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Elza Soares será cidadã honorária de Belo Horizonte

“O meu país é meu lugar de fala”. Os versos de Elza Soares, na música “O Que Se Cala”, pode retratar, também, a trajetória de destaque da cantora que emprestou a sua voz para muitas mulheres, para o movimento negro e para a arte brasileira. O seu ritmo emociona milhões de pessoas, inclusive em Minas Gerais. Como forma de agradecimento, a Câmara Municipal vai homenageá-la com o título de cidadã honorária de Belo Horizonte no dia 10 de maio, às 19h30, por indicação do vereador Gilson Reis (PCdoB).

Filha de pais mineiros, Elza Soares tem relação íntima com o estado e com a capital mineira. “Eu estou realmente muito emocionada, este título de cidadã honorária me deixa vingada. Minha família é toda mineira, como é que não fico contente? Uai, diz pra mim? Estou muito feliz, não sei como será no dia, aí eu vou chorar”, brinca a ícone da música brasileira.

Elza Soares foi eleita pela BBC a melhor cantora do milênio e é referência na luta contra o preconceito e pelo respeito. “É muita honra homenagear essa grande guerreira, tem uma trajetória de vida sofrida e vitoriosa. Ela é exemplo para todos nós. Elza Soares é cidadã do mundo”, afirma Gilson Reis.

A reunião solene, aberta ao público, vai reunir centenas de artistas e personalidades mineiras na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Entrega de título de Cidadã Honorária de Belo Horizonte a cantora Elza Soares
Data: 10 de maio
Horário: 19h30
Local: Plenário Amynthas de Barros, na Câmara Municipal de Belo Horizonte

Elza Soares em show na Virada Cultural 2016 – Foto Mariane Botelho/Divulgação
Exibição do filme Vaga Carne, de Grace Passô e Ricardo Alves Jr, na abertura da mostra. Foto Léo Lara / Universo produção

Mostra de Cinema de Tiradentes traz novas construções simbólicas de corpos negros no cinema

Por Naiara Rodrigues

Pensar o corpo como uma potência social e política. Esta é a proposta da 22ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, que com tema “Corpos Adiante” busca valorizar sua presença física nas salas de cinema, nos espaços públicos, e vislumbrar possibilidades de futuro. Uma das curadoras desta edição da mostra é a Tatiana Carvalho Costa, pesquisadora, realizadora audiovisual e professora no curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário Una, em Belo Horizonte, onde coordena o projeto de Pretança. Uma das responsáveis pela seleção dos curtas, ela está pela primeira vez na curadoria do festival e acredita que o mote escolhido neste ano diz muito de uma noção de temporalidade que a filosofia africana ajuda a refletir: o tempo espiralar. Esta lógica não segue necessariamente um tempo linear. O entendimento de passado, presente e futuro pode ser revisto, e acontecerem de forma simultânea a medida que a vertente defende que o tempo é habitado por espectros que vão e que vêm. E é por meio deste olhar que a curadora enxerga o reacionismo que vivemos nos dias de hoje.

“O cinema lida muito bem com isso, ao fazer encarnar os espectros do tempo espiralar para que a gente possa lidar com eles. Vivemos hoje uma pulsação e um conflito deles. Não é a toa que temos uma onda conservadora: espectros do passado, ou da ideia que temos de passado, tentando encarnar num conflito muito forte com outras forças que se colocam”, destacou Tatiana durante um debate sobre a temática deste ano.

Para ela, um destes espectros é o apagamento da presença de pessoas negras e trans no cinema, o que diz de uma construção subjetiva em cima de estereótipos que não condizem com a realidade destes corpos. “O cinema nos constrói simbolicamente como ficção, e uma ficção muito limitada, com poucos lugares possíveis para os nossos corpos negros. Fico muito feliz com o conjunto de filmes selecionados para a mostra, em especial dos curtas, que vão fazer novas modulações para eles, e inventar possibilidades com a potência que o cinema nos coloca. Ao mesmo tempo em que denuncia e expõe esta história de apagamento, este conjunto de realizadores também constrói outras possibilidades de ser com o cinema, provocando o próprio universo cinematográfico a se repensar”, explicou.

 

Tatiana Carvalho durante sua fala no debate Corpos Adiante: perspectivas das curadorias, na 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes – Foto Beto Staino/Universo Produção

 

Lidar com este apagamento é necessário. Pela primeira vez na história da mostra, foi solicitado a declaração de gênero e raça para as inscrições dos filmes. A iniciativa é essencial para que seja possível obter dados que auxiliem na criação de um panorama sobre a diversidade nas produções do cinema brasileiro.  

Um dos poucos levantamentos existentes foi o realizado pela Agência Nacional do Cinema – ANCINE tendo como base os 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição no ano de 2016. A pesquisa mostrou que deste número 75,4% dos longas tiveram à frente de sua direção homens brancos, 19,7% mulheres brancas, enquanto apenas 2,1% foram dirigidos por homens negros. Nenhum filme em 2016 foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra.

Foram poucas as cineastas que conseguiram estrear nas salas do país ao longo da história. Nos últimos dois anos, entre os nomes fizeram exceção a esta regra figuram Camila Moraes, com O caso do Homem Errado (2017), e Glenda Nicácio que dividiu com Ary Rosa, a direção do Café com Canela (2017), parceria que repete em seu novo longa, Ilha (2018), exibido este ano pela mostra. A atriz Camila Pitanga também estreou recentemente como diretora ao assinar junto de Beto Brant o documentário sobre a vida de seu pai, Pitanga (2016), que foi exibido no circuito comercial em abril de 2017.

Do total de 806 filmes inscritos para a 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes, 181 tinham ao menos uma pessoa negra na direção. “É um número muito significativo se a gente pensar nos poucos levantamentos que existem neste sentido, mas ao mesmo tempo é baixo se levarmos em conta que somos mais da metade da população” destacou a curadora.

Para Tatiana, o crescimento da presença negra no cinema vem de duas décadas de políticas públicas, que não só possibilitam o acesso – seja a educação ou por editais de fomentos que preocupam com questões de gênero e raça – mas também reconhecem uma ideia de público consumidor negro. “Isso cria um certo estado de coisas que esta onda conservadora não suporta. Vivemos um colapso do capitalismo periférico, desta colonialidade brasileira, a partir de corpos que se impõem na arena pública”, ressalta Tatiana.

Dos 78 curta-metragens selecionados, 23  diretores se autodeclararam pretos ou pardos. Os filmes mostram uma heterogeneidade dentro de uma ideia de negritude indo contra um pensamento imposto pelo colonialismo que colocam negros e brancos como grupos homogêneos. “Nos tratar como corpos iguais é um gesto muito colonizado. Estes filmes vão se contrapor a isto não só com formas diversas de dizer da experiência de corpos negros no mundo, mas também por trazer pessoas negras sem querer dizer de negritude – também podemos dizer de outras coisas”, destacou a curadora.

Apesar da inclusão da autodeclaração no formulário de inscrição de obras para o festival, muitos produtores optaram por emitir este dado. Entre os longas inscritos neste ano, por exemplo, 25% dos realizadores não declararam raça ou gênero, sendo a maior parte dele nomes masculinos.

Mesa com curadores debateu o tema escolhido para a 22ª edição da mostra. Foto Beto Staino/Universo Produção

Confira oito filmes que perpassam por questões raciais ou da diáspora negra, que estão na programação da Mostra de Cinema de Tiradentes:

 

NoirBlue – Deslocamentos de uma dança

NoirBlue – Foto: Divulgação

DOCUMENTÁRIO, COLORIDO, DIGITAL, 27 MIN, 2018

Direção: Ana Pi

Sinopse:  No continente africano, Ana Pi se reconecta às suas origens através do gesto coreográfico, engajando-se num experimento espaço-temporal que une o movimento tradicional ao contemporâneo. Em uma dança de fertilidade e de cura, a pele negra sob o véu azul se integra ao espaço, reencenando formas e cores que evocam a ancestralidade, o pertencimento, a resistência e o sentimento de liberdade. (por Siomara Farias / FestCURTASBH 2018)

 

Liberdade

DOCUMENTÁRIO, COLORIDO, DCP, 25 MIN, 2018

Direção: Pedro Nishi e Vinícius Silva

Sinopse: Abou é um artista guineense que vive com outros imigrantes africanos em uma pensão no bairro da Liberdade em São Paulo. Entre eles, vive Satsuke, uma mulher japonesa misteriosa que parece estar na casa a muitas décadas. Sow, um jovem guineense, está tentando chegar na casa para começar uma vida no Brasil, mas fica preso na imigração no aeroporto. Vidas estrangeiras habitam o bairro da Liberdade, um lugar de passado sombrio.

 

BUP

EXPERIMENTAL, COLORIDO, DCP, 7 MIN, 2018

Direção: Dandara de Morais

Sinopse: Um tributo ao silêncio. Olá, ansiedade! Bup é a ausência do silêncio. Uma tragicomédia em ritmo frenético sobre a presença da angústia, incômoda insegurança e constante inquietude. Que pena que saí do útero.

 

Mesmo com tanta agonia

FICÇÃO, COLORIDO, DCP, 19 MIN, 2018
Direção: Alice Andrade Drummond

Sinopse: É aniversário da filha de Maria. No trajeto do trabalho para a festa, ela fica presa no trem, em função de uma pessoa caída acidentalmente sob os trilhos.

 

Antes de ontem

Antes de ontem – Foto Divulgação

DOCUMENTÁRIO, COLORIDO, DIGITAL, 6 MIN, 2018

Direção: Caio Franco

Sinopse: Algumas pessoas ainda não sabem quem são.

 

Negrum3

Negrum3 – Foto Divulgação

DOCUMENTÁRIO, COLORIDO, DCP, 22 MIN, 2018

Direção: Diego Paulino

Sinopse: Entre melanina e planetas longínquos, NEGRUM3 propõe um mergulho na caminhada de jovens negros da cidade de São Paulo. Um ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora.

 

Perpétuo

FICÇÃO, COLORIDO, DCP, 25 MIN, 2018

Direção: Lorran Dias

Sinopse: Silvia e Alex voltam a morar juntos. Vida em movimento na diáspora brasileira.

Exibição de Vaga Carne e homenagem a Grace Passô abrem 22a Mostra de Cinema de Tiradentes

Por Naiara Rodrigues

A abertura da Mostra de Cinema de Tiradentes nesta sexta-feira, contou com performances em tom político que ressaltaram a força da arte enquanto expressão essencial para humanidade. Sob a temática que rege a 22a edição do festival, “Corpos Adiante”, a noite teve  trilha sonora executada ao vivo pelo Barulhista, e performances de artistas como Elisa Nunes, Gláucia Vendeveld, Nívia Sabino, Rejane Faria e Zora Santos.

Um dos pontos altos foi a entrega do troféu Barroco à homenageada da edição a atriz, dramaturga e diretora, Grace Passô. Ao receber o prêmio a Grace disse esperar que todos se sentissem também homenageados. Ela também destacou a importância da escolha do tema da edição no momento vivido pelo país. “É necessário estarmos atentos, nos responsabilizar não só através de palavras, mas de gestos, de governos se resposabilizarem por festivais como este, por uma arte que é um chão existencial. Não se vive sem arte, estamos num momento em que o cinema e a arte brasileira precisam entender a pontências de muitos corpos, assim como o que eu ocupo, de mulheres negras que produzem, das nossas existências estarem nas telas e sobretudo ter a possibilidade e acesso a arte”, afirmou Passô. Em seguida, Valdete Lima Paes Souza, mãe da artista, que acompanhou a homenagem também falou sobre a felicidade de presenciar aquele momento. “O homem não precisa só comer e dormir, um país sem arte é um país morto” concluiu.

Vaga Carne

Após a homenagem e apresentações de abertura, foi exibido em pré-estreia mundial de Vaga Carne, um média-metragem que é uma recriação do espetáculo homônimo, assinado por Grace e Ricardo Alves Jr. O conteúdo inédito trouxe em uma linguagem audiovisual a narrativa da peça teatral que foi encenada pela primeira vez em 2016, e que também ganhou uma versão literária em 2018, publicada pela editora Javali. A peça foi indicada aos prêmios BRAVO!, APTR, Prêmio Questão de Crítica, Shell RJ, Prêmio Cesgrario, Prêmio Leda Maria Martins, sendo vencedora dos cinco últimos.

O filme retrata a partir da situação de invasão do corpo de uma mulher negra por uma voz estranha, a urgência de reconhecimento deste corpo em relação ao seu lugar de pertencimento. A voz que aos poucos toma a protagonista, também perde a sua projeção sonora a medida em que se reconhece na existência do corpo que ocupou.

9º Prêmio Zumbi de Cultura 2018 celebra Dia Nacional da Consciência Negra em BH

Em comemoração ao Dia da Consciência Negra,  20 de novembro, a Cia Baobá Minas  realiza a 9ª edição do Prêmio Zumbi de Cultura.  Ao todo 11 personalidades negras serão homenageadas em solenidade realizada no Grande Teatro do Sesc Palladium às 19h, com preço popular de R$ 2,00 (dois reais) inteira.

A produção do prêmio recebeu cerca de cento e cinqüenta indicações de nomes relevantes no cenário da militância negra  de várias cidades do Brasil. O Prêmio Zumbi, homenageia  pessoas que se destacam nos campos das artes, política e cultura negra, em Minas e no Brasil. A premiação é distribuída nas seguintes categorias: dança, teatro, música, religiosidade, literatura, educação, manifestação cultural, personalidade negra, menção honrosa, protagonismo juvenil e atuação política.

Na solenidade, atrações como  Conversamba, que reverencia a comunidade da Pedreira Prado Lopes, na Lagoinha, apresenta músicas autorais que abordam a formação do bairro e a valorização do samba na comunidade . Também estará presente Mestre Conga, importante representante do samba de BH.  Afoxé Bandarerê, Edson Babu, Cia Baobá e Carlos Afro também  são atrações da noite.

Confira a lista das personalidades homenageadas que receberam o troféu criado pelo artista plástico Jorge dos Anjos:

Aruana Zambi  – Teatro

Ayana Amorim  – Protagonismo Juvenil

Carlos Alberto dos Santos  (Bar do Cacá) – Personalidade Negra

Divina Siqueira ( Dona Divina) – Menção  Honrosa

Edson Babu  – Educação

Quilombo Irmandade Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis –   Manifestação cultural

José Nilson  Francisco dos Santos – Música

Jozeli Rosa de Souza – Atuação política

Madu Costa  –  Literatura

Madu Santos –  Dança

Ricardo  Moura (Pai Ricardo)  – Religiosidade

 

lll Mostra Conceição Evaristo

Entre os dias 23 e 26 de outubro, o Casarão das Artes promove a lll Mostra
Conceição Evaristo. Uma série de encontros acontecerão em diversos locais. A
Mostra é uma justa homenagem à escritora Conceição Evaristo, exemplo superlativo
do protagonismo da mulher negra, referência internacional por discutir a
discriminação racial, de gênero e classe.

A programação acontece no Sesc Palladium(BH), Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado(BH), Shopping Monte Carmo – Betim, MG.

Confira a programação completa da lll Mostra Conceição Evaristo:

DIA 23


– Apresentação Musical de Ricardo Ulpiano e Rita Silva ( com trechos musicalização
da obra Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo)
– Zaika Dos Santos
– D.Jandira
– Street Dance, com Maíra Mota e Aline Matias
Local: Sesc Palladium(BH) – 19h30
R. Rio de Janeiro, 1046 – Centro

DIA 24


– Leitura de Contos e Poemas da autora, Sonia Soares.
Local: Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado – 15h.

Rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904, bairro Itapoã.

DIA 25


– Homenagem e Palestra – Escrevivência: ler, escrever e se ver – Pareceria com a Feira
Literária de Betim – FLIB
Local: Shopping Monte Carmo – Betim, MG – 19H
Av. Juiz Marco Túlio Isaac, 1119 – Ingá Alto, Betim

DIA 26


– Performance de dança afro, com Ramon Paixão.
– Apresentação musical, com Andreia Roseno
– Debate com Conceição Evaristo, sobre suas escrevivências, com mediação de
Rosália Diogo.
Local: Sesc Palladium, 20h
R. Rio de Janeiro, 1046 – Centro

 

 

NOTÍCIAS

Foto: Divulgação

JEAN-MICHEL BASQUIAT

Está em cartaz no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), de Belo Horizonte, exposição retrospectiva do artista Jean-Michel Basquiat (1960-1988), inédita no país, com mais de 80 quadros, desenhos e gravuras. Ele desenvolveu um estilo novo e expressivo e tornou-se um dos destaques da retomada da pintura figurativa na década de 1980. A obra personifica o caráter de Nova Iorque nos anos 70 e 80, quando a mistura de empolgação e decadência criou um paraíso de criatividade. A mostra segue até 24 de setembro e pode ser vista de quarta a segunda, das 9 às 21 horas, no centro cultural localizado na Praça da Liberdade. A entrada é gratuita.

MAURÍCIO TIZUMBA GANHA BIOGRAFIA

Obra não linear feita a várias mãos, destaca a trajetória do artista mineiro Maurício Tizumba na música, no teatro e no congado. Intitulada “De Camarões: veredas de Maurício Tizumba”, a biografia é uma publicação da Editora Nandyala com pesquisa, entrevistas e projeto editorial assinados por Elias Gibran, Viviane Maroca e Pedro Kalil. O livro foi lançado em agosto, com show do biografado e seu amigo e músico Sérgio Pererê, no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube, e já está disponível para venda. À narrativa sobre a história de vida de Maurício Tizumba, somam-se fotografias, manchetes de jornais que marcaram sua trajetória, letras compostas pelo artista – e uma em parceria, bilhetes que Tizumba ganhava quando cantor de bares, linha do tempo que contempla sua formação, produções, atuações, prêmios; e ainda um mapa, do mundo e do Brasil, que reforça que a arte de Tizumba, hoje, alcança o mundo.

FlinkSampa 2018

A FlinkSampa – Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra – será realizada no período de 19 e 20 de novembro de 2018 na Faculdade Zumbi dos Palmares, com programação das 10 às 20h. O novo endereço do evento fica próximo à estação de metrô Armênia, na avenida Santos Dumont, 843, São Paulo (SP), dentro do Centro Esportivo Tietê. Durante dois dias serão realizados lançamentos e vendas de livros, quadrinhos e mangás, produtos de afro-empreendedores, além de atividades culturais para professores e estudantes de todas as idades: palestras, debates e contações de histórias. A homenageada desta edição será a escritora mineira Conceição Evaristo.

FIT-BH

O Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte (FIT-BH) é considerado um dos maiores festivais internacionais de teatro do país e um dos cinco principais da América Latina. A 14ª edição acontece de 13 a 23 de setembro de 2018 e o propósito da curadoria é trazer ao festival produções e grupos pouco representados no circuito de festivais brasileiros, buscando as singularidades de trabalhos marcados por seu lugar social. A curadoria desta edição é assinada por Luciana Eastwood Romagnolli (crítica e jornalista), Soraya Martins (atriz, pesquisadora e crítica de teatro afro-brasileiro) e Grace Passô (atriz, diretora e dramaturga), em colaboração com três assistentes: Anderson Feliciano, Daniele Avila Small e Luciane Ramos.

FESTCURTASBH

A 20ª edição do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte – FESTCURTASBH – realizado pela Fundação Clóvis Salgado, trouxe como temática curatorial o Cinema Negro. O evento realizado de 10 a 19 de agosto, exibiu 137 filmes, de 70 países e de doze estados brasileiros. O festival promoveu ainda três Mostras Especiais. A primeira “Cinema Negro – Capítulos de uma História Fragmentada” (25 filmes) com curadoria do crítico de cinema e pesquisador Heitor Augusto. A segunda, dedicada à filmografia da cineasta e produtora ganesa-americana Akosua Adoma Owusu. E a terceira, “Tributo a Safi Faye” com quatro filmes da diretora de cinema e etnóloga senegalesa. Ao longo de sua carreira, Faye dirigiu vários documentários e filmes de ficção com foco na vida rural no Senegal.

VAGA CARNE

A editora Javali lançou recentemente o livro Vaga Carne, da atriz, diretora de teatro e dramaturga Grace Passô. O livro é uma adaptação do premiado monólogo escrito, estrelado e dirigido por Grace. Nele, uma voz errante invade um corpo humano e sonda o que esse corpo sente enquanto mulher, o que finge sentir, o que é impenetrável nele, o que ele significa para o outro ou a outra que o vê. Em Vaga Carne, um corpo de mulher vive a urgência do discurso à procura de suas identidades, à procura de pertencimento.O livro faz parte da Coleção Teatro Contemporâneo, da Editora Javali. Projeto gráfico elaborado por Vitor Carvalho e Amanda Goveia.

Festa Literária Internacional de Paraty, com Conceição Evaristo

Ela, que obteve o Prêmio Jabuti 2015 com o livro “Olhos d’água”, foi um dos destaques da Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP, 2018. Candidata a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras – ABL, a escritora teve uma participação especial na Casa Insubmissa de Mulheres Negras. Destacamos um trecho da sua fala na FLIP: “Todos os lugares representativos nesta nação nos pertencem à medida que a nacionalidade brasileira está marcada pela presença dos povos africanos. Concorrer à cadeira na ABL é um direito de todo cidadão ou cidadã que tenha um livro. Eu tenho seis, um Jabuti (por “Olhos d’água”), obras publicadas em inglês, francês e espanhol. Se a ABL representa a literatura brasileira, então, quanto mais representantes de diversos espaços sociais, étnicos e de gêneros a casa tiver, mais democrática ela se torna”.