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Interioranas lançam o primeiro EP

Formado pela poeta Nívea Sabino e pela cantautora Luiza da Iola, o Interioranas lançou seu primeiro EP que leva o mesmo nome do projeto. O trabalho ganhou um belo videoclipe da faixa “Nos Braços de Oyá”, no dia 20 de novembro, celebrando o mês da Consciência Negra no canal do Youtube (clique aqui para acessar).

O disco conta ainda com as faixas “Sobre os Solos Férteis da Igualdade”, “Na saga das evaristos” e “Irmãos do Outro Lar”. O trabalho já encontra-se disponível nas principais plataformas digitais e conta com participações de artistas mineiros como o trompetista Juventino Dias (Babadan Banda de Rua) e da cantora “soul woman”Michelle Oliveira (Cromossomo Africano).

Foto: Interioranas – Teatro Espanca – Crédito – Mayara Laila

Procuro Alguém

PROCURO ALGUÉM

Um dos nomes mais influentes da cena do rap do país, em 2020, Djonga foi o primeiro brasileiro indicado na categoria Melhor Artista internacional no NET Hip-Hop Awards, premiação realizada pela BET e um dos maiores reconhecimentos do hip hop e rap mundial. O rapper também se apresentou com performance impactante no MTV Miaw 2020 entoando a mensagem “Parem de nos matar” durante a premiação. Em novembro, o artista lançou o seu clipe “Procuro Alguém”, uma superprodução da música que integra o seu mais recente disco “Histórias da Minha Área”, lançado em março deste ano. “É o clipe mais bonito que eu já fiz”, declarou o artista no twitter. Com direção e roteiro assinado por Djonga e Túlio Cipó, o clipe é uma homenagem que transborda o amor do artista pela sua filha mais nova, Iolanda. Ela ocupa, em algumas cenas do curta-metragem, uma paisagem conhecida dos belo-horizontinos, as icônicas empenas de prédios do centro da capital mineira que guardam uma galeria de arte urbana a céu aberto. O clipe conta também com a expressividade da bailarina Hadassa Baptista que representou o coração de Iolanda.


Mulheres negras no samba em Belo Horizonte

A capital mineira tem em sua história nomes relevantes do samba como o veterano Mestre Conga, Ronaldo Coisa Nossa, Dóris, entre outros. As cantoras Giselle Couto e Adriana Araújo aumentam com muita qualidade essa lista, ao chegarem com seus respectivos trabalhos. Giselle, uma das grandes intérpretes da cidade, lança neste tumultuado 2020 o disco Natureza, trabalho que a artista realizou após uma bem sucedida campanha de financiamento coletivo. Já Adriana Araújo, voz potente do samba de BH, está em plena produção do álbum “Minha Verdade” e já apresentou o videoclipe “Meu Refrão” que pode ser conferido no canal da artista.

Foto: Adriana Araújo – Crédito Ronald Nascimento

Mostra Negras Autoras chega à sua segunda edição

Aconteceu nos dias 29 e 30 de novembro, a segunda edição da mostra Negras Autoras, que este ano foi realizada em formato online pelo canal do Youtube do coletivo Negras Autoras. As performances foram gravadas no Teatro Espanca resultando em dois dias de programação com linguagens artísticas como artes visuais, literatura, música, dança, entre outras, com trabalhos protagonizados por mulheres negras, periféricas, cis e trans, selecionadas através do edital lançado em outubro deste ano.  Os dez trabalhos escolhidos traduzem um pouco da diversidade e potência artística das mulheres negras da cidade.  Fizeram parte da programação da segunda Mostra Negras Autoras NáLù Pimenta , Vita Pereira, Jeiza da Pele Preta, Pâmela Bernardo, Lu Mosqueira, Priscila Rezende, Renata Paz, Júnia Bertolino e Nívea Sabino.  Coletivo Negras Autoras é formado por Elisa de SenaJulia TizumbaManu Ranilla e Vi Coelho.

Foto: Coletivo Negras Autoras – Crédito: Paulo Oliveira / Profotografia


Emicida na Netflix

EA Netflix lançou, no dia 8 de dezembro, o documentário Netflix AmarElo – É Tudo Pra Ontem, de Emicida, com animações, entrevistas e cenas de bastidores. Usando o show do rapper no Theatro Municipal em 2019 como espinha dorsal, o filme é dirigido por Fred Ouro Preto e explora a produção do projeto de estúdio AmarElo e, ao mesmo tempo, a história da cultura negra brasileira nos últimos 100 anos. O documentário de 90 minutos estabelece um elo importante entre três momentos relevantes da história negra brasileira: a Semana de Arte Moderna de 1922; o ato de fundação do Movimento Negro Unificado (MNU), em 1978, pela valorização da cultura e de direitos do povo negro; e o emblemático espetáculo de estreia de AmarElo, que aconteceu no mês da consciência negra, novembro, em 2019.

Foto: Emicida – Crédito: Jef Delgado – Theatro Municipal

Risco de Apagamento

RISCO DE APAGAMENTO

Uma das características do racismo é o apagamento da história negra, quando não por negligência, por ação deliberada e proposital. A Obra “Híbrida Ancestral – Guardiã Brasileira”, da artista mineira Criola, grafiteira cujo trabalho remete sempre à identidade de matriz africana, corre risco de ser apagada. O trabalho em questão é um mural criado pelo projeto Cura e ostenta a imagem de uma mulher negra de 1365 m², no prédio do condomínio Chiquito Lopes, no Centro de Belo Horizonte. Segundo a própria artista, a obra é “um caminho interno de honra às mulheres e seu sangue sagrado, de honra ao povo preto e aos povos originários brasileiros e seus descendentes como legítimos guardiões dos portais da espiritualidade que sustentam o nosso país”. Segundo a produção do CURA, festival voltado para as artes visuais na cidade, na ocasião da criação do mural os moradores foram devidamente consultados, sendo que apenas um dos moradores foi contrário. Esse morador ingressou uma ação na justiça com base numa lei do período militar (Lei 4591/1964) para sustentar que a obra precisaria da aprovação unânime de todos os condôminos. Segundo o autor da ação judicial, a obra “Não é uma simples pintura, é uma decoração de gosto duvidoso”.⠀A organização do festival entrou com recurso.

Foto: Mural Híbrida Astral – Créditos: foto Área de serviço.jpg

Belo Horizonte elege vereadoras e vereadores negros

A Câmara Municipal de Belo Horizonte passa a ter quatro representantes negros entre ocupantes das 41 cadeiras parlamentares da cidade a partir de 2021. Duas delas serão ocupadas por mulheres. Macaé Evaristo (PT) foi eleita com 5.985 votos, e além de ter atuado anos como professora, já ocupou cargos políticos e acumula experiência como Secretária Municipal de Educação de Belo Horizonte, Secretária Estadual de Educação do Estado de Minas Gerais e também diretora de Políticas de Educação do Campo, Indígena e Relações Raciais do Ministério da Educação.

Iza Lourença – Créditos Pablo Henrique

Outra vereadora eleita em 2020 foi Iza Lourença (PSOL), com 7.771 votos, que tem atuação como ativista social no movimento negro, feminista, LGBT+ e estudantil da cidade. Iza é trabalhadora metroviária e coordenadora do cursinho popular Consciência Barreiro. Também foram eleitos os vereadores Marcos Crispim (PSC), morador do Alto Vera Cruz e coordenador do projeto Comunidade em Ação que atua na região, com 3.355 votos, e Gilson Guimarães (Rede), morador da Vila Fátima e líder comunitário há mais de dez anos, com 3.593 votos.

O poder de Ingrid Silva

Primeira bailarina negra brasileira a estampar a capa da revista Vogue Brasil, Ingrid Silvia foi destaque na edição de novembro da revista de moda conhecida internacionalmente. Em suas redes sociais, a artista celebrou a conquista histórica e destacou a transformação que está vivendo com a maternidade. “Estou vivendo uma fase incrível da minha vida, que é a maternidade, e me transformando através das minhas próprias descobertas: ser mãe, bailarina, ativista, business woman e muito mais. Sonhos sim são possíveis. Representatividade é muito importante, em todos os sentidos”, escreveu a artista que posou para as lentes do fotógrafo Henrique Gendre.

Foto: Divulgação Vogue

Nikima


O cantor Nikima lançou recentemente dois novos trabalhos que mostram a
diversidade de suas produções que envolvem diversas linguagens artísticas. Elas trazem desde o ritmo pulsante da música baiana às batidas sintetizadas do eletrônico e um convite à imersão em realidades virtuais.

O videoclipe “Quebra-queixo” narra a história de um ambulante que vende o doce típico pelas ruas de Salvador na busca por seu sustento familiar. Produzido pela Macaco Gordo, o curta-metragem é dirigido por Chico Kértesz e traz figurinos irreverentes. Outro lançamento mais recente é o videoclipe “Amores Líquidos” que aborda o amor, as relações virtuais e
confinamento com o projeto AUSS & AUSS.

O clipe é uma extensão do AUSS & AUSS XP, do Circuito Expositivo, do Imersivo e Interativo da AUSS & AUSS que estreou em Salvador, em janeiro de 2020, no Teatro Gregório de Mattos, e proporcionou ao público experiências em realidade virtual e aumentada, estações de games e a Fantástica Caixa de Música – um cubo gigante revestido com paredes luminosas interativas, onde o público usava sensores para controlar as luzes e a música da instalação.

Revivências


O músico mineiro Sérgio Pererê lançou, em maio, o disco “Revivências”, um álbum com releituras de músicas conhecidas que marcaram sua trajetória como artista e que dialogam com o contexto social vivido hoje no país. Entre as canções estão “Juízo Final”, de Nelson Cavaquinho, “Tempo Rei”, de Gilberto Gil, “Roda Viva”, de Chico Buarque, e “De frente para o crime”, de João Bosco e Aldir Blanc. O projeto independente já está disponível nas plataformas digitais e contou com show virtual de lançamento.

Em rede social, o artista ressaltou a importância de se apoiar a arte neste momento de pandemia e enfatizou que a cultura não pode parar. “Precisamos de arte, de música, de literatura, da força das manifestações populares, de teatro, de tradição e de inventividade para seguirmos em contato com nossa humanidade, simbolizando o horror e a tragédia para transmutá-los em vida, em reconstrução, em possibilidade de futuro. Os artistas seguem como podem, utilizando a tecnologia para fazerem cumprir seu papel no mundo”, afirmou Sérgio Pererê.