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O 2 Black Beer é um exemplo de como uma marca pode alavancar a cultura

Por Sandrinha Flávia – apresentadora, jornalista e empresária

O mestre cervejeiro Thiago André dos Santos, 40, e sua sócia Iane Kátia Matias de Freitas, 35, abriram um bar com uma pegada cultural que apoia, ou realiza com várias parcerias, eventos de Hip Hop, Reggae, Forró, Slam, Baile Soul, Samba etc.

O 2 Black Beer, que fica localizado em frente à pista de Skate do Viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte (MG), não se limitou apenas em oferecer chopps artesanais, e sim, criar um estilo de vida democratizando o acesso à cultura.

Tudo começou em 2017, quando Thiago trabalhava em uma empresa de mudanças e recebeu uma ligação da sua esposa, hoje também sua sócia, falando sobre as vagas para um curso gratuito de   Mestre Cervejeiro do Pronatec – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. Como já era de sua vontade fazer o curso, ao sair do trabalho, foi direto fazer a matrícula, mas chegou tarde. A atendente o auxiliou a tentar vaga na cidade de Nova Lima. 

Thiago não desanimou. Chegando a Nova Lima, não havia mais vagas para o curso que ele queria, somente para Curso de Vendedor Técnico de Cervejas Artesanais. Matriculou-se assim mesmo.

Para a sua surpresa, seu professor, que é mestre cervejeiro, foi muito além do que era proposto no curso e ensinou todo processo, tanto da área de produção quanto da área de sommelier. Teve a oportunidade de degustar mais de trezentos e sessenta estilos de cervejas diferentes.

Ao se formar, foi indicado para trabalhar em uma cervejaria. Lá aprendeu a fabricar, atender growler, fazer delivery, atender revendedores etc. Mais tarde sua atual sócia também foi trabalhar nessa mesma fábrica cuidando das finanças.

Saíram da fábrica com uma vasta experiência na área e começaram a pensar em um negócio próprio. A ideia era trazer o chopp para o baixo centro de BH, com preço popular. Achar o espaço não foi tarefa fácil, pois tanto Thiago quanto Iane tinham outros trabalhos e pouco tempo para se dedicar ao negócio próprio. 

Um dia, ao sair de um dos seus trabalhos como segurança noturno, Thiago viu uma placa de aluguel no viaduto.  O coração bateu mais forte e logo entrou em contato com o proprietário e fechou o negócio sem ver a loja por dentro. Contou com a sorte e a intuição. Depois de muito trabalho para colocar o negócio pra funcionar, o viaduto ganhou um bar que se importa com tudo que acontece naquele espaço.

Os sócios criaram três chopps de fabricação própria e representam outras marcas também. Dentre os chopps próprios, tem o “Chopp Viaduto”, uma homenagem ao Viaduto Santa Tereza desenvolvido de forma colaborativa.  A cada litro vendido, R$1 é revertido para  várias ações culturais que acontecem no espaço como liberações de alvarás, compra de caixa de som, microfones, decorflex para as danças etc. Ao todo, R$5.500,00 já foram revertidos na proposta.

Thiago que já vendeu água no sinal de trânsito, foi segurança e carregou muita mudança pelo Brasil à fora, tem muitos sonhos. Junto com sua parceira e sócia, pretendem acrescentar no cardápio do bar, drinks e alimentação. E futuramente construir uma fábrica própria. 

Outro projeto que já está funcionando é a kombi grafitada e adaptada para levar os chopps 2Black Beer para qualquer evento.

Foto: mestre cervejeiro Thiago André dos Santos, e sua sócia Iane Kátia Matias de Freitas

Ele tinha medo de falar em público, mas superou e hoje ajuda milhares de pessoas a conquistar uma comunicação de alto impacto

 Por Sandrinha Flávia, jornalista, apresentadora e empresária

Desde que encontrou a sua missão de vida, o angolano Kimuanga Bumba (48) ajuda as pessoas a conquistarem uma comunicação de alto impacto de forma integral e sistêmica. O mestre ou mentor, como é chamado por seus alunos, é formado em Administração de Empresas, MBA em RH e logística, criador do Método Muanga, Master Coaching Integral Sistêmico e palestrante. 

Nem sempre o mestre teve uma boa desenvoltura na comunicação. Sua história perpassa por vários obstáculos. Na época escolar, as picadas de mosquitos prejudicavam a aparência da sua pele e por conta disso os pais dos outros alunos não deixavam as crianças se aproximarem. A gagueira e a chacota, por conta do seu nome, contribuíram para as faltas escolares e reprovações, mesmo sendo um bom aluno.

“Kimwanga Mbumba”, essa deveria ter sido a escrita correta do seu nome, porém, devido à colonização portuguesa, o registro ficou como “Kimuanga Bumba”, como explica o mentor: “Na Língua portuguesa não existia a letra “w” no alfabeto, então eles definiram que tinha que ser escrito com letra “U”. Também não tem palavras que começam com consoantes, ou seja, o “M” de Mbumba, eles removeram. Assim foi a ditadura do tempo colonial”.

Seu nome é oriundo da Aldeia Bumba em Malanje. O prefixo “Ki” significa algo de grande valor que não pode ser desperdiçado.  O sufixo “Mwanga” quer dizer aquele que espalha luz. Já o sobrenome “Mbumba” significa poder, riqueza, trabalho, prosperidade e terra. A sua missão de vida já estava construída com a força do significado do seu nome próprio.

Jogar bola era a sua brincadeira preferida, apesar das dificuldades em conseguir uma bola. Naquela época, Angola vivia um cenário de guerra, os brinquedos distribuídos para as crianças pobres eram armas.  Com dezenove anos, seu irmão o viu jogar e o incentivou a entrar num time profissional. Kimuanga visitou vários clubes, mas não foi aceito em nenhum. Essa rejeição, aliada a outros problemas pessoais fizeram o mestre pensar em tirar a própria vida.

Mas, o mundo deu voltas e Kimuanga aprendeu a arte de cortar cabelos. Conseguiu um trabalho como barbeiro e com o dinheiro que ganhava investiu em materiais para treinar basquete. Caminhava quase duas horas para treinar sozinho. Quando voltava para a casa, nem sempre tinha o jantar, o jeito era comer os figos de uma árvore do seu quintal ou papa de soja, um tipo de comida servida para refugiados.

Quando tudo parecia perdido, foi convidado para jogar num campeonato universitário com a promessa de talvez conseguir uma vaga para estudar. Mas, na final, descobriram que ele não era estudante e foi retirado do time. A bebida alcóolica foi o caminho para afogar a decepção. 

Mas, a frustração durou pouco. O presidente da Associação Nacional de Basquete Universitário o convidou para jogar no campeonato nacional da Angola, o maior da África. Kimuanga foi selecionado para o time de melhores atletas mesmo não sendo estudante. Em 1998, foi selecionado para representar o time de Angola no Campeonato Pan-africano na África do Sul, mas chegar naquele país não foi fácil, pois não tinha documentos muito menos roupas e sapados apropriados. Com a ajuda de boas pessoas, conseguiu viajar.

Mais tarde, tornou-se treinador e, quando largou o basquete, fez estágio em uma rádio, depois trabalhou em uma empresa no setor de contas a pagar e gestão de estoques e se interessou pela faculdade de administração de empresas. Foi no curso que surgiu a oportunidade de apresentar um trabalho. Kimuanga ficou tão nervoso que foi vaiado pelos colegas.

A primeira fala bem sucedida em público foi num casamento, quando seu pai o convidou a fazer a leitura da carta de pedido. O mestre se saiu muito bem e, então, passou a ser o orador dos eventos da família e a investir em cursos, além de se modelar no estilo Barack Obama. 

Kimuanga já deu palestras e treinamentos para milhares de pessoas, inclusive no Brasil. Hoje, sua missão de vida é formar pessoas para a vida por meio dos cursos de oratória, apresentação de alto impacto e superação, ajudando seus alunos e alunas a descobrirem as suas forças e fraquezas, sonhos e talentos de forma integral e sistêmica com foco nas áreas espiritual, familiar, saúde, emocional, profissional, conjugal, etc.

Siga o Instagram @kimuangaa – Foto Domingos Cassinda

Valéria Duarte cria coleções de moda que contam a história da cultura negra

Por Sandrinha Flávia, jornalista, apresentadora e empresária

Peças que contam histórias inspiradas na cultura negra. Essa é a proposta da estilista Valéria Duarte, 53 anos. Sua história com a moda começou aos 16 [anos quando foi trabalhar em uma loja de tecido. Sua mãe, Helena Duarte da Silva, que trabalhava como faxineira, e sua avó, Elza Paulina de Souza, foram suas incentivadoras. 

Quando Helena percebeu o talento da filha, tratou logo de matriculá-la em cursos de pintura de tela, tecido e moda no SESC e SENAC. Foi por meio do curso de moda que veio a primeira oportunidade profissional em uma loja de tecido onde   trabalhava como figurinista desenhando para os clientes. Além de faxineira, sua mãe era bordadeira, mas, após adoecer, ela esqueceu a memória da costura. Valéria relata que sua avó foi a sua primeira instrutora, “foi a minha avó que me ensinou a pregar botão, fazer bainha e cerzir roupas” disse.

Após fazer uma viagem a Londres (UK), a estilista teve a certeza de que a moda era o seu propósito. Londres foi a sua inspiração. Após retornar, matriculou-se no curso de designer de moda do Centro Universitário UNA onde conheceu o professor Aldo Clécius, grande incentivador da sua carreira.

A primeira coleção desenvolvida por Valéria foi inspirada pela fala de uma pessoa que disse o seguinte: negro é preguiçoso.  Foi, então, que decidiu contar histórias negras através da roupa para desmistificar essa fala. Suas peças não têm estampas e sim texturas, como explica: “Acredito que tudo que a gente vive, fica impregnado no nosso íntimo, na nossa pele, na nossa psiquê e influencia em tudo que a gente faz. É a nossa bagagem que influencia o ontem, o hoje e o amanhã” relatou.

A estilista Valéria Duarte ao lado do professor e consultor de moda Aldo Clesius falam sobre a influência da cultura preta na moda cotidiana. Evento idealizado pelo Movimento Moda Contemporânea Mineira

A primeira coleção lançada pela designer foi batizada de “Blues”.  São peças com vários vazados, texturas e xadrezes trabalhados em entrelaçamentos de tiras dando efeitos de telas e colares.  Valéria explica que a ideia das linhas cruzadas são para mostrar que os encontros que temos na vida produzem algo, por mais triste de sejam. “O Blues, por exemplo, nasceu nas lavouras do algodão com os negros escravizados que cantavam seu dia a dia com aquelas belas vozes e fizeram ressoar até hoje influenciando nossos ritmos musicais.”

As peças trazem ainda tiras de um centímetro e meio que formam texturas que lembram os limites das lavouras de algodão. Vale lembrar que o algodão é matéria-prima para a criação do tecido, inclusive a logomarca da empresa Valéria D Valéria é uma flor de algodão.

Na coleção Blues, Valéria resgata, ainda, histórias de mulheres da Vila Tiébélé que fica em Burkina Faso (África). Elas fazem pinturas feitas à mão utilizando um tipo de barro e formando vários grafismos. A intenção delas é ter um lar e não só uma casa. A estilista traz essa história e esses grafismos para a sua coleção, “são pinturas sem tinta, utilizo apenas tecidos que falam sem ter voz. Quando você compra a peça, ela vem carregada da história de alguém que não era preguiçoso e se superou a ponto de deixar vários legados”.

Em 34 anos fazendo moda, além das suas próprias coleções, Valéria já assinou coleções como Patchoulee, Silvana Miranda e Vibração, atualmente assina a coleção da HDK Brasil.

A estilista questiona o apagamento de profissionais pretos no setor, “são os donos das marcas que tem relevância, é difícil um negro ter projeção dentro da marca, e foi por isso que criei a minha própria empresa para entender quem eu sou de verdade, pois as impressões sobre mim eram passadas por pessoas que não tinham interessa pelo meu crescimento”, finaliza.

Foto Yasmim Morais

Movida pela paixão por moda afro, Carina Brito criou a Maria Rosa Butique, marca que traz história e ancestralidade

Por Por Sandrinha Flávia – Jornalista, empreendedora e apresentadora

Foi após participar de uma Feira Afro que Carina Brito, 42, se tornou empreendedora de Moda Afro. O seu olhar para a moda vem da adolescência quando adorava usar acessórios bem diferentes daqueles que as pessoas ao seu redor usavam.

As cores e estampas dos tecidos africanos sempre chamaram a sua atenção, e naquela tarde de domingo, na Feira Afro, Carina sentiu necessidade de ter um guarda-roupas com peças que valorizassem a sua ancestralidade. Foi assim que, em 2012, nasceu a Maria Rosa Butique, nome que homenageia a sua mãe. “O nome surgiu do meu desejo de fazer uma singela homenagem a uma mulher guerreira, batalhadora e zelosa que é a minha mãe, a Maria Rosa Brito”, relatou.

Nascida em Barão de Cocais (MG), desde a infância, viu sua mãe empreender   como cabeleireira e costureira para complementar o orçamento da família, ou seja, o empreendedorismo já estava presente.

No início do negócio, sua maior preocupação era como conseguir os tecidos africanos. Foi então que conheceu uma fornecedora que trazia os tecidos de Angola, pois em Belo Horizonte (MG) não encontrava com facilidade.  Com o passar dos anos, foi descobrindo outros fornecedores principalmente de São Paulo e Salvador (BA). 

O investimento inicial para o negócio, foi retirado das suas economias. Na época, algumas de suas irmãs estavam desempregadas e a ideia da loja poderia ser uma fonte de renda para a família. 

De posse dos tecidos africanos, percebeu que era hora de colocar a mão na massa. Carina se matriculou na aula de costura onde desenvolveu as primeiras peças. Logo após, abriu o espaço físico no quintal da casa da sua mãe em Barão de Cocais(MG). Suas irmãs se engajaram no projeto. Enquanto elas cuidavam da loja, Carina concilia a vida de empreendedora com seu trabalho como celetista na capital mineira.

Formada no curso técnico em Estradas pelo CEFET(MG), graduada em Engenharia Agrimensura e pós-graduada em Engenharia em Estradas com ênfase em Drenagem em Rodovias, atualmente é a única mulher a ocupar a função de supervisora de Topografia na Anglo Gold, empresa em que trabalha há 17 anos onde já entrou ocupando o cargo de Desenhista Cadista. “Conciliar as funções de topografia e moda é um desafio, mas eu acho muito prazeroso”, disse.

Além das coleções de fabricação própria, a Maria Rosa Butique também revende produtos de fornecedores afroempreendedores como livros de literatura negra, brincos, canecas temáticas e calçados. As peças de crochê são produzidas por sua irmã, Adriana Brito.

A empresa permaneceu durante oito meses no quintal da casa da sua mãe, até a empreendedora decidir levar toda mercadoria para o seu apartamento em Belo Horizonte onde começou a atender em casa, nas horas vagas. 

Com o crescimento da procura, Carina resolveu abrir um espaço no centro da cidade. “A Galeria do Ouvidor foi o lugar mais em conta que eu achei. Adoraria abrir uma loja de porta para a rua por conta da movimentação que é maior, mas estou há quase um ano na Galeria e percebi que é importante estar lá também por ser um ponto turístico da cidade. Atendemos clientes de várias cidades do Brasil e pessoas de outros países”, disse.

Para finalizar a entrevista, perguntamos qual é o seu maior sonho, e o que a torna feliz nos negócios. “A minha maior satisfação é receber os elogios das pessoas encantadas com as nossas criações, fazer amizades e encontrar pessoas na rua usando peças da loja. É uma alegria! E o meu maior sonho é ter uma loja de frente para a rua no centro de BH.  Quero comercializar mais acessórios como óculos, maquiagem, sapatos, bolsas, lembrancinhas, tudo voltado para a cultura negra”, finaliza.

A dança como um projeto de vida

Conheça a  BHfieira – laboratório da Dança, uma escola   que visa democratizar o acesso à Dança

Por Sandrinha Flávia – Jornalista e apresentadora

O  interesse do empresário Danillo Primola, 34,  pela dança  começou bem cedo. Desde pequeno, já frequentava bailes com a sua mãe, adorava dançar forró com a irmã e sempre levava o primeiro lugar quando o assunto era concurso de dança. 

Na adolescência realizou um de seus sonhos: ingressar em uma escola de dança, mas o sonho durou pouco tempo. Em apenas um ano, teve que se desligar da escola, pois não conseguia arcar com o valor das mensalidades. Mas quando as coisas têm que acontecer, elas acontecem. Uma amiga, professora de dança, o contratou para fazer aulas com ela, foi assim que conseguiu dar mais um passo rumo à profissionalização na dança.

Aos 23 anos, Danillo se tornou o dono de academia  de dança mais novo da cidade.  A escola que hoje se chama  BHfieira – Laboratória da Dança oferecia aulas de bolero, forró, salsa, samba, etc.

Naquela época, não se falava muito sobre afroempreendedorismo na cidade. Ao conhecer melhor o termo, Primola resolveu redesenhar o seu propósito de negócio focado em democratizar o acesso à dança e possibilitar que as pessoas de todas as idades e classes sociais pudessem praticar várias modalidades e não precisassem passar pelas dificuldades que ele passou. 

O carro chefe da  BHfieira    é o samba no pé e gafieira, mas também oferece outras modalidades de dança de salão. Por conta de suas pesquisas sobre a história do samba e participações em grupos de samba da cidade, em 2008 e 2020, a PUC Minas o convidou para ministrar aulas sobre “O samba e suas Matrizes”. 

Em 2020 o time da escola cresceu, o dançarino e ator Igor Arvelos, que foi aluno de Danillo desde os 14 anos, tornou – se sócio Administrador da BHfieira. Igor tem uma bela trajetória na dança.  No Rio de Janeiro, onde morou,  foi vice campeão numa competição de samba no pé carioca, participou de comissões de frente da Beija Flor de Nilópolis, fez trabalhos em televisão e atualmente está em turnê  internacional com o YouTuber Luccas Neto . Seguindo os passos do seu mestre,  Igor  é o dono de academia mais novo da cidade com apenas 23 anos.

A sociedade chegou em um momento importante para o negócio, afinal, no auge da pandemia, a escola precisava sobreviver. Os dois organizaram financiamento coletivo, escreveram editais, criaram uma nova forma de se comunicar com mais humor e após oito meses com a escola fechada conseguiram sobreviver conciliando as atividades da empresa com outros trabalhos extras para se manterem financeiramente.

Hoje, após15 anos formando sambistas, Danillo se considera um profissional por vocação. Como coreógrafo da comissão de frente da Escola de Samba Acadêmicos de Venda Nova se consagrou três vezes campeão com nota máxima.

O mais novo projeto dos sócios é a Feirafro, loja de produtos para o público negro que começou em um pequeno espaço dentro da BHfieira e agora inaugurou uma loja  na Feira Shopping, região de Venda Nova(BH).Para saber mais sobre os projetos da BHfieira ou Feirafro, siga nas redes sociais: @bhfieira @feirafro.

Foto Catarina Prudencini

Festival de Arte Negra de Belo Horizonte abre inscrições para expositores do Ojá – Mercado das Culturas

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Centro de Intercâmbio e Referência Cultural (CIRC), informa que estão abertas as inscrições para expositores que desejam participar da 11ª edição do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte – FAN BH no Ojá – Mercado das Culturas. A tradicional feira do evento reúne uma extensa variedade de produtos e serviços ligados à cultura negra.

O FAN BH será realizado em dezembro e, pela primeira vez, terá formato híbrido, reunindo atividades presenciais e virtuais que seguirão todos os protocolos de prevenção à covid-19. 

Podem se inscrever para o Ojá expositoras e expositores de Belo Horizonte e Região Metropolitana, individuais ou coletivos, com produtos de diversas áreas como acessórios, alimentos, artesanato, bio joias, cosméticos, decoração, estética, livros, moda e artes visuais.  No momento da inscrição, as pessoas interessadas deverão informar se a sua exposição de produtos ou serviços é preferencialmente on-line ou presencial.

Segundo a diretora de Política de Festivais da Fundação Municipal de Cultura Ana Freire, o Ojá integra o evento como um elemento essencial à sua identidade e sua proposta: “Sabemos que a Economia Criativa é também uma importante forma de expressão da cultura popular, da arte e cultura negra em geral. O Ojá é um espaço de grande relevância para empreendedoras e empreendedores que participam da feira e, sem dúvidas, uma das grandes atrações do FAN BH para o público do festival”, afirma.

As inscrições, que ficam abertas até o dia 15 de novembro, devem ser realizadas exclusivamente a partir do formulário disponível no endereço pbh.gov.br/fanbh.

Sobre o Ojá – Mercado das Culturas

Com origem na palavra Iorubá que significa “Mercado”, o Ojá é reconhecido como um espaço de movimentação da Economia Criativa no Festival de Arte Negra de Belo Horizonte, promovendo a circulação de recursos, a realização de encontros, a troca de ideias e afetos. Também tem como objetivo destacar o trabalho de empreendedoras e empreendedores de BH e Região Metropolitana, criando uma rede de novos negócios e oportunidades. Além da exposição de bens e mercadorias, o Ojá também já recebeu, ao longo das edições do FAN BH, outras atividades como desfiles de moda, lançamentos e rodas de conversa.

Sobre a 11ª edição do FAN BH

Neste ano, o FAN BH traz o tema “Muvuca de Pretuntu” e parte das conexões culturais entre Brasil e África, mais especificamente das influências da cultura bantu na formação da identidade brasileira e suas relações com Minas Gerais. Esta edição destaca o desejo de aproximação – através dos encontros, reflexões, trocas de experiências, de afetos -, a partir de processos criativos colaborativos que se darão durante o festival. A  curadoria do festival, em 2021, é composta pelo artista plástico Froiid, pela atriz, cantora e compositora Júlia Tizumba e pelo cantor e compositor Sérgio Pererê.

Sobre o FAN BH

O Festival de Arte Negra de Belo Horizonte – FAN BH é parte integrante da política pública de cultura do município e é um dos maiores eventos dedicados à arte e à cultura negra na América Latina. Sua primeira edição, em 1995, integrou as celebrações do tricentenário da morte de Zumbi dos Palmares, herói nacional e símbolo da resistência cultural da população negra do Brasil. Na época, o evento movimentou a cidade, que assistiu a ocupação de suas ruas, praças e teatros por artistas oriundos de diversos pontos da África e das diásporas negras.

A partir da segunda edição, em 2003, o FAN BH ganhou caráter permanente, com periodicidade bienal. Da mesma forma, reforçou a sua contribuição enquanto difusor da arte negra no Brasil e a sua fundamental importância para compreensão da origem e a inserção das diversas vertentes das culturas de matrizes africanas. Ao longo de sua trajetória, o Festival tem se consolidado como um importante fórum de encontros entre artistas locais, nacionais e internacionais para compartilhar ideias, procedimentos, perspectivas e técnicas sobre a Arte Negra.

A edição mais recente do FAN BH aconteceu em novembro de 2019 e teve como eixo de reflexão “Território Memória”, articulado às práticas culturais e artísticas negras. A programação da 10ª edição levou 510 artistas a diversos palcos da cidade, sendo 330 de Minas Gerais e 180 de outros 10 estados e países como Alemanha, Gana e Senegal. Foram realizadas 150 atividades, alcançando um público de mais de 25 mil pessoas.

Foto Daniel Neves

Com conceito próprio, a Aya Acessórios mostra como vender semijoias e gerar conexões a partir da identidade do negócio

Por Sandrinha Flávia, jornalista, locutora e apresentadora

Semijoias  únicas e atemporais desenvolvidas  com desenhos e cortes próprios, além de peças em tecidos africanos, associadas ao  couro, pedras naturais e acessórios do fundo do mar como búzios e conchas – essas são as matérias primas que ajudam a formar o conceito da AYA Acessórios, uma marca que traz em seu nome referências da cultura africana e a força ancestral de mãe e filha como sócias.

Em 2015, as criadoras da empresa,  Joana Darc Silva, 63 anos, e  Vitória de Paula Silva (mais conhecida por Vick), 28 anos, perceberem que o mercado da moda afro estava muito voltado para cabelo e roupas. Faltavam os acessórios.

Foi assim que nasceu a AYA Acessórios com o propósito de vestir as pessoas acompanhando o movimento da construção da identidade com peças que remetem à afrobrasilidade.

O nome AYA  parte de um conjunto de ideogramas chamados Adinkra, símbolos que  transmitem ideias, representam provérbios, preservam e transmitem valores do povo akan, que habitava as regiões que hoje compreendem os países de Gana e Costa do Marfim. 

O símbolo chamado AYA é representado por uma samambaia, planta antiga capaz de vingar em ambientes adversos.  Essa simbologia está relacionada à resistência,  perseverança,  desenvoltura,  autonomia  e prosperidade de recursos.

No início da empresa, Vitória fazia faculdade de química industrial, mas migrou para Gestão Pública. Já Joana é formada em Contabilidade e foi gestora de produção. Atuou como manequim por alguns anos. “Esses anos de atuação na moda significam um diferencial na  nossa forma de ver o negócio”, relataram.

Com o ateliê criado em sua própria residência, num espaço pensado especialmente para a produção das peças, as sócias se dividem entre o profissional e a vida familiar. 

Vick fica na parte de sucesso do cliente, mídias sociais, branding e logística; já Joana atua com a produção, busca de fornecedores e no setor financeiro. Quem acompanha a marca percebe o afeto e identidade de mãe e filha manifestados em vários momentos, inclusive nas peças.

Como as peças são únicas e atemporais, as coleções desenvolvidas pelas empresárias fogem de clichês como estação,  gênero ou datas específicas. Um exemplo é a coleção Crioula, pensada a partir dos formatos e significados das Jóias de Crioula, que são o marco inicial da joalheria nacional.

Nesse período de pandemia, as vendas presenciais, por meio de revendedoras e feiras, foram reduzidas. Mas para compensar, Vick e Joana intensificaram as entregas via Correios e pontos de encontros.

Novidades chegando

De acordo com as empresárias, a pandemia se tornou um  momento de aproximação com os clientes gerando  uma troca de diálogos. Surgiu, então,  a necessidade de reformular a marca e trazer a identidade e a qualidade AYA para outros produtos. E, diante disso, a partir do mês de junho, a Aya Acessórios contemplará também o conceito estético que traduz as negritudes e as experiências diaspóricas. Sigam o perfil no instagram para acompanhar as novidades @useayaoficial.

Uma dupla com a missão de ajudar afroempresas a conquistarem seus espaços no mundo digital

À frente da Essência Afro, Marinara Andreza e Miguel Oliveira acreditam que é  possível fomentar o Black Money e emancipar a comunidade por meio de uma comunicação mais empática e humanizada.

Por Sandrinha Flávia – Jornalista, locutora e apresentadora

Foto: Marinara Andreza

Em 2017, os estudantes de publicidade e propaganda Miguel Oliveira e Marinara Andreza se uniram para fazer o Trabalho de Conclusão de Curso  (TCC)sobre o tema “A Representatividade de Pessoas Pretas na Publicidade”. Após um longo período de pesquisa, concluíram que existe uma grande desigualdade racial dentro das agências de publicidade no Brasil, nas propagandas desenvolvidas pelas agências, além de altos números de casos de racismo na história da publicidade.

Esse resultado foi o gatilho para criarem a “Essência Afro”, empresa focada em ajudar afroempreendedores a desenvolverem seus negócios digitais, visando a uma comunicação mais empática e humanizada.

Após se formarem, o projeto ficou adormecido por um período e ambos foram trabalhar em outras empresas, mas a Essência Afro nunca foi esquecida; a dupla  sabia do potencial  do negócio. O sonho de dar cara aos afroempreendimentos mais cedo ou mais tarde iria acontecer.

No final de 2018, não dava mais para esperar. Com o plano de negócio pronto, resolveram  colocar a empresa para funcionar. Atualmente a Essência Afro oferece uma gama de trabalhos essenciais para empresas que buscam ingressar no mercado digital. “A empresa é dividida em duas grandes áreas: Marketing Digital e Design. Na área do Design, desenvolvemos design para redes sociais, brand design, layout de sites, campanhas, impressos e embalagens. Na área de Marketing Digital, fazemos gerenciamento das redes sociais, lançamento de infoprodutos, campanhas e estratégias de marketing”, disse Marinara.

Em 2020, a pandemia da COVID19 trouxe algumas perdas para a empresa, mas nada estagnou o projeto. Marinara e Miguel relatam que no início veio um medinho, mas logo perceberam que estavam no caminho certo. “O digital e sua evolução é a chave para a transformação do mundo, foi um período de aprendizado, estamos cautelosos e estratégicos, felizmente estamos fechando 2020 muito bem, apesar de ter sido um ano tão triste para todos nós”, acrescentou.

Para os empreendedores que buscam ter visibilidade marcante e positiva na Internet, a dupla ressalta que o primeiro passo é transformar a sua metodologia de trabalho e entender que a comunicação vem mudando constantemente e que é preciso  atualização.

Foto: Miguel Oliveira

Quando a escassez de alimentação saudável é o combustível para empreender e inovar: conheça a Tapioca D’Lu

Por Sandrinha Flávia

Maria de Lourdes de Sousa Silva, 42 anos, mais conhecida como Lu Silva é apaixonada por alimentação saudável. Para suprir as suas próprias necessidades e incentivar as pessoas a se alimentarem melhor, resolveu investir em um negócio próprio, a Tapioca D’Lu. Com um cardápio variado em sabores doces e salgados, vegano e vegetariano, a empresa se diferencia no modo de preparo: a fabricação é auto-sustentável e os produtos utilizados são  agroecológicos.

Lu Silva sempre teve uma vida movimentada, envolvida em trabalhos com projetos sociais, eventos, participações em palestras e cursos. Sua maior dificuldade, conforme frisa era na hora da alimentação. Vegana e adepta ao estilo de vida saudável, tinha dificuldades para encontrar   uma alimentação que a agradasse nos intervalos das atividades. “O jeito era comer o que tinha, mas sempre passava mal”, explica.

Em 2016, uma amiga a convidou para fazer tapioca em uma festa de temática baiana. Naquela época, Lu Silva já tinha habilidades como cozinheira, pois já exercia essa profissão em casa de família. O convite foi aceito, mas Lu não sabia nada sobre o mercado de tapiocas, era tudo uma novidade para ela. Por isso teve que virar noites pesquisando. Ao sentir segurança, investiu 500 reais no negócio para comprar a chapa, o aro e outros produtos necessários. No dia do evento, as vendas foram um sucesso e foi assim que nasceu a Tapioca D’Lu, um projeto que comungava com o seu estilo de vida saudável.

Quando ainda era criança, sua mãe Matutina da Cruz, uma lavadeira, e seu pai, Expedito Cândido, agricultor, e os sete irmãos, migraram da zona rural para a cidade de Santa Luzia(MG). Aos 12 anos, Lu Silva foi trabalhar como empregada doméstica. Na primeira oportunidade que teve,  se matriculou em um curso de dança afro e logo conseguiu uma autorização para dar aulas, mas o trabalho como professora de dança não era suficiente para bancar as suas despesas, então optou conciliar as atividades com o trabalho de doméstica e faxineira. Como gostava de arte e cultura, praticava também capoeira e fazia artesanato.

Mãe solo de duas meninas, Lu Silva conta com a ajuda de uma das filhas, Iamirrany, e do genro, Rubens, na fabricação das tapiocas. Quando precisa de reforço, aciona os parentes e amigos. No início, as vendas não eram tão satisfatórias, mas nunca desistiu.  Continuou investindo em conhecimento, fez curso de manipulação de alimentos pela PUC- Minas e prefeitura de BH, estudou Pequenos Negócios, Microempreendedorismo e Gestão Financeira.

Uma das preocupações da empreendedora era com o uso da farinha industrializada. O gosto do catupiry também não era do seu agrado. Após pesquisar, encontrou um jeito de aprimorar os produtos. Hoje a farinha usada não é de goma, nem de polvilho, é feita de fécula de mandioca; o catupiry foi substituído por creme de queijo. Quando lhe sobra tempo, é ela quem faz a carne de sol, e no lugar da nutella investiu em ganache de chocolate. O coco é ralado na empresa e o morango em calda, ou seja, tudo é natural.  

Mesmo enfrentando dificuldades para encontrar insumos ecológicos para a produção, a empresária não abre mão do propósito do negócio:ser autossustentável, utilizar produtos agroecológicos e fazer compostagem de todo insumo usado.

A tapioca é, sem dúvida, o carro chefe da empresa, mas o cardápio inclui também lanches diversos, sucos naturais, tropeiro tradicional e vegetariano. “Tudo é feito sem conservantes e respeitando o meio ambiente. Eu uso muito alho, limão, tempero baiano, mistura de ervas e óleo de coco visando à sustentabilidade”, diz Lu. A empresa oferece  também coffee Break e atende camarim.

Foto: Cecília Pederzoli

Engajada nas pautas da alimentação saudável, Lu se tornou vice-coordenadora da Rede de Alimentação da Economia Solidária, projeto que tem como objetivo incentivar a rede de empreendedores sobre a importância da alimentação saudável. Com o trabalho cada vez mais reconhecido, em 2019, a Tapioca D´Lu foi convidada a participar do selo Estômago da Lagoinha, projeto idealizado pelo chefe Miller e formado por dez estabelecimentos do bairro Lagoinha(BH).“Estou animada com o crescimento da empresa. Fico feliz quando vejo o cliente dá aquela primeira mordida, fico ansiosa pra ver a cara da pessoa. Estou muito satisfeita com o retorno dos clientes; é esse o objetivo que eu queria almejar e consegui”, finaliza.

Sandrinha Flávia é jornalista, locutora, editora e mestra de cerimônias.

Loja Colaborativa no Pelourinho reúne marcas afroempreendedoras

Por Sandrinha Flávia, jornalista, locutora, editora e mestra de cerimônias

Empreender, dar visibilidadeaos profissionais negros e valorizar as marcas que criam seus produtos inspiradas na cultura negra são algumas das premissas da Loja Negros Solidários. Localizada em um dos roteiros turísticos mais procurados do Brasil, o Pelourinho, centro histórico da cidade de Salvador(BA), o espaço que funciona como uma loja colaborativa conta com trinta marcas afroempreendedoras.

O projeto surgiu em julho de 2018 quando foi realizada a Feira Negros Solidários.  Após o evento, o Coletivo de Entidades Negras(CEN), entidade idealizadora do projeto, criou a loja em sua própria sede para que a feira não ficasse marcada apenas no tempo e depois sumisse. A loja Negros Solidários é a continuação da feira, só que agora em um ponto fixo.

No início eram 16 marcas, esse número foi crescendo e hoje já são trinta empreendimentos que dividem o espaço oferecendo moda masculina, feminina, cosméticos, acessórios religiosos, brochuras, papelaria, bolsas etc. Em média, setecentas pessoas visitam a loja em busca de produtos com identidade negra.

Yuri Silva, coordenador Geral do CEN, explica que a missão da loja é inverter o debate sobre o racismo. “Queremos discutir o acesso do povo negro ao dinheiro, em vez de focarmos nas nossas mazelas. Precisamos incentivar que  povos negros acessem riquezas, sejam empresários, dominem mercados que historicamente são brancos, eurocêntricos e racistas”, diz.

Para conseguir um espaço na loja, o empreendedor/a precisa ser negro e produzir algo da cultura negra. O espaço funciona em sistema de plantões de turnos. Cada empreendedor/a fica dois turnos por mês no atendimento aos clientes. Eles também realizam o pagamento de uma taxa fixa por mês, como explica Yuri,“Atualmente o empreendedor paga uma taxa de manutenção de R$ 25 para o custeio de despesas. No começo, quando tínhamos um edital para realização da feira, a permanência era gratuita. Mas essa cobrança também acaba por trazer mais responsabilidades para os empreendedores, que ficam mais comprometidos”.

A empreendedora e criadora da marca Asha Bio, Ashanti Elesbão, comercializa, na loja, cosméticos naturais e artesanais. Segundo ela, o fato de a proposta do espaço ser pensada e formatada para pequenos empreendimentos negros fez com que Ashanti aderisse ao projeto, “As vantagens são muitas como  local fixo para comercialização, bem localizado, pois estamos no Pelourinho, custo baixo e rentável, oportunidade de aprendizado pela convivência entre nós, fortalecimento da nossa autoestima enquanto empreendedores e pessoas e o apoio de um Coletivo com anos de experiência”.

A Loja Negros Solidários funciona de segunda a sábado, das 9h às 18h. E na alta estação, abre também aos domingos. O endereço é Rua das laranjeiras, 25, Pelourinho, Salvador (BA). O instagram é @lojanegrossolidarios.

No espaço você encontrará as seguintes marcas: Alagbedé, Aondê Artes, Asha Bio, Bença Vó, Bixa Costura, Black Atitude, Black Pim, Candaces, Cantinho da África, Chica Ferreira, Concrochê, Fáfa – Fotografia e Resgate Ancestral, Goró Poético, Jack Diva Black, Me Deixe, Mia Fia Bolsas, Moça Preta, Ofánish, Omi O, Ouromim, Preta Brasil, Tecnorgânics, Tons da Terra, Vista Realeza, Bayo Moda Afro, Raízes de Fé, Inlé Orixá Artes em Jóias, Lulis Acessórios e Pele Preta.

Loja Negros Solidários no Pelourinho, Salvador, Bahia. Foto: Thiago Conceição