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Aquilombar, o espaço da diversidade em BH

Por Naiara Rodrigues, jornalista e assessora de imprensa

Belo Horizonte tem um novo espaço cultural, a casa Aquilombar, que está localizada na Rua Itapecerica, 865, Lagoinha, território berço do samba e da boemia em BH. Com uma programação que destaca a cultura negra, periférica e LGBTQIAPN+, a casa propõe a diversidade e promove a conexão entre artistas de vários territórios do Brasil. Na programação, estão ritmos variados como samba, pagode, funk, reggae, música eletrônica, forró, pagodão baiano e atrações inéditas em BH.

À frente do Aquilombar, estão duas mulheres empreendedoras que acumulam anos de experiência na produção cultural, Fatini Forbeck e Nathalia Trajano.  A casa conta com festas residentes como o  “Quilombo do Samba”, que traz a tradição e cultura popular negra;  a “BREEU”, que celebra a diversidade com ritmos que vêm das quebradas; a “Bafafá”, que traz samba, pagode, latinidades e funk; a festa “Trava”, que exalta a potência da comunidade trans/não-binarie, e o projeto “Refrescos” que propõe um momento para os trabalhadores relaxarem, depois de bater o ponto, ao som de um pagodinho de leve, nas terças-feiras.

Tributo à matriarca nas telonas

Por Naiara Rodrigues, jornalista e assessora de imprensa

A produtora mineira Filmes de Plástico lançou neste ano um curta-metragem homenageando uma de suas principais atrizes, Dona Zezé. O filme “Nossa Mãe Era Atriz”, com direção de André Novais Oliveira e Renato Novaes, traz a trajetória da Maria José Novais Oliveira, uma senhora negra, moradora da periferia de Contagem, que já nos seus 60 anos se tornou atriz de cinema, com uma carreira premiada no Brasil e internacionalmente. O documentário é dirigido pelos filhos da atriz, e rememora a imagem de uma mulher ímpar, que marcou o cinema brasileiro dos anos 2010, atuando em filmes como Fantasmas (André Novais Oliveira, 2010), Ela Volta Na Quinta (André Novais Oliveira, 2015) e Quintal (André Novais e Murilo Martins, 2015). O filme emociona ao apresentar imagens de bastidores e o afeto de uma família cinematográfica que marcou o cinema contemporâneo.

10 anos da Lei de Cotas nas universidades

Fruto da luta de décadas do movimento negro, a Lei de Cotas (Lei no 12.711/12) completa 10 anos de implantação em 2023. Para celebrar a efeméride, os jornalistas Márcia Maria Cruz, Gabriel Araújo e Vinicius Luiz lançaram o livro Vidas Inteiras – Histórias dos 10 anos da Lei de Cotas, pela Crivo Editorial. Produzida com recursos da Lei Municipal de incentivo à Cultura de Belo Horizonte, a obra apresenta histórias de pessoas que foram beneficiadas pela lei de cotas ao mesmo tempo em que reconstrói a trajetória de lutas até a aprovação da legislação. O livro já está disponível pra vendas por R$ 35 e, em Belo Horizonte, pode ser adquirido na Livraria Jenipapo (Rua Fernandes Tourinho, 241 – Savassi). Mais informações na página do projeto no Instagram @vidasinteiraslivro

Por Naiara Rodrigues, jornalista e assessora de imprensa

Pedrinhas, o novo disco de Sérgio Pererê

O cantor, compositor e multi-instrumentista mineiro, Sérgio Pererê reuniu músicas de sua autoria que ainda não estavam presentes em nenhum de seus álbuns no novo disco: Pedrinha. O álbum traz dez canções que versam sobre temas como africanidade, ancestralidade, devoção, cura, meditação e realiza um forte diálogo com a cultura tradicional do Reinado de Minas Gerais. Pedrinha traz canções compostas por Sérgio Pererê ao longo de sua carreira que carregam uma forte marca étnica, tanto africana quanto andina. “É um disco que traz alguma coisa nova, mas, na verdade, faz um passeio pelas canções que fiz ao longo da carreira. É um álbum que tem um caráter mais sagrado. Uma definição boa para o disco é pensar na oração”, explica Pererê.

Por Naiara Rodrigues, jornalista e assessora de imprensa

Festival Gira – Ativação da Melanina

Por Naiara Rodrigues – Jornalista e assessora de imprensa

Em um universo nutrido pela vozibilidade dos tambores ancestrais, o Festival Gira realizou sua 1ª edição oferecendo uma programação cultural com música, dança com arrastão de banda de rua, DJs, show e samba de terreiro. Iniciando com o tradicional arrastão do Bloco Afro Magia Negra, acompanhado dos Clarins da Bahia (SSA), o evento conduziu o público da rua Diamantina até o Galpão 54, onde passaram pelo palco o Samba de Terreiro e a Banda de Palco do Magia Negra, com a participação de Sérgio Pererê, Celso Moretti, Angola Janga, Baianas Ozadas e a Roda, além das apresentações de DJ DJAHI e DJ Preta ShowMe.

Criado para estimular a prática da ativação da melanina por meio da corpo oralidade, estimulada pelos sons dos tambores de couro, sintéticos e eletrônicos, o evento traz a proposta de promover alegria, liberdade, saúde e descolonização dos corpos. A primeira edição do Festival GIRA trouxe como tema os Tambores de Couro, e a proposta é explorar outros formatos da musicalidade a cada edição.

“Mulheres na Roda de Samba” chega a 6ª edição 

Em BH, o movimento reunirá 40 cantoras e instrumentistas de várias gerações, no dia 25 de novembro, no Três Pretos. 

6º Encontro de Mulheres na Roda de Samba em BH irá reunir mais de 40 sambistas no Três Pretos – Foto Cissa Otoni

Belo Horizonte terá o 6º Encontro Nacional e Internacional de Mulheres na Roda de Samba”, no dia 25 de novembro, com a participação de mais de 30 cantoras e 10 instrumentistas de Belo Horizonte e Região Metropolitana. A madrinha do Samba de Minas, Dona Eliza, é quem irá abrir o encontro em Belo Horizonte. 

O evento é uma realização do movimento “Mulheres na Roda de Samba”, idealizado em 2018, pela cantora Dorina. Todo ano uma artista do samba é homenageada e em 2024 a será a cantora Teresa Cristina. 

O evento que representa o símbolo de resistência e visibilidade da mulher no samba, teve adesão nos últimos anos de 21 estados brasileiros e atravessou a fronteira nacional, sendo representado em oito países: Argentina, Chile, Uruguai,  Portugal, Itália, França, Holanda e Japão, alcançando três continentes. Ao todo, o movimento possui coordenação e representatividade em 43 cidades no mundo, em nove países, em três continentes. 

O formato do Encontro Nacional das Mulheres na Roda de Samba acontece simultâneo, no mesmo dia e mesmo horário, às 17h de Brasília, cantando as mesmas músicas na abertura que homenageia a cantora Teresa Cristina. Em seguida, cada cidade dá continuidade ao show com repertório privilegiando as sambistas que abriram a porta para a projeção de um mercado feminino, como Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Beth Carvalho, Elizeth Cardoso, Leci Brandão, Jovelina Pérola Negra, Tia Surica, entre tantas outras.

O público pode acompanhar a transmissão de cada cidade através da página de facebook do projeto: Mulheres na Roda de Samba. (Facebook: https://www.facebook.com/mulheresnarodadesamba). 

Quem quiser acompanhar pelo canal do youtube vai fazer um giro em todas as cidades. Pois a transmissão do canal vai intercalar ao vivo as transmissões de cada cidade. 

Sobre o Movimento:

Idealizado pela cantora Dorina, o movimento Mulheres na Roda de Samba surgiu em 2018, o projeto tem a proposta de unir as rodas de samba femininas, assim como profissionais de diversas áreas da cadeira produtiva que compõe o mercado do samba, incluindo além das cantoras, instrumentistas, produtoras, técnicas de som, luz, dj, fotógrafas, e até mesmo design, assessoras de impresa, publicitárias de todo o pais e do mundo, criando uma rede entre as artistas e aumentando as trocas culturais, além de contribuir para fortalecer a divulgação para o público da força feminina do samba.

Em 2018 nasceu o Encontro Nacional e Internacional de Mulheres na Roda de Samba, com a proposta de evidenciar as mulheres que fazem samba, abrangendo no evento apenas mulheres, apontando os diferentes setores que elas ocupam no samba, reunindo cantoras, instrumentistas, djs, operadoras de som, técnicas, fotógrafas, seguranças, até massagistas. O primeiro ano (Ano Beth Carvalho) aconteceu no dia 24 de novembro de 2018, reunindo 10 estados brasileiros e um país internacional, somando 14 cidades. A cada ano o evento é dedicado a uma cantora (viva) que representa o samba, e o ano é intitulado pelo nome da homenageada. O segundo ano (Ano Leci Brandão) aconteceu em 9 de novembro de 2019 e teve a presença de 19 estados e três países, somando 28 cidades ao todo. A terceira edição (Ano Elza Soares) somou 20 estados, 5 países, totalizando 32 cidades; e a quarta edição (Ano Alcione), que aconteceu no dia 11 de dezembro de 2021, encerrou a inscrição com 20 estados e oito países, somando 37 cidades. A quinta edição (Ano Tia Surica), aconteceu no dia 10 de dezembro e teve a participação de 17 Estados, 5 países e 31 cidades. Este ano, em 2023, acontece a sexta edição, que será dedicada à cantora Teresa Cristina. 

O Encontro Nacional e Internacional de Mulheres na Roda de Samba vai acontecer no dia 25 de novembro e todas as cidades irão se apresentar no mesmo dia, e horário (de Brasília), sempre às 17h. 

Mais informações em : mulheresnarodadesamba.com.br

Facebook e Instagram do projeto

6º Encontro Nacional e Internacional de Mulheres na Roda de Samba – Belo Horizonte

Encontro de sambistas de várias gerações, aquece os corações com amor e ancestralidade

Data: 25 de novembro de 2023

Local: Três Pretos Bar – Av. Pedro II, 3608 – Jardim Montanhês Belo Horizonte

A casa abre às 15h e o samba inicia às 17h.

Ingressos pelo Sympla: aqui

Coordenação 6º Encontro Nacional e Internacional de Mulheres na Roda de Samba – BH

Notícias

Marcelo Amaro lança seu novo álbum intitulado SAMBÁFRICA

Gaúcho radicado no Rio de Janeiro, o artista se tornou presença importante na cena do samba contemporâneo carioca. O álbum apresenta onze composições sendo dez delas inéditas, com destaque para a faixa-título “Sambáfrica”, uma parceria de Marcelo Amaro com Mamau de Castro e Daniel Delavusca, que conta com a participação do babalawô nigeriano Ìdòwú Akínrúlí na fala inicial em iorubá: “Samba Ìṣe wa ni. Àṣà wa n.i Ẹ̀yin ọmọ áfríkà. Ẹ jẹ a jọ gbé árugẹ “.

Marcelo Amaro apresenta diversas tramas rítmicas e sonoridades de linhagem africana, exaltando sua própria herança cultural. O samba vem sempre em primeiro plano, numa feliz e rara conjunção entre tradição e contemporaneidade.

Prêmio Internacional de Arquitetura Belo Horizonte 

A Casa no Pomar do Cafezal, localizada no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, foi a vencedora do prêmio de “Casa do Ano 2023” no Concurso Internacional do ArchDaily, um dos principais portais de arquitetura do mundo. A casa é do artista belo-horizontino Kdu dos Anjos, gerente do Centro Cultural Lá da favelinha, e concorreu na categoria com residências no México, índia, Vietnã e Alemanha.  A escolha foi realizada por meio de votação online. O imóvel de 66 metros quadrados foi construído propositalmente, com tijolos expostos, sem reboco e pintura, e tem o chão finalizado na técnica cimento queimado. O projeto é assinado pela dupla de arquitetos Fernando Maculan e Joana Magalhães.

Sibilas do Tijuco: Vozes que Ecoam

O Museu Casa dos Contos recebeu neste ano a exposição SIBILAS DO TIJUCO – Vozes que ecoam, de Marcial Ávila. A exposição do artista diamantinense apresenta a arte como uma experiência de pura inspiração. As obras apresentadas são marcadas pela sensibilidade do artista, e também representam o trabalho de pesquisa da professora Maria Cláudia Almeida Orlando Magnani, o qual alicerçou as criações de Marcial. As peças apresentam dimensões artísticas, culturais e religiosas retratando personagens que ultrapassam a experiência mitológica e, de forma inusitada, chegam até nós como mensageiras de virtudes inspiradoras para além do seu aspecto religioso. Além das pinturas e das 12 Sibilas e painel da Sibila Ciméria (Cumana), de Marcial Ávila, também compôs a exposição a obra Véu Quaresmal Sibilino, de Caetano Luiz de Miranda (Século XVIII). A sequência das Sibilas do artista resulta da contemplação da abóbada da capela-mor da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim e dos véus quaresmais sibilinos somada a tantas outras experiências e impressões acumuladas ao longo de sua trajetória. 

 A exposição SIBILAS DO TIJUCO – Vozes que ecoam de Marcial Ávila apresenta a arte como uma experiência de pura inspiração

Dança-Afrobrasileira – Identidade e Ressignificação Negra

O dançarino e coreógrafo Evandro Passos lançou o livro “Dança Afro-Brasileira – Identidade e Ressignificação Negra”. Resultado de sua dissertação de mestrado concluída em 2011, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o livro apresenta um relato da trajetória de jovens de vilas e favelas de Belo Horizonte que, por meio das danças de matrizes africanas, puderam “ressignificar suas vidas”. O livro resgata parte da história da dança afro no Brasil por meio de entrevistas e depoimentos e dá destaque para o pioneirismo da coreógrafa Marlene Silva, uma das principais referências da dança afro-mineira e responsável pela formação do dançarino no início de sua carreira.

Livro resgata parte da história da dança afro no Brasil

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Um MC

Um dos nomes em evidência do Hip Hop mineiro, Roger Deff, lançou em abril o videoclipe “UM MC”, faixa que está em seu disco “Pra Romper Fronteiras”. O rapper, músico, jornalista e produtor cultural explorou em sua nova produção o papel do hip hop no acesso à cidadania e valorização das periferias. Assinam a direção do videoclipe Marcelo Araújo e Marcos Cruz. A produção faz uma viagem histórica na cultura hip hop, celebrando suas diversas linguagens, como o graffite, o break, a escrita, a música, o disco e as juventudes, homenageando os 50 anos da cultura hip hop. No elenco, além do rapper, estão os artistas Eduardo Sô, Bruna Pimenta, DJ Roger Dee, DJ Hamilton Jr, Mr Mad Jay 68 e Matéria Prima. O videoclipe pode ser visto no canal de youtube do artista: www.youtube.com/@RogerDeff

Holofotes em Clayton Nascimento

O ator Clayton Nascimento tem sido destaque nos palcos e nas telinhas do Brasil. Intérprete, diretor e dramaturgo, foi vencedor do Prêmio Shell na categoria Melhor Ator, pela atuação no espetáculo “Macacos” que discute o racismo estrutural no Brasil. Criado em 1988, o Prêmio Shell de Teatro é a mais tradicional premiação da cena teatral brasileira. O apagamento das memórias e ancestralidades negras dão a tônica no espetáculo da Cia do Sal, dirigido e interpretado pelo ator. O espetáculo aborda a estruturação do racismo no Brasil e se coloca em cena a partir do relato de um homem negro em busca de outros espaços para ocupar diante do adjetivo macaco, que nomeia a obra. Clayton Nascimento é preto, nordestino e cria da periferia de São Paulo. Ele se prepara agora para brilhar também nas telinhas como Caíto, um artista que trabalha na região da Lapa, no elenco de Fuzuê, próxima novela das sete da TV Globo. Ele fará parte do núcleo dramático da protagonista Giovana Cordeiro, que conta ainda com Ary Fontoura, Heslaine Vieira e Walkyria Ribeiro.

Clayton Nascimento se prepara para brilhar nas telinhas como Caíto, um artista que trabalha na região da Lapa, no elenco de Fuzuê, próxima novela das sete da TV Globo – Foto Acervo Pessoal

À luta, a voz

O Coletivoz Sarau de Periferia prepara, em 2023, circuito em comemoração aos 15 anos de história literária em Belo Horizonte. O projeto “Histórias e memórias de poesia pra mesa de bar” foi pensado para celebrar encontros, reunir poetas e ouvintes, além de disseminar a escrita marginal por cinco regionais da capital mineira. Ao longo dos 15 anos de existência, o Coletivoz realizou mais de 200 edições, disseminando arte e poesia através da palavra aberta, democrática, suprapartidária e política. Além disso, o coletivo potencializa e empodera o trabalho de autores e moradores da periferia, geralmente excluídos do processo de produção literária no país. A agenda de celebrações que acontece ao longo de todo o ano pode ser acompanhada no perfil do coletivo no Instagram: @coletivoz.

Coletivoz Sarau de Periferia lança o projeto “Histórias e memórias de poesia pra mesa de bar” – Foto Acervo Pessoal

Canjerê Mulher destaca artistas negras com show gratuito de Elisa de Sena e a DJ Black Josie

O show abre o calendário de eventos do Projeto Canjerê, em 2023, que promoverá rodas de conversas, encontros literários, pocket shows e mais

O Instituto Cultural Casarão das Artes Negras abre no sábado, dia 25 de março, às 19h, a agenda cultural do Projeto Canjerê em 2023, com o Canjerê Mulher, que apresenta o show da artista Elisa de Sena com participação especial da DJ Black Josie. Realizado desde 2016, o Canjerê Mulher convida mulheres negras artistas, que têm dado importantes contribuições para o cenário da arte negra em Belo Horizonte, sobretudo no campo da literatura, do teatro e da música. O show acontece na Casa Canto (Rua Augusto de Abreu, 343, bairro Boa Vista) e a entrada é gratuita (sujeito à lotação da casa).

A apresentação traz o show “CURA – percussiva e eletrônica”, que promove um encontro musical entre a cantora, compositora e percussionista Elisa de Sena e a DJ Black Josie. O repertório do show é composto de canções do álbum CURA, de 2019, lançado por Elisa e produzido pela DJ Black Josie, além dos singles da cantora, produzidos no último ano e releituras de músicas da MPB.

Imagem das artistas Elisa de Sena e Dj Black Josie que se apresentam juntas no Canjerê Mulher
Elisa de Sena e Dj Black Josie – Foto Paulo Oliveira

Elisa de Sena usa sua arte, voz e corpo para abordar ancestralidade, liberdade, direito de ser e ocupar, dentre tantas outras temáticas que surgem de forma natural na sua obra. Seu trabalho musical é enraizado na percussão afro-brasileira, especialmente nos tambores de Minas Gerais, mesclados com elementos da música eletrônica. Já a musicista e produtora musical, Luciana Gomes, reúne suas habilidades e experiências profissionais para dar vida à “DJ Black Josie “, e dedica-se à pesquisa da soul music e sua reverberação no Brasil.

O show abre a agenda de atividades do Projeto Canjerê em 2023, que contará com mais três encontros ao longo do ano, que resgatam costumes tradicionais da cultura negra e celebram as diferentes formas de vida das pessoas negras.  A curadora do Projeto Canjerê, Rosália Diogo, ressalta a importância de se abrir a agenda de atividades do projeto no mês de março, dando destaque para o trabalho de uma mulher, no mês que marca a luta internacional pela igualdade de gênero. “Fortalecermos as iniciativas culturais de mulheres negras, reconhecendo e dando visibilidade ao seu potencial, é uma das formas que temos para seguirmos de mãos dadas contra o racismo e a violência contra as mulheres pretas”, destaca Rosália Diogo.

Projeto Canjerê 2023

O projeto Canjerê é uma iniciativa do Instituto Casarão das Artes, que tem por objetivo promover atividades e debates com temáticas relacionadas à arte e cultura de matriz africana. Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

A programação dos eventos contará ainda com a 7ª edição do Canjerê Independência de Moçambique, que será realizado em junho, em alusão à Independência do país africano, ocorrida em 20 de junho de 1975. Nos últimos anos o Instituto Casarão das Artes vem desenvolvendo um trabalho de promoção da cultura de Moçambique, mantendo uma agenda de relacionamentos junto aos moçambicanos residentes em Belo Horizonte, que fazem intercâmbio acadêmico, ou que exercem atividades profissionais na cidade, além de moçambicanos que vivem no país africano.

Outra ação prevista para este ano, é a Mostra Conceição Evaristo, no mês de julho, que se volta para a produção literária negra e assuntos pungentes que dominam o cotidiano político e social brasileiro. Já em novembro, o Projeto Canjerê trará um grande encontro artístico-cultural para marcar o Mês da Consciência Negra.

Instituto Cultural Casarão das Artes Negras

O Instituto Cultural Casarão das Artes Negras nasceu em 2013, com o intuito de valorizar e promover a cultura africana e afro-brasileira, além de contribuir para o enfrentamento do racismo na sociedade brasileira. A instituição ganhou destaque no cenário cultural de Belo Horizonte por meio da valorização da arte, música, moda, literatura e culinária. Além de realizar anualmente o projeto Canjerê e outras agendas, o Instituto também é responsável pela publicação Revista Canjerê, atualmente com periodicidade semestral.

SERVIÇO

Projeto Canjerê 2023 apresenta Canjerê Mulher

Dia 25 de março, sábado, às 19h

Show “CURA – percussiva e eletrônica”, com Elisa de Sena e DJ Black Josie.

Local: Casa Canto (Rua Augusto de Abreu, 343, bairro Boa Vista).

Entrada gratuita (sujeito à lotação da casa)

Projeto Afro-gastronomia será realizado no Centro Cultural Venda Nova(BH)

 
Afro-gastronomia: sabores e saberes ancestrais é um projeto que visa a descolonização da cultura e da gastronomia mineira, além de mostrar a contribuição da população negra na culinária de Belo Horizonte.
Serão ofertados um workshop, duas mesas de debate e encerramento com intervenção poética. 
  
A coordenação geral é de Kelma Zenaide. Mulher negra, descendente do kilombo de Pinhões, umbandista, lésbica, Kelma é especializada em literatura africana e afro brasileira, escritora, oficineira, culinarista, sommelier de cervejas e proprietaria da Kitutu – gastronomia Afro-brasileira: cozinha afetiva inspirada na tecnologia ancestral, com foco no protagonismo e na valorização do ofício da mulher negra cozinheira.

O evento será realizado no dia 06 de julho, a partir das 09h, no Centro Cultural Venda Nova. Entrada gratuita. 

Siga a página do projeto no Instagram @afrogastronomiabh
 
Este projeto foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte / Edital Descentra.