A edição comemorativa de 30 anos do FAN BH parte do conceito de tempo espiralar, formulado pela filósofa, dramaturga e ensaísta Leda Maria Martins, que propõe uma leitura do tempo como movimento circular, não-linear e dinâmico. Em sua obra A cena em sombras (1995), Martins afirma que o tempo espiralar “não progride, ele se curva, retorna e se redimensiona”, convocando uma percepção que transcende a linearidade histórica ocidental e reinscreve o corpo negro como portador de uma temporalidade própria, diaspórica e ritualística.