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Canjerê

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Equipe Casarão das Artes Negras

Como já se sabe, nesta seção, a gente relata para você as nossas participações e coberturas em eventos realizados pelo Casarão das Artes Negras, realizados por parceiros, em territórios que consagram agendas relacionadas à matriz africana.

A 20ª edição da nossa Revista foi lançada em junho, na mesma ocasião em que celebramos mais uma data da pós-independência de Moçambique. O local que escolhemos para esse lançamento foi o Viaduto das Artes, no Barreiro. Essa escolha se deu no contexto da Exposição “Moçambique – Brasil: Uma Ponte Contra-Colonial”, a partir de fotografias de Patrick Arley.  Parte da equipe esteve no local, juntamente com o moçambicano Cláudio Manjate, que vive no Brasil há alguns anos. As imagens selecionadas para a exposição foram produzidas pelo fotógrafo, durante pesquisa de campo no norte de Moçambique, no continente africano, e nos terreiros de reinado, umbanda e quimbanda, em Minas Gerais.

Em setembro, junto com a chegada da primavera, o Casarão das Artes realizou a segunda etapa do Projeto Canjerê 2023 – Mostra Conceição Evaristo. A agenda aconteceu na Sede do Casarão das Artes – Casa Canto, no bairro Boa Vista.  A protagonista da dramaturgia foi a atriz e produtora cultural, Carlandreia Ribeiro.

A performance, intitulada Conceição Evaristo – Memória e Poesia, contou a história da escritora mineira Conceição Evaristo, desde a sua infância na extinta favela do Pindura Saia em Belo Horizonte, sua ida para o Rio de Janeiro e sua trajetória como uma das maiores referências da literatura e da intelectualidade brasileira. 

Utilizando o conceito de Escrevivência cunhado pela autora, o espetáculo fez um passeio pela sua obra desde os primeiros poemas publicados nos Cadernos Negros, Becos da Memória, Olhos D’água e Ponciá Vicêncio. Canções das tradições bantu e yorubá e textos da atriz Carlandréia Ribeiro permeiam toda a cena fazendo uma costura entre textos e memórias ancestrais trazidas pela escritora. 

No final de setembro, estivemos no Rio de Janeiro para prestigiarmos a exposição Um Defeito de Cor, no Museu de Arte do Rio de Janeiro – MAR.  A curadoria promoveu uma revisão historiográfica da escravidão abordando lutas, contextos sociais e culturais do século XIX. Um Defeito de Cor, a exposição foi uma interpretação do livro de mesmo nome da escritora mineira Ana Maria Gonçalves, que conta a saga de uma mulher africana, chamada Kehinde que, no Brasil, precisa lutar por sua liberdade e reconstruir sua vida.

No dia primeiro de outubro, o Casarão promoveu o Canjerê Brasil – Moçambique – Laços Ancestrais, a partir de um movimento de conexão entre a Associação Mineira de Estudos da Capoeira – AMEC, presidida pelo mestre Beto Onça e os capoeiristas moçambicanos professores, Lua, Escorpião e Preguiça, integrantes de um grupo de pesquisas sobre capoeira em Moçambique, denominado Capoeira Ginga de Maputo.  Para estabelecer esse entrelace, a AMEC realizou uma vivência, no Centro Cultural São Geraldo, com a participação de dezenas de alunos, professores, mestres e contramestres de capoeira de Belo Horizonte e região metropolitana, além de várias convidadas e convidados de outras áreas do conhecimento.

Ainda em outubro, parte da equipe da instituição esteve na cidade de Diamantina, a convite dos organizadores da Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Marcial Ávila, sócio fundador do Casarão, participou do tradicional cortejo, encarnando o personagem João Fernandes, o contratador, que foi casado com a ex-escravizada, Chica da Silva. Rosália Diogo, chefe de redação da Canjerê, performou na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, apresentando o poema Vozes-mulheres, da escritora Conceição Evaristo.

O Casarão das Artes Negras, que é um Ponto de Cultura, desde 2021, fez uma apresentação artística no 1º Fórum dos Pontos de Cultura de Belo Horizonte, no dia 20 de outubro, quando foi apresentada a performance Canjerê no Ponto, uma mistura entre Samba e Capoeira.

Essa mesma apresentação cultural, que traduz parte da produção cultural do Casarão das Artes Negras foi apresentada também na 12ª edição do Festival de Artes Negra–FAN, que ocorreu entre os dias 23 a 29 de outubro.

Pessoal, estamos em movimento, em conexão com a arte e cultura negra. Venha com a gente! Axé!

Canjerês em BH, Diamantina e na Bahia

Em junho, o Casarão das Artes iniciou a execução do Projeto Canjerê, aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura.  Estão sendo promovidas várias atividades e debates com temáticas relacionadas à arte e à cultura de matriz africana. A programação contemplou a 4ª Mostra Conceição Evaristo – Uma homenagem à mulher negra, o lançamento da 16ª edição da Revista Canjerê e apresentações artísticas.

A 4ª Mostra Conceição Evaristo apresentou duas mesas de conversas. A primeira, “Reflexões sobre a escrevivência na literatura”, contou com a participação da homenageada, a escritora Conceição Evaristo, além da poeta Nívea Sabino e da escritora Constância Lima Duarte. Rosália Diogo foi a mediadora da mesa que ainda trouxe a performance de Eneida Baraúna na abertura.

A segunda mesa, “Artes que dialogam com as escrevivências”, teve a participação da atriz Carlandreia Ribeiro, do ator Evandro Nunes e da multi-instrumentista Nath Rodrigues que, além de compor a mesa, ainda realizou a performance de abertura da atividade. A mediação foi de Sandrinha Flávia.

Em alusão ao aniversário de Independência de Moçambique, o projeto ainda contou com o lançamento da 16ª edição da Revista Canjerê – atividade seguida por relatos históricos sobre o país e as músicas que destacaram a riqueza da cultura moçambicana. Participaram da conversa o educador social Cláudio João Manjate e o escritor Alex Dau, ambos moçambicanos, a escritora Madu Costa e a pesquisadora Rosália Diogo. 

A atividade Canjerê Mulher também integrou a programação do projeto no mês de julho e apresentou o show musical de Dona Jandira,  com participação de  Dona Elisa.

Para o Canjerê de novembro, a curadoria lança um olhar para artistas da música, da literatura, das artes cênicas, pensador@s e pesquisador@s de assuntos relacionados à arte e cultura negra que têm se destacado em atividades diversas na capital mineira. Nesse caso, Sergio Diaz e Carlandreia Ribeiro representam artistas que têm um pensamento crítico sobre as desigualdades raciais que ocorrem no Brasil e propõem uma intervenção que prima pela resistência e por agendas que impulsionam a valorização e o fomento das artes negras.

A nossa equipe esteve em Diamantina, entre os dias 13 e 19 de agosto, com o objetivo de acompanhar a 8ª Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais e Jornada Cultural – Patrimônio Afrodescendente daquela cidade. Destacamos a inauguração do Museu dos Escravos, no distrito de Mendanha, a visita ao Quilombo Quartel do Indaiá e a performance do ator, coreógrafo e bailarino das danças de matriz africana, Evandro Passos. Ele performou “Um Negro de Quilate”, em homenagem ao ex-escravizado em Diamantina, Izidoro. A encenação derivou de um poema do artista visual e poeta, Marcial Ávila, membro do Conselho editorial da Revista Canjerê.  O poema, que celebra a resistência, a sabedoria e a altivez de Isidoro, recebeu muita luz a partir da montagem de Evandro Passos que, ao som de atabaques, dançou e interpretou o texto de maneira contundente emocionando a todos. O mais interessante dessa apresentação foi o fato de os dois artistas terem colaborado para a visibilidade de uma história pouco conhecida na cidade, os feitos do “Escravo Isidoro”.

Foto: Rosália Diogo

Uma outra agenda que nos mobilizou neste semestre foi a ida à Bahia, “Nossa África”. Estivemos nas cidades de Santo Amaro da Purificação e Cachoeira. Em Santo Amaro, tivemos contato com o assentamento Maria Luíza, destinado aos Sem Terra. Trata-se de um Quilombo em que a maioria de pessoas pretas plantam, cultivam e vivem de maneira tradicional os hábitos de uma boa convivência com a natureza: folhas, água e terra. Mestre Ivan (capoeirista) é uma das importantes lideranças locais que, com muita sabedoria, resiste aos modos de opressão do sistema patriarcal.

Foto: Rosália Diogo

Voltamos a Diamantina em setembro para prestigiar a exposição TRUNFOS DA FÉ, de Marcial Ávila, que foi patrocinada pela Lei Aldir Blanc do Estado de Minas Gerais, cuja proposta é construir o diálogo entre as religiões de matrizes africanas e o catolicismo por meio da iconografia de seus Orixás e Santos, que permeiam tanto as discussões sobre arte quanto a perspectiva histórica.

Crédito: Giselle Oliveira

O projeto foi produzido por Josiane Hohene e montado por Ronaldo Adriano, com a curadoria do pesquisador Robson Di Brito que produziu uma investigação exclusiva sobre o tema Santos e Orixás. Durante a exposição, aconteceu uma apresentação de dança dos Orixás que contou com a participação da Mãe de Santo Dalva e do consagrado bailarino Evandro Passos. O encerramento da exposição contou com um debate entre Padre Mauro, coordenador do Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos na grande Belo Horizonte, de Robson de Brito, com a mediação da pesquisadora Leydiani Peric.

Crédito: Rosália Diogo

Canjerê – eventos que valorizam a arte e cultura negra

As lives que alimentaram a nossa alma Canjerê

Diante da pandemia, que infelizmente se arrasta muito além do que prevíamos e desejávamos, nos resta registrar por aqui as agendas que foram verdadeiros Canjerês em nossas almas. 

Iniciamos por registrar as ações do Projeto Quilombos de Corpo e Alma, cujo empreendedor foi o artista plástico e membro do conselho editorial da nossa revista, Marcial Ávila. Ele também foi o facilitador das oficinas de criação de máscaras africanas. O Projeto, patrocinado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que teve início do final de 2020 e encerrou-se em abril de 2021, consistiu no estudo e na criação de máscaras africanas. A ação ocorreu em interface com os segmentos da dança e da música, dois grandes potencializadores da criatividade presentes nos tradicionais festejos quilombolas.

Projeto Quilombos de Corpo e Alma – Estudo e criação de máscaras africanas Foto divulgação

Foi uma proposição da valorização da identidade de matriz africana, bem como uma oportunidade geradora de renda para os quilombos urbanos: Mangueiras e Manzo Ngunzo Kaiango. As oficinas contemplaram diretamente cinquenta pessoas das respectivas comunidades. 

A luta e a resistência do povo quilombola na ocupação dos espaços urbanos em Minas Gerais é histórica. Em Belo Horizonte, os territórios conquistados por seus antepassados formam comunidades com vivências e aspectos culturais de grande diversidade e riqueza. A manutenção de seus territórios e de suas tradições perpetuam a existência das múltiplas manifestações da cultura afro-brasileira.

Evandro Passos falou sobre a trajetória da bailarina e coreógrafa Marlene Silva – Foto acervo pessoal

No dia 18 de março de 2021, o bailarino, coreógrafo, ator e pesquisador em cultura afro-brasileira e africana Evandro Passos recebeu um convite da Rede Solear de Dança para uma live em que o tema foi a trajetória da bailarina e coreógrafa Marlene Silva.

Evandro falou da Dança Afro como linguagem de palco que chegou por meio dessa ex-integrante do Balé Folclórico Mercedes Baptista, em meados dos anos 70.  Pontuou principalmente as apresentações de Marlene Silva que aconteciam, inicialmente, dentro do sistema hegemônico em casas de espetáculos como o Palácio das Artes e o Teatro Francisco Nunes.

Passos ressaltou que antes de abrir sua escola, Marlene Silva ministrou aulas em diversas academias de dança de Belo Horizonte como a Academia Ana Pavlova, Studio Karits, Academia Internacional de Balé. Para o dançarino e pesquisador, a coreógrafa consolidou-se em BH num momento em que novas linguagens e códigos manifestavam-se e professavam-se em consonância com a emergência de novos valores no ideário da população negra graças ao Movimento Negro Unificado.

Marlene chegou a Belo Horizonte no período em que a população negra se mobilizava em termos de ações afirmativas as mais variadas: a adoção do penteado afro, a produção de audiovisuais, jornais e panfletos, a difusão de informações em feiras, sambas e locais públicos de dança e de encontro culturais nos quais a negritude estava presente, afirmou o pesquisador.

O FESTIVAL SAMBA DE TERREIRO reverencia a origem do samba – Foto Divulgação

No dia 2 de maio, foi a vez de prestigiarmos o Festival Samba de Terreiro. O Projeto Samba de Terreiro, criado pelo músico, dançarino, educador e agitador cultural mineiro Camilo Gan, tem como objetivo principal levar ao conhecimento da sociedade os elementos essenciais que originaram o samba: Reza do Corpo, Toques de Tambores, Improvisação Vocal e Interatividade. O FESTIVAL SAMBA DE TERREIRO reverencia a origem do samba, evidenciando a importância da energia feminina para o surgimento e preservação desse gênero musical gerado primordialmente pela influência dos povos  africanos Bantus vindos para o Brasil. 

Presenças altamente potentes participaram do Festival como o pesquisador Marcos Cardoso, Dóris do Samba, a cantora Tamara Franklin, a umbandista Dayse de Yansâ, o pesquisador e radialista Carlinhos Visual, a culinarista Kelma Zenaide entre outras.

África, centralidade das nossas ações neste semestre


Mais uma vez, o Casarão das Artes  realizou, no dia 25 de maio, uma celebração ao continente que é o berço da humanidade – a África. Em 2020, a homenagem ao continente foi feita em parceria com a OHM Kollektiv.

Convidamos os africanos Filinto Silva, caboverdeano, e Mauro Brito, moçambicano, para colaborarem conosco. Eles trouxeram preciosas  informações sobre o continente. Da diáspora brasileira, teremos a participação de Makota Cassia Kidoiale, de Dj Leo Olivera e da pesquisadora Rosália Diogo. O evento será permeado por falas e músicas que expressam o melhor da cultura musical africana. Convidamos vocês para acessarem as redes sociais dos realizadores do evento.

O Dia da África é a comemoração anual realizada desde 25 de maio de 1963 pela fundação da Organização de Unidade Africana (OUA). Nesse dia, os líderes de 30 dos 32 estados africanos independentes assinaram uma carta de fundação, em Addis Abeba, na Etiópia.  Em 1991, a OUA estabeleceu a Comunidade Econômica Africana e, em 2002, a OUA estabeleceu o seu próprio sucessor, a União Africana. No entanto, o nome e a data do Dia de África foi mantido como uma celebração da unidade africana e o tema do Dia de África 2012 é “África e da Diáspora”. A celebração de Nova York foi realizada em 31 de maio de 2011. Em Nairobi, foi comemorado no Parque Uhuru Recreational Park. Há de se notar que o Dia da África é celebrada como um feriado público em apenas cinco países africanos, Gana, Mali, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe. No entanto, as celebrações são realizadas em alguns países africanos, bem como pelos africanos na diáspora.

Dessa vez, o lançamento da 14ª edição da Revista Canjerê, em tempos de pandemia, foi virtual. Nessa oportunidade, e mais uma vez, em alusão ao aniversário de Independência de Moçambique, e em homenagem ao país irmão, o Casarão das Artes realizou, em parceria com o Museu das Minas e do Metal, Gerdau, uma live no canal do YouTube do Museu, no dia 25 de junho. O evento foi permeado por relatos históricos sobre o país e músicas que destacaram a riqueza da cultura moçambicana. Os relatos sobre Moçambique foram feitos pelo moçambicano Cláudio João Manjate, educador social e auxiliar administrativo, que mora em Belo Horizonte desde 2018; Alex Dau, escritor moçambicano e videomaker; Madu Costa, escritora, pedagoga, arte-educadora e contadora de histórias; Makota Cassia Kidoiale, liderança comunitária do Manzo Ngunzo Kaiango, kilombo urbano de BH e autora do livro “Ventos Fortes de um Kilombo”, além da pesquisadora e curadora do Casarão das Artes, Rosália Diogo. A curadoria das músicas moçambicanas ficou a cargo do professor, pesquisador e DJ Leo Oliveira. Moçambique alcançou sua independência, ainda que relativa, no dia 25 de junho de 1975, portanto, na ocasião da live, celebramos os 45 anos da jovem nação.

Aproveitamos esse espaço, para apresentar um pouco da história de Moçambique, chamado carinhosamente de a “Pérola do Índico”.


No dia 11 de julho, acompanhamos pela TV, no Programa Brasil nas Gerais, uma reportagem com @s parceir@s do Casarão da Artes –  PROJETO EN’CANTAR. El@s são Crianças e jovens negras que têm feito a diferença na cena artística da cidade. Elas apresentam contos, poemas, brincadeiras e canções que envolvem todo o público celebrando a valorização das culturas tradicionais do Brasil e do continente africano. Lúdica e interativa, a encenação se desenvolve com ricos contos populares como forma de transmitir conhecimentos e vivências de maneira simples e divertida. Brincadeiras e poesia não podem faltar. Em cena: Raisla Maria, João Lucas, Sarah Silva,  Zahi e o público.

Sara Silva, filha de pai compositor e baterista, teve o contato desde cedo com universo musical. Zah iAisha, filha de mãe sambadeira e pai rapper, sempre viveu a arte como forma de expressão. Meninas de uma voz encantadora que emociona a todos, começaram se apresentando em festas da família, interpretando vários gêneros músicas. A partir de 2015, começaram a escrever suas primeiras músicas, demonstrando o domínio da arte de compor. O repertório delas vai do samba a MPB em uma linguagem própria do universo lúdico da criança e hoje querem fazer dessa diversão um ofício.

Os irmãos Raisla Maria e João Lucas  são artistas mirins que atuam como atores, modelos, mestres de cerimônia e poetas. Nas atividades de literatura e educação, João Lucas recebe o título de “príncipe das letras” e Raisla o título de “princesa urbana”.

Canjerês em tempos de Isolamento Social

Equipe Casarão das Artes

Em dezembro de 2019, lançamos a 13ª edição da Revista Canjerê. O momento foi coroado com a participação cênica que teve como referência o bailado Maracatu Chico Rei.  A performance, Chico Rei, teve a direção de Lucas Madruga e as encenações de Madu Santos, Camila Morales, Bernadete Nascimento e José Nilson. 

Equipe da Revista Canjerê – Crédito: Rosália Diego

A ação cultural dialogou com a abertura da exposição Maracatu Chico Rei – um elo entre o erudito e o popular, por meio da música, no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, em parceria com o projeto Nujazz no Parque, coordenado pelo Dj Leo Olivera. No contexto do lançamento, também foram comemorados os 5 anos do Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado e o aniversário de 122 anos da cidade de Belo Horizonte.


Apresentação abertura exposição Maracatu Chico Rei – Crédito: Rosália Diego

Em janeiro de 2020, a equipe do Casarão das Artes se deslocou para a cidade de Jaboticatubas com o objetivo de acompanhar as celebrações da Folia de Reis. Essa manifestação cultural é realizada há algumas décadas pelo Quilombo Matição. Com pouco mais de 100 habitantes, os moradores mantêm vivos os segredos do candombe, o movimento do corpo no batuque, o festejo e a melodia das cantigas de roda e os cantos da negra Tança, usados na “apanha” da lenha e em outros momentos de trabalho. O artesanato é uma prática local, utilizando bambu, pintura em panos de prato, confecção e tapetes. Trata-se de uma iniciativa de resistência cultural afro-brasileira, seguida por algumas famílias quilombolas que mantêm a tradição de andarem em várias casas, rezando, cantando e tocando instrumentos típicos de uma folia.

Ainda em janeiro, estivemos na cidade de Serro, interior de Minas Gerais, para participar da 36º edição do Festival de Cultura do Popular do Vale do Jequitinhonha – Festivale. O homenageado da edição foi Mestre Antônio, da cidade de Minas Nova.  A experiência foi encantadora, pois ali estavam reunidos vários artistas e mestres da cultura popular, sendo a maior parte deles negros e negras, ou divulgadores e fazedores/as da cultura de matriz africana. O encerramento contou com a participação de várias Guardas de Congadas.

Pois bem, traçamos alguns percursos a serem seguidos para acompanharmos presencialmente várias agendas relacionadas às culturas negras a partir de março. Mas, eis que a pandemia do Coronavírus chega.  Com ela, as limitações de agendas culturais presenciais.

Assim, o que faremos agora é destacar uma manifestação cultural afro-brasileira que nos é muito cara – O Congado.  Sistematicamente, acompanhamos os festejos do Rosário, que acontecem há 12 anos, no Reinado Treze de Maio, no bairro Concórdia, em Belo Horizonte onde se apresentaram as Guardas de Moçambique e Congo Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário. A Rainha das Guardas é Isabel Cassimiro, a querida Belinha, que é também Rainha do Congo do Estado e Minas Gerais.  Diante da impossibilidade do encontro físico, o Casarão das Artes e a Revista Canjerê apoiaram o projeto de “vakinha”, espécie de campanha virtual de arrecadação de recursos para a manutenção e melhorias do reinado.

Participamos das atividades religiosas no modo virtual. No dia 9 de maio, ocorreu a primeira live, com a participação de diversos artistas da cidade. Já no dia 17, a festa de Treze de maio aconteceu com lives d@s seguintes artistas: Cida Reis, Juliana Perdigão e Maurício Tizumba. Para dar início às duas agendas, fomos agraciad@s com uma benção da Rainha Belinha.

Há décadas que participamos dos festejos que acontecem também no Quilombo dos Arturos. Uma das principais manifestações mantidas pela comunidade é a “Festa da Abolição”, que ocorre a cada dia 13 de maio como forma de ressignificar o ato da propalada abolição da escravatura que, na realidade, não existiu. O que vivemos atualmente são novos modelos e formas de escravização da população afro-brasileira. Aos poucos, vão chegando, na capela local, reis e rainhas de diversas outras realezas, capitães, tocadores e dançantes devotos de Nossa Senhora do Rosário. Junto com eles, cores, ritmos e a fé em dias de mais igualdade entre as pessoas.

Embora tenha caráter festivo, a celebração é uma forma de resistir: a abolição da escravatura é ainda um projeto em construção, e isso precisa ser constantemente reafirmado.

O nosso forte desejo é o de que para a próxima edição da nossa Canjerê, possamos trazer relatos e imagens de alguns encontros presenciais. Afinal, a cultura negra é pura resistência, fé, foco e beleza. Sobreviremos ao Covid-19 e teremos muitas boas novas sobre as ações da arte e cultura negra para contar para vocês.

Resistência: Moçambique, Quilombo dos Arturos, Samba do Meio-Dia e Fela Kuti

Equipe Casarão das Artes

Chegamos ao quarto ano da Revista Canjerê.  Seguramente estamos falando de mais um ato de resistência do Instituto Cultural Casarão das Artes. A 12ª edição foi lançada no Museu das Minas e do Metal e em homenagem ao nosso querido país, Moçambique, que completou 44 anos de regime “pós-colonial” no dia 25 de junho. Com as ilustres presenças do moçambicano Cláudio Manjate, dos músicos Márcio e Sílvio Santos, e dos nossos queridos amigos e seguidores, a noite foi de puro Canjerê. O moçambicano Cláudio João Manjate é educador Social e auxiliar administrativo que mora em Belo Horizonte desde 2018; Márcio Santos é multi-instrumentista autodidata e cantor. Ele se apresenta em bares e festas particulares, cantando e se fazendo acompanhar  de violão e teclado e compartilhou a apresentação neste dia com o irmão, Sílvio Santos.

Lançamento da 12ª edição da Revista Canjerê. Foto: Rosália Diogo

No dia 30 de junho, o Consulado de Moçambique celebrou o Dia de Independência de Moçambique com uma grande festa no Consulado de Moçambique, que fica em Vespasiano. O Casarão das Artes se fez presente. A grande questão que apontamos é: como podemos juntos buscar formas de melhorias econômicas e sociais para aquele país?  A questão surge sobretudo a partir da preocupante situação de devastação a que chegou o país que foi abatido por dois ciclones em 2019. O desastre deixou centenas de morte e deixou milhares de pessoas desabrigadas.

Homenagem à independência de Moçambique. Foto: Rosália Diogo

Em outubro, três grandes agendas foram realizadas ou acompanhadas pela equipe do Casarão das Artes:

No início do mês, a nossa equipe foi prestigiar a Festa de Nossa Senhora do Rosário, realizada pela comunidade dos Arturos. A Comunidade dos Arturos é composta pelos descendentes de um antigo escravo de nome Artur, vem daí o nome Arturos e preservam sua cultura e religiosidade por meio dos Congados. Está sediada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. É uma das mais antigas comunidades de Minas Gerais, sendo a mais velha com mais de 128 anos. Em sua 6ª geração, a Comunidade dos Arturos é a mais tradicional comunidade quilombola do município.  A programação foi marcada por cortejos, atividades congadeiras, desfile de guardas de congo, além da tradicional Missa Conga, entre outras celebrações culturais e religiosas que fazem parte da rica história da Comunidade.


Missa Conga – Comunidade dos Arturos. Foto: Rosália Diogo

No dia 17, no Museu das Minas e do Metal, foi a vez de o Casarão das Artes realizar mais um tributo à Fela Kuti por meio de uma Roda de Conversa sobre a pessoa e a música desse ativista político e músico, com ênfase no seu perfil de multi-instrumentista e ativista político devido aos seus ideais pan-africanistas, no seu relevante e utópico papel na música negra, em todos esses processos.

Na ocasião, contamos com depoimentos do nigeriano Olugbenga Olusola Fayenuow e interpretações de canções em Yorubá com a cantora Eda Costa. Assim, essa foi a nossa forma de homenagear um dos mais instigantes e carismáticos personagens do Continente Africano.


Tributo à Fela Kuti.

Dia 27, no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, prestigiamos a apresentação do Samba do Meio-Dia, um projeto que surgiu por meio da vivência e da necessidade das sambadeiras e sambadores do Samba da Meia-Noite. Com a presença das crianças (filhos e filhas das sambadeiras e sambadores), era necessário criar um espaço para que elas se expressassem pois era possível perceber o quanto a música, a dança, o ritmo, ou seja, a arte se faziam presentes em suas vidas por conviverem com a grande família de samba de roda.

Samba do Meio-dia. Foto: Ricardo Laf

A apresentação encheu os olhos do público, pois a maioria não havia tido a oportunidade de assistir à apresentação de crianças e jovens tão engajados em preservar a tradição, a alegria e a arte dos seus ancestrais.

Um salve à resistência cultural do povo negro, na África e na diáspora!

CANJERÊS, CULTURA POPULAR E TRADIÇÃO – ESPELHO DE BH

Lançamento da Revista Canjerê 10ª edição

Em maio, no dia 10, no Museu das Minas e do Metal, instituição parceira do Casarão das Artes, rolou o lançamento da 9ª edição da Revista Canjerê. O evento foi permeado por um super show do músico Babu, juntamente com sua banda.

A matéria de capa foi construída a partir do universo da escritora, juíza, desembargadora e ex-Ministra da Educação e Ensino Superior, Vera Duarte. Sua valorosa entrevista possibilita conhecermos um pouco mais sobre Cabo Verde, seu país. A escritora fala sobre política, literatura, relação de gênero, relação homem-mulher, racismo no Brasil e tantas outras pautas sociais que levantam questionamentos e que afetam vidas, tanto em nosso país, quanto em Cabo Verde/África. Foi uma linda noite de Canjerê.

Festa de Nossa Senhora do Rosário no Reinado Treze de Maio

Ainda em maio, duas potentes agendas mobilizaram a participação da nossa equipe. Uma delas foi a Festa de Nossa Senhora do Rosário, alusiva à falsa abolição, que aconteceu no Reinado 13 de Maio, durante treze dias, sob o comando da Rainha do Congo de Minas Gerais, Isabel Cassimira. A festa também celebrou os 74 anos da Guarda de Moçambique e os 20 anos da Guarda de Congo do Reinado Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário. O festejo foi encerrado no dia 13, com uma missa conga, celebrada por Frei Chico.

Arte e Cultura Negra na Semana dos Museus

Outra atividade que mereceu a nossa participação foi a 16ª Semana dos Museus no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. Realizada entre os dias 15 e 20 de maio, com várias atividades relacionadas ao tema do ano: Museus hiperconectados – novas abordagens, novos públicos. O Casarão das Artes indicou alguns nomes que divulgam a arte e a cultura negra na cidade como a escritora Madu Costa, o Grupo Brother Soul, a artista visual, Lira Marques e o projeto Nujazz no Parque.
Dialogamos com a proposta da Seman
a de Museus, que foi a busca de conexões com o pensamento e a produção de diferentes áreas culturais da cidade.

Visita do Rei Ooni de Ifé (Nígéira) à Minas Gerais

Entre os dias 14 e 17 de junho, a Majestade do Reino de Ifé, Nigéria, fez uma visita inédita ao Brasil. Em sua passagem por Belo Horizonte, a equipe do Casarão das Artes teve a honra e a alegria de compor o grupo que o recebeu no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. Na ocasião, o Rei e sua comitiva foram recepcionados por várias guardas de congado. Momento ímpar e rico da diversidade cultural que permeia o Brasil plural.

Aniversário da Independência de Moçambique no Consulado de Moçambique em Minas Gerais

Em junho, também foi a vez de participarmos da celebração/homenagem ao nosso país irmão: Moçambique. Aceitamos o convite do Consulado de Moçambique em Minas Gerais para participar do 43º aniversário do país, que foi realizado no dia 23. Foram momentos de muita emoção e de interação cultural em que a capoeira e o congado deram o tom de como o povo brasileiro tem se apropriado e ressignificado o legado cultural do continente africano.

Pesquisador@s negras de Michigan em Belo Horizonte. Momentos de trocas culturais

No dia 04 de julho, o Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango nos convidou para receber conjuntamente, uma delegação de professor@s/pesquisador@s estadunidenses. Na comitiva havia um professor de arquitetura e um dançarino clássico e afro, com reconhecimento mundial. Entre as mulheres – uma professora de literatura e a curadora de um Museu. Também compôs o grupo, uma dançarina e artista plástica, uma percussionista e uma professora de educação inclusiva. Eles se interessaram bastante pelas pautas relacionadas ao genocídio da juventude negra e sobre a forma de organização das mulheres negras no Brasil.

Canjerê Independência de Moçambique

No âmbito do Programa Noturno nos Museus, que aconteceu na noite de 20 de julho, foi a vez do Casarão das Artes fazer, ao seu modo, uma homenagem a Moçambique. Para tanto, foram convidad@s a escritora Madu Costa, que declamou alguns poemas de poetas moçambicanos e angolanos como José Craveirinha, Noêmia de Sousa e Agostinho Neto; e o Dj Leo Olivera, que acionou a sua pik up musical e presenteou o público presente ao Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, com um pouco das belas músicas moçambicanas, como a tradicional marrabenta.