Artes Visuais > A africa tradicional e contemporânea se conectam na obra de Jorge Dias.

A africa tradicional e contemporânea se conectam na obra de Jorge Dias.

  Por Maria Luiza Viana, Professora Adjunta no Curso de Design. Pesquisadora de temas voltados para as relações entre arte, design, arquitetura e cultura urbana. Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais

Série: Trabalho sobre a terra – Técnica: Acrílico e colagem de tecido e madeira s/ cartão e papel espuma
91 x 64 cm  – 2024

Jorge Dias nasceu em Maputo, Moçambique, em 1972. Formou-se em Cerâmica na Escola Nacional de Artes Visuais em Maputo em 1992 e, entre 1997 e 2002, graduou-se em Escultura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil. Retorna a Moçambique em 2003 e funda, juntamente com outros artistas, o MUVART – Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique.

Jorge realizou exposições individuais em diversas instituições entre as quais se destacam: Museu Nacional de Arte em Maputo, 2005; Centro Cultural de Lagos, Portugal, 2005; Centro Cultural Franco-Moçambicano, Maputo, 2007 e 2015; Centro Cultural Português, Maputo, 2010; Espaço Fundação PLMJ, Portugal, 2012; Mediateca BCI, Maputo, 2014.

Participou de exposições coletivas como: Réplica e Rebeldia em Moçambique, Brasil, Cabo Verde, Angola, 2007; Lisboa-Luanda-Maputo, Lisboa, Portugal, 2007; Anganza África Londres/Reino Unido, 2008; Bienal de São Tomé e Príncipe, 2008; Africa Now em Washington DC/EUA, 2009; África 2.0, Portugal, 2012; Processos, Maputo, 2013; Estado das Coisas, Berlim e Um urbanista da memória, Brasil, 2022. Foi curador no Museu Nacional de Arte de 2006 a 2010, diretor da Escola Nacional de Artes Visuais entre 2010 e 2017 e diretor adjunto do Museu Nacional de Arte em 2017.

Atualmente é diretor  do Instituto Guimarães Rosa e docente na Escola Nacional de Artes Visuais, em Maputo. O trabalho de Jorge Dias concatena-se a temas universais da arte contemporânea, colocando em questão a diversidade dos processos de criação, as materialidades e a força expressiva dos objetos do cotidiano. Na recente exposição em Maputo em 2025, fico a ver o lá daqui, o artista parte das capulanas como suporte que recortadas, remontadas com outros objetos, retomam a iconografia clássica africana e ganham reinterpretações que evocam a tradição, a simultaneidade das identidades coletivas e a valores culturais universais e que transpassam as fronteiras dos continentes.

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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