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Escrevivências premiadas no exterior

A tradução francesa do livro “Olhos d’Água”, da escritora mineira Conceição Evaristo, recebeu o Prêmio de Obra Poética da Academia Claudine de Tencin. O livro foi publicado no país europeu pela Editions des Femmes, com tradução de Izabella Borges. No Brasil, a coletânea de contos foi publicada em 2014 pela editora Pallas, trazendo a história de personagens marcantes como Duzu-Querença, Natalina, Salinda, Luamanda, Cida, Zaíta, Maíta, entre outras. Celebrada pelo Prêmio Jabuti em 2019 como personalidade do ano, Conceição Evaristo tem outras obras publicadas no exterior, entre elas sua publicação mais celebrada, “Ponciá Vicêncio” (2003), que foi lançada nos Estados Unidos, pela Host Publications e, na França, pela Anacaona. Já “Becos da Memória” (2006) virou “Banzo, mémoires de la favela”, também lançado na França.

Foto: Conceição Evaristo – Crédito: Lis Pedreira

Prêmio Camões

A escritora moçambicana Paulina Chiziane é a primeira mulher africana a ganhar o Prêmio Camões, em 2021. Reconhecido como a mais importante premiação literária da língua portuguesa, ele contempla anualmente autores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, pelo conjunto de sua obra. A comissão julgadora é composta por representantes do Brasil, de Portugal e de países africanos de língua oficial portuguesa. A autora moçambicana é reconhecida como uma das pioneiras na literatura em seu país. Seu livro “Balada de amor ao vento”, de 1990, é tido como o primeiro romance publicado por uma mulher no país. “Niketche: Uma História de Poligamia” é seu título mais conhecido, e considerado um clássico da literatura em português, com edição publicada recentemente pela Cia. das Letras.  Sua obra também contém exemplares de contos e ensaios, como “As Andorinhas” e “Tenta!”, publicado pela editora mineira Nandyala, e “O Alegre Canto da Perdiz”, pela Dublinense.

Foto: Paulina Chiziane – Crédito Otávio de Souza

Ciranda do Nordeste 

A Ciranda do Nordeste foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), fazendo com que o país passe a ter 50 bens registrados como patrimônio imaterial. A Ciranda do Nordeste é uma manifestação cultural que une música e poesia para embalar uma dança de roda, elemento central de sua expressão.  Possui singularidades estéticas, poéticas e musicais que a diferenciam de outras modalidades de cirandas praticadas no Brasil como o baile popular de Paraty. A Ciranda está rodeada de significados que envolvem o balanço do mar, os ciclos da vida e as brincadeiras de criança. Na roda de ciranda, são trazidos à tona sentimentos de celebração e pertencimento a um lugar e a uma história, seja das cirandas à beira mar, seja das noites de festa nos engenhos da Zona da Mata Norte de Pernambuco (composta por 19 municípios do estado). A cirandeira pernambucana Lia de Itamaracá celebrou o título em post em suas redes sociais “Agradeço a todos que apoiaram e divulgaram o brinquedo da Ciranda. Na minha Ciranda, tem muitas mãos que ajudaram no reconhecimento do nosso trabalho”, destacou a artista. 

Foto: Lia de Itamaracá – crédito: Ytallo Barreto/Divulgação Secult-PE

Mestres dos Saberes Tradicionais recebem título da UFMG

Sueli Maxakali, Joelson Ferreira de Oliveira e Dirceu Ferreira Sérgio receberam o Título de Notório Saber na reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em setembro de 2021. Sueli Maxakali, educadora, cineasta, escritora e liderança da Aldeia Verde (MG), recebeu o título de Doutora em Letras: Estudos Literários. Joelson Ferreira de Oliveira, agricultor, liderança do Assentamento Terra Vista (BA) e da Teia dos Povos, recebeu o título de Doutor em Arquitetura e Urbanismo. Dirceu Ferreira Sérgio, capitão regente da Guarda de Moçambique da Irmandade do Quilombo Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis (MG), recebeu o título de Doutor em Estudos do Lazer. A concessão do título de Notório Saber foi regulamentada pela Resolução Complementar do Conselho Universitário n. 01/2020, de maio de 2020, e é dada para pessoas com alta qualificação, cuja contribuição seja relevante para sociedade. O Notório Saber atribuirá titulação acadêmica em nível de doutorado a detentores de saberes acadêmicos, científicos, artísticos e culturais, já presentes na Universidade, e de tradições indígenas, afro-brasileiras, quilombolas e outras oriundas das culturas populares. O gesto descolonizador é um importante reconhecimento dos saberes tradicionais e fortalece a políticas de inclusão que abre a universidade aos modos de vida, de criação e de pensamento não-eurocêntricos.

Foto: Ricardo Laf

Mano a mano

O rapper Mano Brown lançou o podcast “Mano a mano”, original do Spotify, figurando já na semana de estreia entre os mais ouvidos da plataforma. Lançado em agosto, a proposta é que sejam 16 episódios que vão ao ar sempre às quintas-feiras na plataforma em que o MC conversa com personalidades de diferentes cenários, passando pelo esporte, a política, a música e a religião. De acordo com Brown, a proposta é ampliar a visão e o debate trazendo diversidade de ideias e pensamentos com profundidade e respeito. Entre os participantes que já passaram pelos estúdios do rapper estão Karol Conká, Lula, Drauzio Varella, Leci Brandão, entre outros.

FAN BH

A 11ª edição do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte – FAN BH aconteceu em dezembro e, pela primeira vez, em formato híbrido, reunindo atividades presenciais e virtuais. O FAN BH 2021 parte das conexões culturais entre Brasil e África, mais especificamente das influências da cultura bantu na formação da identidade brasileira e suas relações com Minas Gerais. Esta edição destacou o desejo de aproximação – através dos encontros, reflexões, trocas de experiências, de afetos – a partir de processos criativos colaborativos que se darão durante o festival. A programação foi gratuita e abriu espaço para apresentação de artistas, grupos e coletivos das mais diversas áreas artísticas como artes cênicas, artes visuais, artes integradas, audiovisual, cultura popular, cultura urbana, literatura e música.

Foto: 10ª edição do FANBH – Crédito Pâmela Bernardo

Selo Katuka Edições

A Katuka Africanidades é um empreendimento, situado em Salvador-Bahia, que promove inscrições e mobilizações de culturas e identidades negras, através da moda, arte e literatura. O Selo Katuka Edições, da Katuka Africanidades e da Editora Devires, criado em 2020, é um projeto editorial que tem como objetivo publicar obras literárias e acadêmico-científicas de autoras (es) de Áfricas e das diásporas, compreendendo as seguintes coleções: Literaturas; Literaturas Infanto-juvenis; e Pensamentos Insurgentes.

O Selo Katuka Edições apresenta-se como uma potência editorial, nacional e internacional. Em 2021, já publicou Águas – Moradas de Memórias (Crítica Literária), de Ana Rita Santiago (Brasil); Desassossegos & Acalantos – Microcontos, de Vera Duarte (Cabo Verde); E assim, Teço Amanhãs (Poemas), de Jairo Pinto (Brasil); Xiluva – Partida de uma Flor (Poemas), de Mel Matsinhe (Moçambique). Em breve, lançará A Religiosidade no Conto Moçambicano – teoria, história e crítica, de Alberto José Mathe (Mocambique); O Amor à Deriva, organizado por Lourdes Reis Brito e Ana Rita Santiago; e Águas Cristalinas, de João Baptista (Moçambique). 

Intercâmbio Cultural

O Palco Hip Hop é um dos principais festivais que agrega diferentes linguagens artísticas da cultura Hip Hop no país. Em 2021, celebra seus 10 anos e, ao longo de sua história, reuniu nomes de destaque nacional e internacional. Um deles é o da artista francesa Daybe Dee, uma das mais respeitadas dançarinas, coreógrafas e DJs no mundo que integrou a programação do evento em 2019 com uma apresentação artística, bate-papo, discotecagem e workshop de Hip Hop dance 90.

A vinda da artista para o país foi viabilizada pela Embaixada Francesa, em Belo Horizonte, parceira da edição do evento, que apoia diversas iniciativas que permitem o intercâmbio cultural entre Brasil e França. “Possibilitar o intercâmbio cultural com uma artista francesa como a Day Dee é muito rico para o projeto. Um público, em sua grande maioria de pessoas negras, periféricas, tem poucas oportunidades de participar de intercâmbios, dentro da programação gratuita do festival, de contactar artistas internacionais para poder trocar ideias, realizar workshop, bater papo.

Ter  uma discotecagem da Daybee, mais uma apresentação da artista no festival a preço popular é de extrema relevância para a cultura dos dois países”, celebra Victor Magalhães, gestor e produtor cultural, coordenador geral Palco Hip Hop. Durante a pandemia, o festival segue movimentando a cena com programações virtuais. Mais informações e programação estão disponíveis em: fb.com/palcohiphop.

Foto – Pablo Bernardo

Ismael Ivo

São imensuráveis as perdas que a Covid-19 tem feito no mundo. Entre as vítimas da doença está o bailarino, diretor e coreógrafo Ismael Ivo, que faleceu em abril de 2021, aos 66 anos de idade.

O artista, nascido na Vila Ema, em São Paulo, marcou o cenário da dança contemporânea nacional e internacional, trabalhou por mais de 30 anos no exterior, tendo se consagrado como curador e diretor na Bienal de Veneza e como diretor da Companhia de Dança do Teatro Nacional Alemão.

Ivo se encontrava na direção artística do Balé da Cidade de São Paulo desde 2017, sendo o primeiro negro a ocupar o cargo. Em sua homenagem, o Governo de São Paulo criará a SP Escola de Dança Ismael Ivo, na qual o bailarino estava à frente dos projetos de sua concepção.

A nova instituição irá oferecer formação técnica e artística com foco 100% na formação e na capacitação de profissionais em coreografia e performance. Com previsão para início das atividades no começo de 2022, a escola terá cursos regulares na área de dança para 400 alunos e de extensão para cerca 1,5 mil.  A sede será no terceiro andar do Complexo Júlio Prestes, localizado no centro de São Paulo. As obras, que já foram iniciadas, terão um custo total de R$3,5 milhões.

Foto – Acervo São Paulo Companhia de Dança

Patrimônio Imaterial

O primeiro passo para o reconhecimento dos Reinados e Congados de Minas Gerais como patrimônio cultural imaterial do Estado foi dado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG). Atendendo a pedidos das comunidades congadeiras, prefeituras, pesquisadores e associação da sociedade civil, o instituto está fazendo o cadastramento de grupos de Congados e Reinados de Minas Gerais na  busca de assegurar a importância para este bem cultural ímpar da identidade e cultura dos mineiros.

O mapeamento tem como objetivo identificar a localização, as formas de organização, a diversidade de cargos e funções, as indumentárias, instrumentos musicais, calendários festivos, dentre outros, bem como levantar informações sobre as dificuldades relacionadas à manutenção dos grupos visando a salvaguarda desse bem cultural. Para participar do cadastro, os grupos deverão preencher um formulário on-line disponível no site www.iepha.mg.gov.br.

Foto Ilustrativa Mestres da Cultura Popular CRCPLN

Foto_Ricardo Laf