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Trabalhar para Transformar: A Missão de Sérgio Libilo no Audiovisual

Por Sandra Flávia Nandaka, jornalista, empresária e apresentadora

Foto Falume Atiba

Em um cenário global cada vez mais guiado por imagens e narrativas, a formação de jovens no audiovisual tem se mostrado uma ferramenta poderosa de transformação social. Com essa visão, o empresário Sérgio Libilo criou em Maputo (Moçambique), em 2014, o projeto Olhar Artístico que mais tarde se tornou uma empresa chamada, Estúdio Olhar Artístico, Lda. A iniciativa já capacitou mais de 5.000 jovens em diversas áreas como operador de câmera, editor de vídeo, produtor de conteúdo, iluminação, som, realização/direção, apresentador de televisão e fotografia. Além dos cursos, o estúdio também oferece programas de estágio e oportunidades de emprego para seus alunos.

Sérgio iniciou sua trajetória no audiovisual há mais de duas décadas, após uma rara oportunidade de participar de um curso rápido de transmissão televisiva. Na época, seu país ainda carecia de estrutura para formação nas áreas de televisão e cinema, o que tornava o acesso ao conhecimento técnico um privilégio para poucos. 

Autodidata, construiu sua trajetória no audiovisual a partir da prática. Iniciou sua carreira na TV Miramar, onde aprendeu a operar câmeras e teve seus primeiros contatos com a produção televisiva. Em seguida, passou pela STV, atuou em uma produtora de conteúdo e cinema, a antiga Cine vídeo, e ingressou na Agência Golo, além de investir em cursos especializados para aprofundar seus conhecimentos e agregar valor à experiência prática que já acumulava ao longo dos anos.

Com objetivo de tornar o projeto relevante no cenário audiovisual, Sérgio buscou apoio em instituições estratégicas como a Associação Moçambicana de Cineastas (AMOCINE) e o Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC), “com essas parcerias, tínhamos a cobertura institucional que precisávamos para trabalharmos como um projeto, em outras palavras, diria que fomos incubados, explica.”. Também firmou parcerias com universidades, uma delas foi a Universidade Eduardo Mondlane.

Em 2017, decidiu que era o momento de deixar o seu trabalho na Agência Golo para transformar o projeto em uma empresa que se consolidou em 2023, passando a se chamar Estúdio Olhar Artístico, Lda. 

Para construir sua trajetória no audiovisual, o empresário relata que precisou passar por um processo profundo de autoconhecimento e transformação. Ele se desvinculou de crenças e padrões religiosos que o limitavam e decidiu buscar um novo caminho, pautado na liberdade de pensamento.

Mais do que trabalhar para sobreviver, Sérgio traçou um propósito maior: desenvolver primeiro o seu entorno, depois sua comunidade e, por fim, contribuir para o fortalecimento da indústria cultural em seu país. Esse se tornou o conceito que guia sua atuação: trabalhar para transformar.

O principal desafio que enfrenta é a ausência de estrutura para distribuição e a falta de políticas públicas voltadas ao financiamento da área. Segundo ele, o país enfrenta uma crise no setor de exibição, “Atualmente, não existem salas de cinema em funcionamento. Muitas das maiores salas foram transformadas em templos religiosos, o que evidencia o abandono do cinema como espaço cultural, afirma.”.

Sobre o futuro do Estúdio Olhar Artístico, Lda, o empresário que tem como sócios Jaime Mahumane e Finina Bila revela os próximos passos da empresa, “A meta é ter um centro de formação em cada província e investir em séries televisivas. Os trâmites burocráticos já estão em andamento.”.

Mais do que a expansão da empresa, o maior orgulho de Sérgio é ver o impacto social do projeto, “A minha maior alegria é ver jovens que hoje são autônomos e bem-sucedidos que estudaram com a gente e abriram suas próprias empresas.”.

A trajetória de Sérgio também é profundamente marcada por sua origem. Filho de João Libilo, pescador profissional de alto-mar, e de Leonor Helena, dona de casa, ele carrega consigo os ensinamentos da mãe, uma mulher de forte inteligência emocional e visão crítica. Foi ela quem o orientou a não permitir que as crenças religiosas limitassem seu desenvolvimento. “Em Moçambique, essas crenças muitas vezes anulam os jovens e vão contra nossa própria cultura, retirando a potência do jovem moçambicano”, ressaltou.

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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