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Canjerê

Resistência: Moçambique, Quilombo dos Arturos, Samba do Meio-Dia e Fela Kuti

Equipe Casarão das Artes

Chegamos ao quarto ano da Revista Canjerê.  Seguramente estamos falando de mais um ato de resistência do Instituto Cultural Casarão das Artes. A 12ª edição foi lançada no Museu das Minas e do Metal e em homenagem ao nosso querido país, Moçambique, que completou 44 anos de regime “pós-colonial” no dia 25 de junho. Com as ilustres presenças do moçambicano Cláudio Manjate, dos músicos Márcio e Sílvio Santos, e dos nossos queridos amigos e seguidores, a noite foi de puro Canjerê. O moçambicano Cláudio João Manjate é educador Social e auxiliar administrativo que mora em Belo Horizonte desde 2018; Márcio Santos é multi-instrumentista autodidata e cantor. Ele se apresenta em bares e festas particulares, cantando e se fazendo acompanhar  de violão e teclado e compartilhou a apresentação neste dia com o irmão, Sílvio Santos.

Lançamento da 12ª edição da Revista Canjerê. Foto: Rosália Diogo

No dia 30 de junho, o Consulado de Moçambique celebrou o Dia de Independência de Moçambique com uma grande festa no Consulado de Moçambique, que fica em Vespasiano. O Casarão das Artes se fez presente. A grande questão que apontamos é: como podemos juntos buscar formas de melhorias econômicas e sociais para aquele país?  A questão surge sobretudo a partir da preocupante situação de devastação a que chegou o país que foi abatido por dois ciclones em 2019. O desastre deixou centenas de morte e deixou milhares de pessoas desabrigadas.

Homenagem à independência de Moçambique. Foto: Rosália Diogo

Em outubro, três grandes agendas foram realizadas ou acompanhadas pela equipe do Casarão das Artes:

No início do mês, a nossa equipe foi prestigiar a Festa de Nossa Senhora do Rosário, realizada pela comunidade dos Arturos. A Comunidade dos Arturos é composta pelos descendentes de um antigo escravo de nome Artur, vem daí o nome Arturos e preservam sua cultura e religiosidade por meio dos Congados. Está sediada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. É uma das mais antigas comunidades de Minas Gerais, sendo a mais velha com mais de 128 anos. Em sua 6ª geração, a Comunidade dos Arturos é a mais tradicional comunidade quilombola do município.  A programação foi marcada por cortejos, atividades congadeiras, desfile de guardas de congo, além da tradicional Missa Conga, entre outras celebrações culturais e religiosas que fazem parte da rica história da Comunidade.


Missa Conga – Comunidade dos Arturos. Foto: Rosália Diogo

No dia 17, no Museu das Minas e do Metal, foi a vez de o Casarão das Artes realizar mais um tributo à Fela Kuti por meio de uma Roda de Conversa sobre a pessoa e a música desse ativista político e músico, com ênfase no seu perfil de multi-instrumentista e ativista político devido aos seus ideais pan-africanistas, no seu relevante e utópico papel na música negra, em todos esses processos.

Na ocasião, contamos com depoimentos do nigeriano Olugbenga Olusola Fayenuow e interpretações de canções em Yorubá com a cantora Eda Costa. Assim, essa foi a nossa forma de homenagear um dos mais instigantes e carismáticos personagens do Continente Africano.


Tributo à Fela Kuti.

Dia 27, no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, prestigiamos a apresentação do Samba do Meio-Dia, um projeto que surgiu por meio da vivência e da necessidade das sambadeiras e sambadores do Samba da Meia-Noite. Com a presença das crianças (filhos e filhas das sambadeiras e sambadores), era necessário criar um espaço para que elas se expressassem pois era possível perceber o quanto a música, a dança, o ritmo, ou seja, a arte se faziam presentes em suas vidas por conviverem com a grande família de samba de roda.

Samba do Meio-dia. Foto: Ricardo Laf

A apresentação encheu os olhos do público, pois a maioria não havia tido a oportunidade de assistir à apresentação de crianças e jovens tão engajados em preservar a tradição, a alegria e a arte dos seus ancestrais.

Um salve à resistência cultural do povo negro, na África e na diáspora!

CANJERÊS, CULTURA POPULAR E TRADIÇÃO – ESPELHO DE BH

Lançamento da Revista Canjerê 10ª edição

Em maio, no dia 10, no Museu das Minas e do Metal, instituição parceira do Casarão das Artes, rolou o lançamento da 9ª edição da Revista Canjerê. O evento foi permeado por um super show do músico Babu, juntamente com sua banda.

A matéria de capa foi construída a partir do universo da escritora, juíza, desembargadora e ex-Ministra da Educação e Ensino Superior, Vera Duarte. Sua valorosa entrevista possibilita conhecermos um pouco mais sobre Cabo Verde, seu país. A escritora fala sobre política, literatura, relação de gênero, relação homem-mulher, racismo no Brasil e tantas outras pautas sociais que levantam questionamentos e que afetam vidas, tanto em nosso país, quanto em Cabo Verde/África. Foi uma linda noite de Canjerê.

Festa de Nossa Senhora do Rosário no Reinado Treze de Maio

Ainda em maio, duas potentes agendas mobilizaram a participação da nossa equipe. Uma delas foi a Festa de Nossa Senhora do Rosário, alusiva à falsa abolição, que aconteceu no Reinado 13 de Maio, durante treze dias, sob o comando da Rainha do Congo de Minas Gerais, Isabel Cassimira. A festa também celebrou os 74 anos da Guarda de Moçambique e os 20 anos da Guarda de Congo do Reinado Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário. O festejo foi encerrado no dia 13, com uma missa conga, celebrada por Frei Chico.

Arte e Cultura Negra na Semana dos Museus

Outra atividade que mereceu a nossa participação foi a 16ª Semana dos Museus no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. Realizada entre os dias 15 e 20 de maio, com várias atividades relacionadas ao tema do ano: Museus hiperconectados – novas abordagens, novos públicos. O Casarão das Artes indicou alguns nomes que divulgam a arte e a cultura negra na cidade como a escritora Madu Costa, o Grupo Brother Soul, a artista visual, Lira Marques e o projeto Nujazz no Parque.
Dialogamos com a proposta da Seman
a de Museus, que foi a busca de conexões com o pensamento e a produção de diferentes áreas culturais da cidade.

Visita do Rei Ooni de Ifé (Nígéira) à Minas Gerais

Entre os dias 14 e 17 de junho, a Majestade do Reino de Ifé, Nigéria, fez uma visita inédita ao Brasil. Em sua passagem por Belo Horizonte, a equipe do Casarão das Artes teve a honra e a alegria de compor o grupo que o recebeu no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. Na ocasião, o Rei e sua comitiva foram recepcionados por várias guardas de congado. Momento ímpar e rico da diversidade cultural que permeia o Brasil plural.

Aniversário da Independência de Moçambique no Consulado de Moçambique em Minas Gerais

Em junho, também foi a vez de participarmos da celebração/homenagem ao nosso país irmão: Moçambique. Aceitamos o convite do Consulado de Moçambique em Minas Gerais para participar do 43º aniversário do país, que foi realizado no dia 23. Foram momentos de muita emoção e de interação cultural em que a capoeira e o congado deram o tom de como o povo brasileiro tem se apropriado e ressignificado o legado cultural do continente africano.

Pesquisador@s negras de Michigan em Belo Horizonte. Momentos de trocas culturais

No dia 04 de julho, o Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango nos convidou para receber conjuntamente, uma delegação de professor@s/pesquisador@s estadunidenses. Na comitiva havia um professor de arquitetura e um dançarino clássico e afro, com reconhecimento mundial. Entre as mulheres – uma professora de literatura e a curadora de um Museu. Também compôs o grupo, uma dançarina e artista plástica, uma percussionista e uma professora de educação inclusiva. Eles se interessaram bastante pelas pautas relacionadas ao genocídio da juventude negra e sobre a forma de organização das mulheres negras no Brasil.

Canjerê Independência de Moçambique

No âmbito do Programa Noturno nos Museus, que aconteceu na noite de 20 de julho, foi a vez do Casarão das Artes fazer, ao seu modo, uma homenagem a Moçambique. Para tanto, foram convidad@s a escritora Madu Costa, que declamou alguns poemas de poetas moçambicanos e angolanos como José Craveirinha, Noêmia de Sousa e Agostinho Neto; e o Dj Leo Olivera, que acionou a sua pik up musical e presenteou o público presente ao Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, com um pouco das belas músicas moçambicanas, como a tradicional marrabenta.