O Instituto Cultural Casarão das Artes Negras completa 12 anos de atuação em 2025, promovendo ações de valorização da cultura africana e afro-brasileira em Belo Horizonte. A nossa Revista Canjerê, que comemora 10 anos neste ano, atua na promoção de literatura, moda, culinária, música e debates em torno da luta antirracista.
Dia da África
Nos dias 24 e 25 de maio, promovemos uma programação especial em comemoração ao Dia da África, celebrado em 25 de maio. O evento contou com rodas de conversa, apresentações musicais afro-brasileiras e africanas, feira de produtos e a performance cênica do poeta e ator Vando Eurípes.
A programação teve início no sábado, 24 de maio, na Casa Canto e contou com uma roda de conversa sobre nomes africanos, conduzida por Sandra Flávia Nandaka e Eduardo Amaral, seguida de atrações musicais que reforçam o elo entre Brasil e África: o músico Márcio Santos levou repertório afro-brasileiro, enquanto os DJs Vula e Leo Oliveira animaram a noite com música africana contemporânea. Além disso, aconteceu uma feira de produtos afro-brasileiros, com marcas como Niari Cosméticos, AKUENDA, BADU Acessórios e OORUN Ayê, que reforçam a potência criativa e estética da cultura negra.
No domingo, 25 de maio, data oficial do Dia da África, o Casarão recebeu o Projeto Nujazz no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. O destaque foi para a participação especial do poeta e ator Vando Eurípes, que apresentou a performance musical cênica “Nascença, Vivença, Sabença, Passança”.
Aniversário de Moçambique e Angola
Desde 2015, essas nossas instituições celebram o aniversário da independência de Moçambique. Por este motivo, o primeiro lançamento das duas edições anuais da revista aconteceu no mês de junho, para que fizéssemos fazer uma atividade festiva em conjunto.
Nos dias 28 e 29 de junho deste ano, voltamos a fazer essa celebração. Desta vez, saudamos também o cinquentenário de independência de Angola, que será comemorada no dia 11 de novembro. Tudo isso, em meio ao novo ciclo da Década dos Povos Afrodescendentes (2025-2034), instituída pela Organização das Nações Unidas – ONU.
A programação aconteceu no sábado, dia 28, no Espaço Cultural Casa Canto, com a performance lítero-musical “Ponto Negro Entre Dois Mundos”, conduzida pelo artista Sérgio Diaz e acompanhada pelos músicos Leonardo Madeira e Márcio Santos. Em comemoração aos 50 anos de independência de Moçambique e Angola, a apresentação propôs uma profunda reflexão sobre a diáspora africana e seus múltiplos desdobramentos.
A noite contou ainda com o recital “No alto da Colina canto a África”, em que o poeta Robson Di Brito recebeu as convidadas Dalva Silveira e Rosália Diogo para uma apresentação poética dedicada às raízes africanas e à ancestralidade, reafirmando o compromisso do evento com a valorização das múltiplas expressões da cultura negra.
No domingo, 29 de junho, a programação seguiu em parceria com o Projeto Nujazz no Parque, no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. O evento contou com apresentações musicais dos DJs Vula, Leo Olivera, Fabiano Silva e Giulliano D-Oxb, e intervenções poéticas de Dalva Silveira, Robso Di Brito e Rosália Diogo. A programação também incluiu a exposição “Muthianas e Capulanas de Moçambique”, do fotográfo e jornalista moçambicano Albino Moisés, trazendo as cores, tecidos e simbologias da cultura moçambicana.
Projeto Canjerê no Reinado
O projeto Canjerê no Reinado teve início em abril, com a participação da mestra kilombola Ione de Oliveria, e performance poético-musical de Madu Costa, Tininho Silva e Babu Xavier. Em julho, tivemos a segunda etapa, tendo como entrevistada a Rainha Belinha e a participação artístca de Carlandreia Ribeiro, Juninho Ribeiro e Robert Franklin e Kaio Koncá. Em setembro, ocorreu a terceira edição do projeto e nele tivemos a oportunidade de ouvir sobre a experiência da mestra Kelma Zenaide e de curtir o Sampagode, com Ana Hilário e banda. Está prevista para novembro a quarta e última etapa deste projeto especial que homenageia as mulheres negras mestras da cultura popular – reinadeiras, benzedeiras, mães de santo, parteiras, cozinheiras, raizeiras e festeiras juninas – por meio de rodas de conversa e saraus com artistas negras.
Mostra Quelimane de Filmes Moçambicanos e Brasileiros
Entre os dias 15 de agosto e 14 de setembro, realizamos, em Belo Horizonte, a Mostra Quelimane, que celebra o encontro entre filmes moçambicanos e brasileiros.
O projeto foi uma realização do Cine Sesc e do Casarão das Artes Negras com curadoria de Rosália Diogo. Inspirada pela cidade de Quelimane, em Moçambique, reconhecida por um Carnaval que dialoga com o brasileiro, a Mostra trouxe produções como Quelimane é Carnaval, do cineasta moçambicano Alex Dau. Dois documentários, realizados pela produtora e escola de audiovisual moçambicana foram exibidos – Calei Demais e Empregadas Domésticas. O documentário Vutomi Dza Ku Dzi N’ga Heli – É a vida que nunca acaba., gravado em Moçambique em 2018, com a direção de Gabriel Navarro e produção de Samora Nzinga também entrou na Mostra.
A representação filmográfica brasileira aconteceu com a exibição do filme Flores do Cerrado, com direção de Cida dos Reis e Cristiane Lage. Obra ambientada em Minas Gerais. Com ele, reafirmamos o diálogo entre territórios, histórias e resistências na diáspora brasileira.