem experimentar os produtos e fazer os seus pedidos.