Categoria

Notícias

Exposição Maracatu Chico Rei

Por Equipe Canjerê

O Centro de Referência da Cultura popular e Tradicional Lagoa do Nado recebe a partir de dezembro a Exposição “Maracatu Chico Rei: elo entre o erudito e o popular por meio da música”. A exposição se propõe a apresentar os limites artificiais dos conceitos clássicos de “popular” e “erudito”, por meio do bailado Maracatu Chico Rei.  Mostrando que o tradicional lugar da cultura erudita, ela reconhece e apresenta toda a riqueza e beleza da cultura popular, fundamental para a identidade do país. O Maracatu Chico Rei é um poema sinfônico e bailado para orquestra e coro, que tem como tema a lenda de um antigo rei africano que foi trazido para o Brasil. Essa importante obra marcou a história da música e da dança do Brasil.

Foto: Ricardo Laf

Patrimônio Cultural

Por Equipe Canjerê

A Festa de Iemanjá e a Festa dos Pretos Velhos se tornam patrimônio imaterial de Belo Horizonte (MG). O reconhecimento atende a uma solicitação de representantes das comunidades tradicionais de matrizes africanas e afro-brasileiras encaminhado ao Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município, em 2017.

Com o reconhecimento oficial como patrimônio cultural da cidade, as celebrações passam a integrar a lista de bens culturais que contam com a colaboração do poder público para sua salvaguarda e continuidade histórica. O culto aos Pretos Velhos e Pretas Velhas, ancestrais guias da Umbanda, acontecem desde 1982, nos meses de maio, em meio aos prédios residências do bairro Silveira, na praça Treze de Maio. A festa reúne centenas de afro-religiosos que vão louvar seus ancestrais e pessoas que buscam atendimento nas dezenas de terreiros, das várias partes da cidade e região metropolitana que fazem parte do festejo.

Festa de Preto Velho. Foto: Ricardo Laf

Já a Festa de Iemanjá, realizada anualmente desde 1953, possui relevância histórica para os adeptos das celebrações do Sagrado afro-brasileiro na capital mineira e acontece próximo à Praça Dalva Simão, na Lagoa da Pampulha, ressignificando o projeto original do Conjunto Moderno da Pampulha. De grande importância para os adeptos do Candomblé e da Umbanda, ela revela o sagrado no espaço urbano.

Chica, a princesa do Arraial

Por Equipe Canjerê

A infância de Chica, no Arraial do Tejuco, é narrada em palavras e imagens pelo artista plástico Marcial Ávila. O livro “Chica, a princesa do arraial”, é como uma máquina do tempo: ao ler o texto, somos transportados a um passado remoto, a uma cidade mineradora do século XVIII, como o arraial em que viveu a “menina Chica”. Mas somos, também, lançados em uma memória atemporal: essa é a história da infância de muitas crianças em cidades do interior, como a do próprio autor, que cresceu em Diamantina. Além disso, projetamos na “menina Chica” um ideal de infância para os dias atuais, pois acompanhamos uma criança livre de preocupações, envolvida por seus sonhos e desejos, satisfeita consigo mesma, que aproveita todos os momentos de sua vida. 

Marcial Avila – Foto Ricardo S. Goncalves

Corte Real Momesca de Belo Horizonte

Por Equipe Canjerê

Belo Horizonte já conhece a sua Corte Real Momesca do Carnaval 2020. O trio formado pelo rei Wallace Filipe Guedes, rainha Laís Lima e princesa Josi Semeão tem agenda intensa de compromissos durante o período carnavalesco da cidade. Wallace Filipe Guedes é estudante de Educação Física, bailarino e modelo fotográfico. Laís Lima é enfermeira, modelo e passista das escolas de samba Cidade Jardim, Acadêmicos de Venda Nova, Imperavi de Ouro e Estrela do Vale. Já a princesa Josi Semeão é formada em administração e também desfila na Acadêmicos de Venda Nova. Os candidatos foram julgados por uma comissão e entre os quesitos avaliados estavam comunicação, simpatia e espírito carnavalesco, samba no pé, desembaraço, sociabilidade, facilidade de expressão e elegância. Os selecionados são considerados embaixadores da folia na capital mineira.

Foto: Corte Momesca – Crédito Bruno Figueiredo / Área de Serviço / Acervo Belotur

Amigos abrem Afropub em BH

Por Equipe Canjerê

Jose Lucas Ramalho, Warley Barros, Fernando Calleb e Douglas Barbosa tinham o sonho de criar um espaço em Belo Horizonte onde a beleza, a luta e a cultura negra fossem exaltadas. Foi assim que nasceu o Black To Black – Afropub, em outubro de 2019.

Rapidamente, o espaço se tornou o ponto de encontro de pessoas que logo sentiram afinidade pela história, missão e identidade do espaço. O cardápio inclui chopes artesanais de cervejarias renomadas da cidade, burguers artesanais com opções vegetarianas, veganas e petiscos. A parte musical é composta pelo melhor da música negra.

O Afropub funciona de terça à quinta, de 17h à 00h00, nas sextas de 17h à 1h e aos domingos de 14h à 1h.

Instagram: @b2b.afropubbh

Fotos: Warley Barros

O Sofá Azul

Por Equipe Canjerê

O pedagogo, ator e arte educador Evandro Nunes lançou, em outubro, a série Sofá Azul. Experiente na arte de atuar, o artista agora encara com maestria o desafio das câmeras. O cenário é na casa das Borboletas, nome que ele mesmo deu para a sua própria residência. Nas redes sociais, Evandro faz uma pergunta convidativa e ao mesmo tempo reflexiva aos seus seguidores/as, “E você, sobre o que quer conversar?”. A comunidade logo aderiu ao chamado e várias pessoas já gravaram suas participações no Sofá Azul.

 A filmagem fica por conta de Luiz Oliveira. A trilha de abertura é a Musica “Tempo Breve” de Nath Rodrigues, do seu disco FRACTAL.

Acesse aqui: Série Sofá Azul com Evandro Nunes.

Programação Mês da Consciência Negra/MUNDI

No mês da Consciência Negra, o Movimento Negro de Divinópolis (MUNDI) preparou uma extensa programação para lembrar e exaltar a luta dos negros contra a discriminação racial e a desigualdade social. Algumas das ações da agenda são realizadas pelo Mundi com vários parceiros, e outras, o MUNDI participa como apoiador.

PROGRAMAÇÃO

12/11 – Núcleo Divina Luz –Atividade restrita aos participantes do Núcleo
Bate papo sobre racismo com Grazi Rufo, presidenta do Mundi e Zane Bgirl, idealizadora do projeto Pedagogiando com o Hip hop

19/11 – Entrega da Comenda Consciência Negra
Evento realizado pela Câmara Municipal de Divinópolis com apoio do Mundi
Local: Rua São Paulo, 277 – Centro
19h
Atividade aberta ao público/gratuita

18-19- 20/11 – Tenda Educativa e Informativa da Consciência Negra
Local : Quarteirão fechado da Rua São Paulo – Divinópolis
8h às 17h
Atividade aberta ao público/gratuita

20/11 – Seminário Étnico – Racial Consciência Negra
Local: Câmara Municipal de Divinópolis
Realização: 12ª Superintendência Regional de Ensino de Divinópolis(SRE) e Movimento Negro de Divinópolis(MUNDI) Pauta: Apresentação e debate dos trabalhos e ações desenvolvidas pelos alunos/as da rede estadual de ensino, ao longo do ano, pela efetivação da Lei 10.639/03 que inclui o ensino de história e da cultura afro-brasileira e africana no currículo escolar.
7h às 11h30
Atividade aberta ao público/gratuita

24/11 – Festa da Cultura Afrobrasileira
Local: Praça do Santuário
Realização: Prefeitura Municipal de Divinópolis por meio da Secretaria de Cultura – Apoio: Mundi e Chá das Pretas
09h às 20h
Atividade aberta ao público/gratuita

25/11 – Workshop de Modelos com Hellen Cristina
Atividade Restrita aos alunos/as do Projeto Pão da Alma
13h

25/11 – Aulão H2OR – Projeto Pedagogiando com o Hip Hop
Para crianças e adolescentes
Local: Espaço Mundi – Rua Rio de Janeiro, 21, centro
18h
Atividade aberta ao público/gratuita

27/11 – Palestra Educativa
Com Grazi Rufo, coordenadora do MUDIERÊ
8h
(Atividade restrita aos alunos)
Local: Serviço de Convivência e Fortalecimento de vínculo/Núcleo Jardinópolis

28/11 – Exibição do filme Pantera Negra + Bate
Com Rhenata Santana e Profº Alisson Ferreira

O filme conta a história de T’Challa, líder do reino fictício de Wakanda que ganha os poderes de Pantera Negra para proteger o seu povo. Vamos conversar sobre a visão política, cultural e linguística do filme que retrata a riqueza das etnias que compõem a África. PANTERA NEGRA é ma obra que homenageia a diversidade cultural dos povos africanos que reafirma sua luta por direitos e valoriza as particularidades culturais e históricas dos povos africanos para além dos estereótipos.
19h às 22h
Local: Espaço Mundi
Traga algo para o Lanche coletivo
Atividade aberta ao público/gratuita

30/11 – Encontro de Modelos Negros e Negras
Local: Divishop – Av. JK. 1200 – Bairro Santa Clara
Realização Niari Cosméticos em parceria com Divishop
Apoio: Village English, MUNDI, Grazi Rufo Beleza Afro e Fibra Cabelos
13h30 às 16h
Atividade aberta ao público/gratuita

Etnografia Suburbana


O rapper Roger Deff lançou seu primeiro disco solo, “Etnografia Suburbana”. Viabilizado a partir de uma campanha de arrecadação coletiva no Catarse, o álbum tem oito faixas lançadas na plataforma digital e também em disco físico – recompensas para os colaboradores do projeto.

O disco tem produção de Edgar Filho e Ricardo Cunha que também tocam bateria e guitarra, respectivamente, e conta com participações do MC Douglas Din, de Richard Neves (Pato Fu), Luciano Cuíca Play e Ricardo HD, irmão de Roger.

Etnografia Suburbana traz um estudo das etnias do ponto de vista de um sujeito suburbano circulando pela cidade realizado pelo artista. Sua sonoridade também é a dos ritmos suburbanos acrescentado ao rap, ao funk, ao maracatu e ao samba, entre outros gêneros.

Fibra Cabelos reinaugura novo espaço em Divinópolis/MG

Foto: Patrícia Santos

Quando a empresária Karla Carolina resolveu vender cabelo sintético na Internet em 2016, não imaginava a proporção que o negócio tomaria. Após um ano na rede, e com a demanda aumentando, a empresária resolveu ampliar o negócio também para um espaço físico. Em pouco tempo, a loja ficou pequena e foi necessário um espaço maior.

A nova loja da Fibra Cabelos foi reinaugurada no mês de abril deste ano na rua São Paulo, 272, no centro de Divinópolis. A loja trabalha com vários tipos de cabelos sintéticos e orgânicos, além de acessórios e cosméticos. Acesse Facebook.com/fibracabelos

Lançamento do livro: Ativismo Juvenil e Políticas Públicas

O jornalista, mestre em Psicologia e analista de projetos Bruno Vieira lançou recentemente o livro Ativismo Juvenil e Políticas Públicas: o caso do Centro de Referência da Juventude de Belo Horizonte (MG). O trabalho é oriundo da sua dissertação de mestrado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFMG, sob orientação da Profa. Claudia Mayorga. 

O livro traz reflexões para compreender a relação entre ativismo juvenil e políticas públicas de juventude, observando como o Centro contribui na relação entre movimentos juvenis e a delimitação de políticas públicas de juventude em BH. Acesse:editoraletramento.com.br 

Encontro Nacional Rainha Nzinga

Ilustração: Marcial Ávila

Nos dias 25 e 26 de julho, Salvador (BA) sediará o 1º Encontro Nacional Rainha Nzinga. O encontro é uma iniciativa do grupo Neafro Tambores de Minas e de vários movimentos negros. Dar visibilidade às organizações de mulheres negras, manter viva a memória dessas que sempre defenderam a cultura de matriz africana e seu ideal de liberdade são alguns dos objetivos do encontro.

As atrações incluem mesas de debate, visita à Casa Angola, exposição de moda e entrega do Troféu Rainha Nzinga. O encontro será realizado na Casa de Angola, situada na praça dos Veteranos, centro, Salvador(BA). Informações: Uiára Lopes: (71)9 9678 5895, Adelina: (32)9 8858 5441.

Mexeu com uma mexeu com todas

Foto: Leone Serafim

Mulheres do Brasil, Espanha e Portugal se uniram para combater a violência contra a mulher. Elas participaram da gravação do videoclipe da música “Mexeu com uma mexeu com todas” da cantora brasileira Kris Rocha que desenvolve seu trabalho na Espanha.

A música é inspirada na campanha lançada no carnaval de 2019 intitulada “Meu corpo não é sua fantasia” idealizada pela vereadora Ireuda Silva, presidente da Comissão do Direito e Defesa da Mulher de Salvador. O clipe contou com a participação da Associação das Mulheres Notáveis de Salvador, mulheres de Portugal e Espanha e já está disponível nas páginas da cantora Kris Rocha na Internet.

Sambadear

Foto: Luiza Bongir

A cantora e compositora Manu Dias, figura marcante do samba mineiro, lançou seu primeiro disco, o “Sambadear”. O álbum é composto por músicas autorais, algumas em parceria com Toninho Batista e Thiago Delegado, e as demais de compositores mineiros como Serginho BH, Alexis Martins, Lado Raízes, Ricardo Barrão, Fabio Martins.

Dona de uma voz marcante e nascida em Ouro Preto, a cantora já possui mais 15 anos de carreira. Ela participa de diversos projetos que destacam o ritmo como o “Samba da Vera” ao lado de Flávio Renegado que circula com o projeto “Circuito Gastronômico de Favelas”, “Casa de Bamba”, e “Bala da Palavra”, idealizado por Sergio Pererê.E

Ladrão

Foto: Divulgação


Consagrado entre os maiores nomes do hip-hop nacional, Djonga lançou em março o seu terceiro álbum “Ladrão”. Sucesso das críticas e do público, o disco composto por dez faixas inéditas chegou a ultrapassar os 14,5 milhões de plays no Youtube e no Spotify apenas oito dias depois de ter sido divulgado.

O álbum foi produzido pelo respeitado Coyote Beatz, co-produzido por Thiago Braga (Pato Fu) e masterizado por Arthur Luna. Nas letras, o rapper traz referências a diferentes artistas brasileiros e denuncia o racismo estrutural da sociedade.

Aquilombô

Alysson Salvador foi uma das atrações do Aquilombô – foto de Kelson Frost_

Discutir a arte negra em todas as suas expressões, promover reflexões sobre suas estéticas e narrativas, reunindo artistas das mais variadas linguagens, esse foi o objetivo da 3ª edição da Mostra Aquilombô – Fórum Permanente de Artes Negras, que aconteceu entre os dias 8 a 19 de maio no Teatro Francisco Nunes em BH.

A programação diversificada contou com performances, espetáculos de teatro, de circo, de dança, shows, lançamento de livros, intervenções poéticas e exposição. Um dos destaques da programação foi o lançamento da série editorial do projeto, coordenada por Marcos Fábio de Faria, que tem como principal objetivo fomentar a literatura preta nas mais diferentes linguagens.

A primeira autora publicada pela série é Cristiane Sobral (DF), com o livro “Uma Boneca No Lixo”. As escritoras Rosane Borges e Cidinha da Silva, que também participaram da programação, serão publicadas pela Série Aquilombô ainda em 2019.

Rainha Diambi

Foto: Ricardo Laf

A Rainha Diambi Kabatusuila Mukalengna Mukaji de Nkashama (da Ordem do Leopardo), da República Democrática do Congo, esteve no Brasil, no início deste ano, passando por Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital mineira, a rainha participou do evento “África-Brasil: Mulheres Negras e um fazer ancestral” no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado no dia 8 de março.

A realeza destacou no local que sua viagem ao Brasil promoveu uma reconexão com os povos da África. “É uma honra estar aqui e dar reconhecimento às personalidades do Brasil. Fiquei feliz também em ver que elas me reconhecem como uma sobrinha, uma irmã e uma mãe. Estamos todos juntos numa luta muito grande pela igualdade, paz, amor e por um mundo melhor”, ressaltou.

Elza Soares será cidadã honorária de Belo Horizonte

“O meu país é meu lugar de fala”. Os versos de Elza Soares, na música “O Que Se Cala”, pode retratar, também, a trajetória de destaque da cantora que emprestou a sua voz para muitas mulheres, para o movimento negro e para a arte brasileira. O seu ritmo emociona milhões de pessoas, inclusive em Minas Gerais. Como forma de agradecimento, a Câmara Municipal vai homenageá-la com o título de cidadã honorária de Belo Horizonte no dia 10 de maio, às 19h30, por indicação do vereador Gilson Reis (PCdoB).

Filha de pais mineiros, Elza Soares tem relação íntima com o estado e com a capital mineira. “Eu estou realmente muito emocionada, este título de cidadã honorária me deixa vingada. Minha família é toda mineira, como é que não fico contente? Uai, diz pra mim? Estou muito feliz, não sei como será no dia, aí eu vou chorar”, brinca a ícone da música brasileira.

Elza Soares foi eleita pela BBC a melhor cantora do milênio e é referência na luta contra o preconceito e pelo respeito. “É muita honra homenagear essa grande guerreira, tem uma trajetória de vida sofrida e vitoriosa. Ela é exemplo para todos nós. Elza Soares é cidadã do mundo”, afirma Gilson Reis.

A reunião solene, aberta ao público, vai reunir centenas de artistas e personalidades mineiras na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Entrega de título de Cidadã Honorária de Belo Horizonte a cantora Elza Soares
Data: 10 de maio
Horário: 19h30
Local: Plenário Amynthas de Barros, na Câmara Municipal de Belo Horizonte

Elza Soares em show na Virada Cultural 2016 – Foto Mariane Botelho/Divulgação
Exibição do filme Vaga Carne, de Grace Passô e Ricardo Alves Jr, na abertura da mostra. Foto Léo Lara / Universo produção

Mostra de Cinema de Tiradentes traz novas construções simbólicas de corpos negros no cinema

Por Naiara Rodrigues

Pensar o corpo como uma potência social e política. Esta é a proposta da 22ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, que com tema “Corpos Adiante” busca valorizar sua presença física nas salas de cinema, nos espaços públicos, e vislumbrar possibilidades de futuro. Uma das curadoras desta edição da mostra é a Tatiana Carvalho Costa, pesquisadora, realizadora audiovisual e professora no curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário Una, em Belo Horizonte, onde coordena o projeto de Pretança. Uma das responsáveis pela seleção dos curtas, ela está pela primeira vez na curadoria do festival e acredita que o mote escolhido neste ano diz muito de uma noção de temporalidade que a filosofia africana ajuda a refletir: o tempo espiralar. Esta lógica não segue necessariamente um tempo linear. O entendimento de passado, presente e futuro pode ser revisto, e acontecerem de forma simultânea a medida que a vertente defende que o tempo é habitado por espectros que vão e que vêm. E é por meio deste olhar que a curadora enxerga o reacionismo que vivemos nos dias de hoje.

“O cinema lida muito bem com isso, ao fazer encarnar os espectros do tempo espiralar para que a gente possa lidar com eles. Vivemos hoje uma pulsação e um conflito deles. Não é a toa que temos uma onda conservadora: espectros do passado, ou da ideia que temos de passado, tentando encarnar num conflito muito forte com outras forças que se colocam”, destacou Tatiana durante um debate sobre a temática deste ano.

Para ela, um destes espectros é o apagamento da presença de pessoas negras e trans no cinema, o que diz de uma construção subjetiva em cima de estereótipos que não condizem com a realidade destes corpos. “O cinema nos constrói simbolicamente como ficção, e uma ficção muito limitada, com poucos lugares possíveis para os nossos corpos negros. Fico muito feliz com o conjunto de filmes selecionados para a mostra, em especial dos curtas, que vão fazer novas modulações para eles, e inventar possibilidades com a potência que o cinema nos coloca. Ao mesmo tempo em que denuncia e expõe esta história de apagamento, este conjunto de realizadores também constrói outras possibilidades de ser com o cinema, provocando o próprio universo cinematográfico a se repensar”, explicou.

 

Tatiana Carvalho durante sua fala no debate Corpos Adiante: perspectivas das curadorias, na 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes – Foto Beto Staino/Universo Produção

 

Lidar com este apagamento é necessário. Pela primeira vez na história da mostra, foi solicitado a declaração de gênero e raça para as inscrições dos filmes. A iniciativa é essencial para que seja possível obter dados que auxiliem na criação de um panorama sobre a diversidade nas produções do cinema brasileiro.  

Um dos poucos levantamentos existentes foi o realizado pela Agência Nacional do Cinema – ANCINE tendo como base os 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição no ano de 2016. A pesquisa mostrou que deste número 75,4% dos longas tiveram à frente de sua direção homens brancos, 19,7% mulheres brancas, enquanto apenas 2,1% foram dirigidos por homens negros. Nenhum filme em 2016 foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra.

Foram poucas as cineastas que conseguiram estrear nas salas do país ao longo da história. Nos últimos dois anos, entre os nomes fizeram exceção a esta regra figuram Camila Moraes, com O caso do Homem Errado (2017), e Glenda Nicácio que dividiu com Ary Rosa, a direção do Café com Canela (2017), parceria que repete em seu novo longa, Ilha (2018), exibido este ano pela mostra. A atriz Camila Pitanga também estreou recentemente como diretora ao assinar junto de Beto Brant o documentário sobre a vida de seu pai, Pitanga (2016), que foi exibido no circuito comercial em abril de 2017.

Do total de 806 filmes inscritos para a 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes, 181 tinham ao menos uma pessoa negra na direção. “É um número muito significativo se a gente pensar nos poucos levantamentos que existem neste sentido, mas ao mesmo tempo é baixo se levarmos em conta que somos mais da metade da população” destacou a curadora.

Para Tatiana, o crescimento da presença negra no cinema vem de duas décadas de políticas públicas, que não só possibilitam o acesso – seja a educação ou por editais de fomentos que preocupam com questões de gênero e raça – mas também reconhecem uma ideia de público consumidor negro. “Isso cria um certo estado de coisas que esta onda conservadora não suporta. Vivemos um colapso do capitalismo periférico, desta colonialidade brasileira, a partir de corpos que se impõem na arena pública”, ressalta Tatiana.

Dos 78 curta-metragens selecionados, 23  diretores se autodeclararam pretos ou pardos. Os filmes mostram uma heterogeneidade dentro de uma ideia de negritude indo contra um pensamento imposto pelo colonialismo que colocam negros e brancos como grupos homogêneos. “Nos tratar como corpos iguais é um gesto muito colonizado. Estes filmes vão se contrapor a isto não só com formas diversas de dizer da experiência de corpos negros no mundo, mas também por trazer pessoas negras sem querer dizer de negritude – também podemos dizer de outras coisas”, destacou a curadora.

Apesar da inclusão da autodeclaração no formulário de inscrição de obras para o festival, muitos produtores optaram por emitir este dado. Entre os longas inscritos neste ano, por exemplo, 25% dos realizadores não declararam raça ou gênero, sendo a maior parte dele nomes masculinos.

Mesa com curadores debateu o tema escolhido para a 22ª edição da mostra. Foto Beto Staino/Universo Produção

Confira oito filmes que perpassam por questões raciais ou da diáspora negra, que estão na programação da Mostra de Cinema de Tiradentes:

 

NoirBlue – Deslocamentos de uma dança

NoirBlue – Foto: Divulgação

DOCUMENTÁRIO, COLORIDO, DIGITAL, 27 MIN, 2018

Direção: Ana Pi

Sinopse:  No continente africano, Ana Pi se reconecta às suas origens através do gesto coreográfico, engajando-se num experimento espaço-temporal que une o movimento tradicional ao contemporâneo. Em uma dança de fertilidade e de cura, a pele negra sob o véu azul se integra ao espaço, reencenando formas e cores que evocam a ancestralidade, o pertencimento, a resistência e o sentimento de liberdade. (por Siomara Farias / FestCURTASBH 2018)

 

Liberdade

DOCUMENTÁRIO, COLORIDO, DCP, 25 MIN, 2018

Direção: Pedro Nishi e Vinícius Silva

Sinopse: Abou é um artista guineense que vive com outros imigrantes africanos em uma pensão no bairro da Liberdade em São Paulo. Entre eles, vive Satsuke, uma mulher japonesa misteriosa que parece estar na casa a muitas décadas. Sow, um jovem guineense, está tentando chegar na casa para começar uma vida no Brasil, mas fica preso na imigração no aeroporto. Vidas estrangeiras habitam o bairro da Liberdade, um lugar de passado sombrio.

 

BUP

EXPERIMENTAL, COLORIDO, DCP, 7 MIN, 2018

Direção: Dandara de Morais

Sinopse: Um tributo ao silêncio. Olá, ansiedade! Bup é a ausência do silêncio. Uma tragicomédia em ritmo frenético sobre a presença da angústia, incômoda insegurança e constante inquietude. Que pena que saí do útero.

 

Mesmo com tanta agonia

FICÇÃO, COLORIDO, DCP, 19 MIN, 2018
Direção: Alice Andrade Drummond

Sinopse: É aniversário da filha de Maria. No trajeto do trabalho para a festa, ela fica presa no trem, em função de uma pessoa caída acidentalmente sob os trilhos.

 

Antes de ontem

Antes de ontem – Foto Divulgação

DOCUMENTÁRIO, COLORIDO, DIGITAL, 6 MIN, 2018

Direção: Caio Franco

Sinopse: Algumas pessoas ainda não sabem quem são.

 

Negrum3

Negrum3 – Foto Divulgação

DOCUMENTÁRIO, COLORIDO, DCP, 22 MIN, 2018

Direção: Diego Paulino

Sinopse: Entre melanina e planetas longínquos, NEGRUM3 propõe um mergulho na caminhada de jovens negros da cidade de São Paulo. Um ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora.

 

Perpétuo

FICÇÃO, COLORIDO, DCP, 25 MIN, 2018

Direção: Lorran Dias

Sinopse: Silvia e Alex voltam a morar juntos. Vida em movimento na diáspora brasileira.