Categoria

Artes Visuais

A cultura da diversidade na fotografia

Por Well Mendes – Jornalista

Sabemos que é importante ter diversidade e participação representativa e legítima para pessoas negras em todas as esferas – dos espaços do poder público às telas de cinema. Porém, se você olhar ao redor vai perceber que estamos rodeados por imagens.

A quantidade de imagens às quais somos expostas diariamente reforça a importância das narrativas imagéticas nas concepções que criamos desde pequenos.

Essas imagens tentam fazer uma construção de mundo através do registro visual, retratando em apenas um quadro a realidade do assunto que se propõem a abordar. Além disso, muitas fotografias são usadas como guias para nos ajudar a entender o passado e a resgatar a história, a memória e a tradição.

Ao fazermos um recorte sobre as imagens que são produzidas sobre pessoas negras, é necessário refletir sobre o que está sendo produzido e sobre a forma com as narrativas sobre essas pessoas são feitas.

Por muito tempo, os debates sobre representação e protagonismo se reservavam aos movimentos sociais que lutaram para reverter um histórico de representações deturpadas sobre grupos diversos. Agora, com uma abertura maior para a discussão em esferas onde a forma de representar ainda não havia sido discutida, outros debates surgem como a questão de quem pode falar sobre quem e sobre o lugar de fala nas produções artísticas.

Precisamos pensar nas realidades que criamos ao fotografar e reproduzir imagens para não cometermos o erro milenar de excluir realidades distintas de uma sociedade diversa e mal representada.

Precisamos reconstruir o imaginário popular para quebrar alguns estigmas e mover estruturas ao registrar fotografias que contem histórias emancipadoras e plurais. Precisamos fomentar o protagonismo e a participação de pessoas negras em narrativas negras.

Foto: Well Mendes

Amazônia, resistência e descobertas

Jaycelene Brasil – Acreana, Socióloga e Feminista Interseccional

Foto: Marcela Bonfim

O processo imigratório da fotógrafa paulista, formada em economia pela PUC-SP, Marcela Bonfim, para a Amazônia Rondoniense, em fevereiro de 2010, em busca do primeiro emprego, dialoga com muitas histórias de outras mulheres negras.

Ela conta que nunca foi de ter objetivos, mas sempre exercitou o fazer, movida por impulsos, a exemplo de quando recebeu a proposta do pai de uma amiga para trabalhar na sua financeira e no mês seguinte estava chegando numa terra desconhecida.

Não demorou muito para perceber o novo território, nas suas diversas facetas e ao longo de quatro anos captou imagens e não sabia o que fazer com elas.

Os verbos experimentar, sentir e refletir estão intrínsecos no cotidiano da artista visual, principalmente desde que pariu um de seus principais trabalhos há dois anos, a Mostra fotográfica “Amazônia Negra”, parte do projeto “(Re)” conhecendo a Amazônia Negra, povos, costumes e influências negras na floresta, tido como um instrumento de militância política das Artes visuais porque reverbera as memórias da população negra amazônica, fruto de uma pesquisa iniciada em 2012.

Marcela Imiscuiu-se no território amazônico e, por meio de imagens impressas, deu visibilidade a uma população batizada e reconhecida antes com outras identidades que não eram nomeadas como negras.

Ao mesmo tempo em que a artista avalia que se (Re) conhecer negra na Amazônia a fez uma aprendiz dela mesma, passou a caber no mundo como mulher negra, juntamente com um trabalho fotográfico extraordinário que tomou corpo, tem voz e agora brilha por todo o Brasil.