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Projeto Afro-gastronomia será realizado no Centro Cultural Venda Nova(BH)

 
Afro-gastronomia: sabores e saberes ancestrais é um projeto que visa a descolonização da cultura e da gastronomia mineira, além de mostrar a contribuição da população negra na culinária de Belo Horizonte.
Serão ofertados um workshop, duas mesas de debate e encerramento com intervenção poética. 
  
A coordenação geral é de Kelma Zenaide. Mulher negra, descendente do kilombo de Pinhões, umbandista, lésbica, Kelma é especializada em literatura africana e afro brasileira, escritora, oficineira, culinarista, sommelier de cervejas e proprietaria da Kitutu – gastronomia Afro-brasileira: cozinha afetiva inspirada na tecnologia ancestral, com foco no protagonismo e na valorização do ofício da mulher negra cozinheira.

O evento será realizado no dia 06 de julho, a partir das 09h, no Centro Cultural Venda Nova. Entrada gratuita. 

Siga a página do projeto no Instagram @afrogastronomiabh
 
Este projeto foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte / Edital Descentra.

Coletivo Coletivo Lena Santos discute jornalismo, negritude e responsabilidade social, neste sábado, 14

O 2º Congresso do Coletivo Lena Santos, de jornalistas negras e negros de Minas Gerais, que acontece pela primeira vez em formato presencial, trará discussões sobre e responsabilidade social, presença e pioneirismo negro nos veículos de comunicação. Haverá emissão de certificado. O evento é gratuito neste sábado, 14, na Academia Mineira de Letras

Neste sábado, 14, será realizado o 2º Congresso do Coletivo Lena Santos com o objetivo de ampliar a discussão sobre questões raciais que perpassam a mídia no Brasil. Em seu primeiro congresso presencial, o coletivo trará duas mesas de debate, sendo a primeira Abrindo Caminhos – A presença e o pioneirismo negro nos veículos de comunicação, com a presença dos jornalistas Cláudio Henrique (Rede Minas), Márcia Maria Cruz (Estado de Minas) e Misael Avelino (Rádio Favela). Já na segunda, para discutir o combate às diversas formas de preconceito, o tema será “Escolhendo muito bem as palavras – Jornalismo e Responsabilidade Social” com os jornalistas Arthur Bugre, Etiene Martins e Zu Moreira (Globo Minas).

O evento, que será realizado a partir das 14h30 na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1466, Centro, BH), é produto de uma parceria do Coletivo Lena Santos com o espaço e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

 As vagas já esgotaram, mas abrimos uma lista de espera para quem não conseguiu se inscrever. Pedimos que, se perceber que não poderá comparecer ao evento, avise-nos o quanto antes por meio do e-mail [email protected] ou no direct do nosso Instagram. Assim poderemos passar sua vaga para alguém da lista. 

Haverá emissão de certificados aos presentes. Para mais informações, acesse o perfil do coletivo no Instagram: instagram.com/coletivolenasantos.

A data do evento foi escolhida  pelo simbolismo do 14 de maio, um dia após a abolição da escravatura, ocorrida em 13 de maio de 1888. Afinal, como canta Lazzo Matumbi, “no dia 14 de maio, ninguém me deu bola / eu tive que ser bom de bola pra sobreviver / […] pensaram que poderiam me fazer perder / mas minha alma resiste, meu corpo é de luta / […] eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu”.

Uma oportunidade para refletir sobre os caminhos do jornalismo nas pautas raciais, além do pioneirismo negro na profissão.

No primeiro debate,Abrindo Caminhos – A presença e o pioneirismo negro nos veículos de comunicação”, os jornalistas Cláudio Henrique, Márcia Maria Cruz e Misael Avelino traçam os avanços e desafios da presença de pessoas negras no jornalismo

Já em “Escolhendo muito bem as palavras – Jornalismo e Responsabilidade Social”, os jornalistas Arthur Bugre, Etiene Martins e Zu Moreira discutem como o fazer jornalíistico deve, além de documentar o que acontece do mundo, produzir novas perspectivas que vão ao encontro do combate às diversas formas de discriminação.

No evento uma intervenção cênico poética com textos da Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus com a performance “Diário de Bitita”, da artista Carlandréia Ribeiro – uma referência ao livro de mesmo nome da escritora Carolina Maria de Jesus.

Sobre o Coletivo Lena Santos

O Coletivo Lena Santos nasceu da ideia de mudar a realidade da comunicação brasileira, visto que o país tem uma população de mais de 50% que se autodeclara negra, e, por outro lado, conta com poucos jornalistas que representam os afro-brasileiros. Seu objetivo é a construção de uma comunicação antirracista e representativa.

Em apenas três anos de existência, O Coletivo Lena Santos já ocupa um espaço importante na discussão racial que perpassa a mídia brasileira, reunindo mais de 80 integrantes em diversos setores da comunicação.

Sobre o 1º Congresso

Nesta perpectiva de avanços na discussão sobre questões raciais que perpassam a mídia no Brasil, em maio de 2021 foi organizado o 1° Congresso Nacional Coletivo Lena Santos – Jornalistas Negras e Negros. O evento virtual contou com 10 mesas de debates entre comunicadores nacionais e internacionais que refletiram sobre mídia e racismo, com mais de 1.700 inscrições que vieram de todos os estados do país.

Em agosto de 2021, o Coletivo Lena Santos foi convidado para compor o 16º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo – Abraji com a mesa Diversificando as fontes: como empretecer a cobertura e tornar o jornalismo mais plural. Na discussão, emergiram questões de como a escolha de fontes no processo de construção da notícia é fundamental para discutir se as narrativas são verdadeiramente plurais.

Escrevivências premiadas no exterior

A tradução francesa do livro “Olhos d’Água”, da escritora mineira Conceição Evaristo, recebeu o Prêmio de Obra Poética da Academia Claudine de Tencin. O livro foi publicado no país europeu pela Editions des Femmes, com tradução de Izabella Borges. No Brasil, a coletânea de contos foi publicada em 2014 pela editora Pallas, trazendo a história de personagens marcantes como Duzu-Querença, Natalina, Salinda, Luamanda, Cida, Zaíta, Maíta, entre outras. Celebrada pelo Prêmio Jabuti em 2019 como personalidade do ano, Conceição Evaristo tem outras obras publicadas no exterior, entre elas sua publicação mais celebrada, “Ponciá Vicêncio” (2003), que foi lançada nos Estados Unidos, pela Host Publications e, na França, pela Anacaona. Já “Becos da Memória” (2006) virou “Banzo, mémoires de la favela”, também lançado na França.

Foto: Conceição Evaristo – Crédito: Lis Pedreira

Prêmio Camões

A escritora moçambicana Paulina Chiziane é a primeira mulher africana a ganhar o Prêmio Camões, em 2021. Reconhecido como a mais importante premiação literária da língua portuguesa, ele contempla anualmente autores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, pelo conjunto de sua obra. A comissão julgadora é composta por representantes do Brasil, de Portugal e de países africanos de língua oficial portuguesa. A autora moçambicana é reconhecida como uma das pioneiras na literatura em seu país. Seu livro “Balada de amor ao vento”, de 1990, é tido como o primeiro romance publicado por uma mulher no país. “Niketche: Uma História de Poligamia” é seu título mais conhecido, e considerado um clássico da literatura em português, com edição publicada recentemente pela Cia. das Letras.  Sua obra também contém exemplares de contos e ensaios, como “As Andorinhas” e “Tenta!”, publicado pela editora mineira Nandyala, e “O Alegre Canto da Perdiz”, pela Dublinense.

Foto: Paulina Chiziane – Crédito Otávio de Souza

Ciranda do Nordeste 

A Ciranda do Nordeste foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), fazendo com que o país passe a ter 50 bens registrados como patrimônio imaterial. A Ciranda do Nordeste é uma manifestação cultural que une música e poesia para embalar uma dança de roda, elemento central de sua expressão.  Possui singularidades estéticas, poéticas e musicais que a diferenciam de outras modalidades de cirandas praticadas no Brasil como o baile popular de Paraty. A Ciranda está rodeada de significados que envolvem o balanço do mar, os ciclos da vida e as brincadeiras de criança. Na roda de ciranda, são trazidos à tona sentimentos de celebração e pertencimento a um lugar e a uma história, seja das cirandas à beira mar, seja das noites de festa nos engenhos da Zona da Mata Norte de Pernambuco (composta por 19 municípios do estado). A cirandeira pernambucana Lia de Itamaracá celebrou o título em post em suas redes sociais “Agradeço a todos que apoiaram e divulgaram o brinquedo da Ciranda. Na minha Ciranda, tem muitas mãos que ajudaram no reconhecimento do nosso trabalho”, destacou a artista. 

Foto: Lia de Itamaracá – crédito: Ytallo Barreto/Divulgação Secult-PE

Mestres dos Saberes Tradicionais recebem título da UFMG

Sueli Maxakali, Joelson Ferreira de Oliveira e Dirceu Ferreira Sérgio receberam o Título de Notório Saber na reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em setembro de 2021. Sueli Maxakali, educadora, cineasta, escritora e liderança da Aldeia Verde (MG), recebeu o título de Doutora em Letras: Estudos Literários. Joelson Ferreira de Oliveira, agricultor, liderança do Assentamento Terra Vista (BA) e da Teia dos Povos, recebeu o título de Doutor em Arquitetura e Urbanismo. Dirceu Ferreira Sérgio, capitão regente da Guarda de Moçambique da Irmandade do Quilombo Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis (MG), recebeu o título de Doutor em Estudos do Lazer. A concessão do título de Notório Saber foi regulamentada pela Resolução Complementar do Conselho Universitário n. 01/2020, de maio de 2020, e é dada para pessoas com alta qualificação, cuja contribuição seja relevante para sociedade. O Notório Saber atribuirá titulação acadêmica em nível de doutorado a detentores de saberes acadêmicos, científicos, artísticos e culturais, já presentes na Universidade, e de tradições indígenas, afro-brasileiras, quilombolas e outras oriundas das culturas populares. O gesto descolonizador é um importante reconhecimento dos saberes tradicionais e fortalece a políticas de inclusão que abre a universidade aos modos de vida, de criação e de pensamento não-eurocêntricos.

Foto: Ricardo Laf

Mano a mano

O rapper Mano Brown lançou o podcast “Mano a mano”, original do Spotify, figurando já na semana de estreia entre os mais ouvidos da plataforma. Lançado em agosto, a proposta é que sejam 16 episódios que vão ao ar sempre às quintas-feiras na plataforma em que o MC conversa com personalidades de diferentes cenários, passando pelo esporte, a política, a música e a religião. De acordo com Brown, a proposta é ampliar a visão e o debate trazendo diversidade de ideias e pensamentos com profundidade e respeito. Entre os participantes que já passaram pelos estúdios do rapper estão Karol Conká, Lula, Drauzio Varella, Leci Brandão, entre outros.

FAN BH

A 11ª edição do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte – FAN BH aconteceu em dezembro e, pela primeira vez, em formato híbrido, reunindo atividades presenciais e virtuais. O FAN BH 2021 parte das conexões culturais entre Brasil e África, mais especificamente das influências da cultura bantu na formação da identidade brasileira e suas relações com Minas Gerais. Esta edição destacou o desejo de aproximação – através dos encontros, reflexões, trocas de experiências, de afetos – a partir de processos criativos colaborativos que se darão durante o festival. A programação foi gratuita e abriu espaço para apresentação de artistas, grupos e coletivos das mais diversas áreas artísticas como artes cênicas, artes visuais, artes integradas, audiovisual, cultura popular, cultura urbana, literatura e música.

Foto: 10ª edição do FANBH – Crédito Pâmela Bernardo

Selo Katuka Edições

A Katuka Africanidades é um empreendimento, situado em Salvador-Bahia, que promove inscrições e mobilizações de culturas e identidades negras, através da moda, arte e literatura. O Selo Katuka Edições, da Katuka Africanidades e da Editora Devires, criado em 2020, é um projeto editorial que tem como objetivo publicar obras literárias e acadêmico-científicas de autoras (es) de Áfricas e das diásporas, compreendendo as seguintes coleções: Literaturas; Literaturas Infanto-juvenis; e Pensamentos Insurgentes.

O Selo Katuka Edições apresenta-se como uma potência editorial, nacional e internacional. Em 2021, já publicou Águas – Moradas de Memórias (Crítica Literária), de Ana Rita Santiago (Brasil); Desassossegos & Acalantos – Microcontos, de Vera Duarte (Cabo Verde); E assim, Teço Amanhãs (Poemas), de Jairo Pinto (Brasil); Xiluva – Partida de uma Flor (Poemas), de Mel Matsinhe (Moçambique). Em breve, lançará A Religiosidade no Conto Moçambicano – teoria, história e crítica, de Alberto José Mathe (Mocambique); O Amor à Deriva, organizado por Lourdes Reis Brito e Ana Rita Santiago; e Águas Cristalinas, de João Baptista (Moçambique). 

Intercâmbio Cultural

O Palco Hip Hop é um dos principais festivais que agrega diferentes linguagens artísticas da cultura Hip Hop no país. Em 2021, celebra seus 10 anos e, ao longo de sua história, reuniu nomes de destaque nacional e internacional. Um deles é o da artista francesa Daybe Dee, uma das mais respeitadas dançarinas, coreógrafas e DJs no mundo que integrou a programação do evento em 2019 com uma apresentação artística, bate-papo, discotecagem e workshop de Hip Hop dance 90.

A vinda da artista para o país foi viabilizada pela Embaixada Francesa, em Belo Horizonte, parceira da edição do evento, que apoia diversas iniciativas que permitem o intercâmbio cultural entre Brasil e França. “Possibilitar o intercâmbio cultural com uma artista francesa como a Day Dee é muito rico para o projeto. Um público, em sua grande maioria de pessoas negras, periféricas, tem poucas oportunidades de participar de intercâmbios, dentro da programação gratuita do festival, de contactar artistas internacionais para poder trocar ideias, realizar workshop, bater papo.

Ter  uma discotecagem da Daybee, mais uma apresentação da artista no festival a preço popular é de extrema relevância para a cultura dos dois países”, celebra Victor Magalhães, gestor e produtor cultural, coordenador geral Palco Hip Hop. Durante a pandemia, o festival segue movimentando a cena com programações virtuais. Mais informações e programação estão disponíveis em: fb.com/palcohiphop.

Foto – Pablo Bernardo