Exibição de Vaga Carne e homenagem a Grace Passô abrem 22a Mostra de Cinema de Tiradentes

Por Naiara Rodrigues

A abertura da Mostra de Cinema de Tiradentes nesta sexta-feira, contou com performances em tom político que ressaltaram a força da arte enquanto expressão essencial para humanidade. Sob a temática que rege a 22a edição do festival, “Corpos Adiante”, a noite teve  trilha sonora executada ao vivo pelo Barulhista, e performances de artistas como Elisa Nunes, Gláucia Vendeveld, Nívia Sabino, Rejane Faria e Zora Santos.

Um dos pontos altos foi a entrega do troféu Barroco à homenageada da edição a atriz, dramaturga e diretora, Grace Passô. Ao receber o prêmio a Grace disse esperar que todos se sentissem também homenageados. Ela também destacou a importância da escolha do tema da edição no momento vivido pelo país. “É necessário estarmos atentos, nos responsabilizar não só através de palavras, mas de gestos, de governos se resposabilizarem por festivais como este, por uma arte que é um chão existencial. Não se vive sem arte, estamos num momento em que o cinema e a arte brasileira precisam entender a pontências de muitos corpos, assim como o que eu ocupo, de mulheres negras que produzem, das nossas existências estarem nas telas e sobretudo ter a possibilidade e acesso a arte”, afirmou Passô. Em seguida, Valdete Lima Paes Souza, mãe da artista, que acompanhou a homenagem também falou sobre a felicidade de presenciar aquele momento. “O homem não precisa só comer e dormir, um país sem arte é um país morto” concluiu.

Vaga Carne

Após a homenagem e apresentações de abertura, foi exibido em pré-estreia mundial de Vaga Carne, um média-metragem que é uma recriação do espetáculo homônimo, assinado por Grace e Ricardo Alves Jr. O conteúdo inédito trouxe em uma linguagem audiovisual a narrativa da peça teatral que foi encenada pela primeira vez em 2016, e que também ganhou uma versão literária em 2018, publicada pela editora Javali. A peça foi indicada aos prêmios BRAVO!, APTR, Prêmio Questão de Crítica, Shell RJ, Prêmio Cesgrario, Prêmio Leda Maria Martins, sendo vencedora dos cinco últimos.

O filme retrata a partir da situação de invasão do corpo de uma mulher negra por uma voz estranha, a urgência de reconhecimento deste corpo em relação ao seu lugar de pertencimento. A voz que aos poucos toma a protagonista, também perde a sua projeção sonora a medida em que se reconhece na existência do corpo que ocupou.