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O Natal dos Silva

A Filmes de Plástico, nascida em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, já faz história há 17 anos. Fundada pelo produtor Thiago Macêdo Correia e pelos cineastas André Novais Oliveira, Gabriel Martins e Maurílio Martins, a produtora está à frente de curtas e longas premiados, com circulação nacional e internacional. Em cena, uma geografia local, humana e social eternizada por lentes de rigor ético e estético, com muita gente preta e periférica como protagonistas e sujeitos de suas vidas, de suas histórias e de suas fabulações. Filmes como Contagem, Quinze, Constelações, Fantasmas, Pouco mais de um mês, Rapsódia para um homem negro, Nada, Temporada, Ela volta na quinta, No Coração do mundo e Marte Um são algumas de suas páginas indesviáveis.

Com O Natal do Silva, a Filmes de Plástico debuta no universo das séries, em parceria com o Canal Brasil. E fez uma bela estreia. Se o Natal é uma das datas mais entranhadas na cultura, no espírito e no imaginário brasileiro, sua representação audiovisual é quase nula em termos de DNA brasileiro. Na verdade, era porque O Natal dos Silva é puro povão – o que é, afinal, o melhor do Brasil na opinião deste escriba –, carimbada até no sobrenome patrimônio. Os Silva têm que se ver com o primeiro Natal sem a matriarca, e então, irmãs e irmãos, filhos e filhas, sobrinhos, cunhados, noras e netos vão para a arena coloridíssima para brigar, bater boca, ofender, se reconhecer, se achar, se perdoar e se amar.

Aquele tipo de amor que se mira no abismo que marca tantas famílias. Se na Filmes de Plástico é comum cada integrante trabalhar nos filmes uns dos outros em diferentes funções, aqui, no seriado, temos o luxo de ter os três integrantes da Filmes dirigindo os episódios – são cinco –, com criação de Gabriel e com um elenco dos deuses, com nomes como Rejane Faria, Carlandréia Ribeiro, Carlos Francisco, Leonardo de Jesus, Marisa Revert, Renato Novaes, Aisha Bruno, Robert Frank, Ítalo Laureano, Raquel Pedras e muitos outros bambas. Destaques também para a fotografia de Ciro Thielmann e a genial direção de arte de Rimenna Procópio. A série está disponível no streaming.

Adilson Marcelino é preto, jornalista, pesquisador de cinema brasileiro e criador do site Mulheres do Cinema Brasileiro.

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Sandra Nandaka

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