Poeta, em que medita?
Por que vives triste assim?
É que eu a acho bonita
E você não gosta de mim.
Poeta, tua alma é nobre
És triste, o que o desgosta?
Amo-a. Mas sou tão pobre
E dos pobres ninguém gosta.
Eu sou o teu passado e o teu presente
Através de ti retornei à vida, ó filho de África
Porque trazes no sangue a força de todos os escravizados
És tu quem vai hastear para sempre a bandeira da liberdade
Meu corpo vazou a fronteira e rompeu o véu do tempo
Em fluxo reverso revi o trajeto dos meus
Vi a dor escancarada que dilacera a carne
Ouvi os gritos de minha tataravó
Senti o cheiro e a náusea
Fui desfazendo as correntes...