Canjerê > Mulheres Vivas. Mulheres Protegidas e as Áfricas em nossas pautas

Mulheres Vivas. Mulheres Protegidas e as Áfricas em nossas pautas

Certamente alguns de vocês estiveram conosco por ocasião dos dois momentos, que criamos para lançar a 25ª edição da nossa Revista Canjerê, em dezembro do ano passado.

É sempre uma alegria estarmos juntas e juntos, celebrando a arte e a cultura de matriz africana, bem como buscar o fortalecimento de pautas que afetam diretamente essas artes e culturas.

Um dos momentos de lançamento da Revista, em dezembro, foi no nosso espaço de afetos, trocas e criação: nossa sede, que é a Casa Canto. O outro espaço em que celebramos mais essa conquista foi o Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. Em parceria com o Projeto Nujazz no Parque, trocamos experiências e dançamos, em um baile, com uma turma do Black Soul, que mantém essa cultura vibrante no país. Lá estiveram o Grupo de Dança Artsoul, de Santa Luzia, a Academia Brasileira de Black Soul, de Sabará, e os djs Iza Black e Conrado Brown, de BH. Eles tocaram conjuntamente com os djs residentes do Coletivo OHM Jazzy: Vula, Giuliano D-oxb, Fabiano Silva e Leo Olivera.

O nosso calendário de 2026 foi aberto em março, com uma pauta sensível, de necessárias e urgentes medidas em relação à proteção às mulheres. Realizamos, no dia 6 de março, na Casa Canto, um encontro para debatermos sobre a alta escalada do feminicídio e a possibilidade de intervenções coletivas e mobilização. Algumas propostas relacionadas à possibilidade de políticas públicas serem implementadas foram discutidas também. Convocamos homens para essas reflexões. A Roda de Conversa foi composta por Marcos Cardoso, Seu João Xavier, Carlandreia Ribeiro e a mediação ficou por conta de Rosália Diogo. Para não perder de vista os nossos momentos poéticos, tivemos um sarau, coordenado pela poeta Dalva Silveira. E, finalizando a noite, o músico violoncelista e escritor, Carlos Márcio, fez uma apresentação musical em que ele nos brindou com trechos de óperas. Ele destacou o fato de haver a subalternização em relação às mulheres em algumas dessas montagens cênico-musicais.

O outro momento da nossa celebração ao Mês da Mulher foi uma parceria com a cantora e escritora Madu Costa e com o músico e compositor Tininho Silva. Eles cantaram e fizeram várias reflexões sobre a importância da proteção e do respeito em relação às mulheres. Outra parceria que enalteceu essa tarde foi o projeto Linha das Montanhas: bordando águas, que brindou o público com uma Ciranda de Saias. O Coletivo OHM Jazzy: Vula, Giuliano D-oxb, Fabiano Silva e Leo Olivera foram parceiros nessa tarde de protestos, música e ciranda, tocando música de mulheres.

Com muita alegria, destacamos, mais uma vez, a nossa presença no continente africano, por meio da chefe de redação da revista. Rosália Diogo esteve no arquipélago de Cabo Verde, em abril, precisamente na capital – Praia, para fazer trocas interculturais e para palestrar sobre as aproximações entre a literatura brasileira e cabo-verdiana.  Momento ímpar, mediado pela desembargadora, ex-ministra da educação do país e escritora Vera Duarte, que já foi destacada na matéria de capa da 9ª edição na nossa revista.

Mais detalhes desse encontro afro-diaspórico em Cabo Verde estará na próxima edição da Canjerê.

Para celebrar o Dia Internacional da África, oficialmente referenciado no dia 25 de maio, realizamos duas agendas que foram a 2ª edição da Mostra Quelimane, de filmes moçambicanos. A agenda ocorreu entre os dias 8 e 10 de maio, no Cine Santa Tereza. Os filmes exibidos foram Quelimane é Carnaval, de Alex Dau, Empregada Doméstica e Calei Demais, de Sergio Libilo e  Vutomi Dza Ku Dzi N’ga Heli – É a vida que nunca acaba, dirigido por Gabriel Navajo e Carlos Daniel. A abertura ficou por conta dos djs Vula, Fabiano Silva e Leo Olivera, que tocaram músicas africanas. A primeira edição foi realizada o ano passado, no Sesc Palladium.

A outra celebração se deu no dia 15 de maio, no Centro Cultural Banco do Brasil, no dia 15 de maio. Canjerê – Dia Internacional da África: Roda de Conversa e Intervenção Musical. A ação teve início com uma roda de conversa sobre histórias da África e da diáspora brasileira, com Abdoul Razack , nascido na República do Benim. Mestre em Demografia pelo Cedeplar-UFMG, economista formado pela UFMG e com a Dra. Rosália Diogo, chefe de redação da Revista Canjerê. Para ampliar a experiência, a atividade se desdobrou em uma intervenção musical com a cantora Raquel Seneias, que aborda a história do samba como expressão artística de matriz afro-brasileira.

Seguimos firmes em nosso propósito de enaltecer e dar visibilidade à África e às mais diversas experiências, que conseguimos acessar na diáspora brasileira.

Essa postagem foi possível graças a um dos nossos parceiros:​

Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

Você também pode gostar

Esta matéria foi produzida a partir da pesquisa de mestrado de Frederico Maciel, o Negro F, cuja dissertação foi defendida na Universidade de São Paulo (USP) e eu tive a honra e o orgulho de ter feito parte da banca examinadora. Tenho um orgulho muito grande de ser moradora da regional Leste de Belo Horizonte, bairro Santa Efigênia, regional investigada por Frederico. Ainda que a administração municipal tenha realocado o bairro em que moro na regional Centro-Sul, insisto em defender que este é um bairro da regional leste.
O cantor, compositor mineiro, Sérgio Pererê reuniu músicas de sua autoria que ainda não estavam presentes em nenhum de seus álbuns.
Em um cenário global cada vez mais guiado por imagens e narrativas, a formação de jovens no audiovisual tem se mostrado uma ferramenta poderosa de transformação social.