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De excursões de bairro a referência internacional no turismo


A trajetória de Cledson Paixão: da infância simples em Divinópolis (MG) à construção de um negócio sólido, movido por propósito, estratégia e experiências de viagens que transformam vidas.


Por Sandra Flávia Nandaka – Jornalista, apresentadora e empresária

Antes de conhecer 74 países e liderar uma operação de turismo que se tornou referência internacional, Cledson Paixão aprendeu, ainda na infância, o valor do planejamento e da paciência. Filho de uma costureira e de um ferroviário, foi por iniciativa da mãe que teve os primeiros contatos com o negócio de turismo. Hoje, sua trajetória já soma seis agências de viagens.

Natural de Divinópolis (MG), o empresário carrega na memória uma infância marcada pela simplicidade e organização familiar. Filho de Francisca e Francisco Paixão, uma costureira e um ferroviário, o caçula de quatro irmãos cresceu em um lar onde nunca houve fartura, mas também jamais faltou o essencial.

Na relação com o pai, surgiu uma das lições mais profundas de sua trajetória quando pediu uma bicicleta de presente. Sempre organizado financeiramente, seu Francisco deu uma resposta que, à primeira vista, poderia soar frustrante, mas que se transformaria em um aprendizado para a vida. “Ele disse que iria me dar a bicicleta, mas apenas no aniversário do ano seguinte e que, até lá, não poderia me dar mais nada”, conta. Foram quase dois anos de espera, quando a bicicleta chegou foi uma festa.

Em uma época em que direitos trabalhistas quase não existiam, sua mãe, Dona Francisca, trabalhou em uma firma como costureira por quase 15 anos sem registro, enquanto o pai lidava com a rotina exaustiva na linha férrea sob o sol. Francisca fazia questão de levar a família a espaços que ampliassem a visão de mundo e o acesso à cultura.

Foi por uma iniciativa dela que surgiu o primeiro sinal do empreendedorismo no turismo. “Minha mãe queria nos levar para conhecer a praia. Ela encontrou uma senhora que organizava excursões e oferecia descontos caso quisesse vender passagens. Ela vendeu quinze lugares, ganhou um lugar e meio no ônibus e pagou o restante com dinheiro da costura.

No ano seguinte, Francisca alugou uma van e organizou a própria excursão com ajuda de uma das filhas, mobilizando vizinhos e amigos. Durante alguns anos, as viagens de Réveillon para Cabo Frio se tornaram tradição, reunindo pessoas da comunidade em torno de uma experiência acessível e bem planejada.

Quando Dona Francisca não pôde mais organizar as viagens por causa da costura, uma das filhas assumiu. Cledson sempre participou vendendo passagens para seus amigos. Com o tempo, assumiu o protagonismo do negócio e expandiu os destinos.

VIDA ACADÊMICA

O sonho de Cledson era fazer medicina, mas sem condições, seguiu para fisioterapia. Passou em 29º lugar. Na época, trabalhava na Autoescola Coimbra como atendente e pagava a faculdade, sempre em atraso, com a renda das excursões.

Nessa época, Cledson tinha uma amiga, a Ivani, que também fazia excursões. Os dois trocavam experiências e ela sempre dizia que deveriam abrir uma agência. Já perto de se formar, decidiram alugar um imóvel e dividiram todas as despesas da montagem nos seus cartões pessoais. “Dez dias depois, abrimos a agência sem nunca ter viajado de avião e sabendo quase nada de turismo.”

O empresário continuou conciliando o trabalho com carteira assinada à atuação na agência. Após se formar, chegou a acumular três frentes como fisioterapeuta: no Estrela do Oeste Clube, no Hospital São João de Deus, na área de ortopedia, além de atender cerca de 30 pacientes em domicílio. Durante três anos, trabalhou sem retorno financeiro na agência.

Ao completar quatro anos de empresa, entendeu que aquele ciclo societário havia chegado ao fim. Ivani ficou com a empresa e, em 2019, Cledson abriu a Tropical Turismo, especializada em viagens em grupo.

FAMÍLIA, BASE FORTE

Cledson e Jakson no inverno em Nova York

A rotina era intensa, mas podia contar com sua irmã Cláudia Paixão. Geralmente, a agência fechava às 18h, porém os dois seguiam até às 22h organizando contratos, impulsionados pelo alto volume de vendas.

Chegou um momento em que já não conseguiam atender todos os perfis de clientes, a estratégia, no entanto, não foi replicar a Tropical Turismo, mas apostar nas franquias da Azul Viagens.

Cledson e seu marido, Jakson Pascoal, firmaram sociedade com sua irmã, Cristiane Paixão, e o marido dela, Adnan Nunes. O crescimento foi rápido, em pouco tempo abriram a segunda loja e, na terceira, Jakson Pascoal deixou a odontologia para se dedicar integralmente ao negócio, impulsionando ainda mais a expansão.

Atualmente, são cinco franquias da Azul Viagens: duas em Divinópolis, uma em Itaúna, uma em Pará de Minas e outra em Governador Valadares, além da Tropical Turismo. As empresas contam com cerca de 30 colaboradores.

Por cinco anos consecutivos, a unidade da Azul Viagens Divinópolis (MG) foi premiada como a loja que mais vende no Brasil dentro da rede de franquias.

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Sandra Nandaka

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Além de DJ e pesquisador, Leo é professor de Arquitetura e Design na UFMG.Suas pesquisas sonoras transitam nas influências exercidas pelo Jazz e pela música eletrônica em nossos tempos. Em seus sets toca Nujazz, Acidhopjazz, Afrohouse, Brasilidades, ordestinatrônica, Lounge e House Music.
Dalva Silveira reencontrou, nos encontros do projeto Casarão das Artes e Revista Canjerê, o mesmo espírito coletivo e libertário que marcou sua juventude. Nascida em Belo Horizonte, em 1967, cresceu sob a ditadura militar, experiência que moldou sua visão crítica e seu compromisso com a memória histórica. Professora, escritora e pesquisadora, construiu uma trajetória dedicada à reflexão e à resistência política e cultural no Brasil.
Paulo Roberto Antunes é revisor de textos da Revista Canjerê. É professor e advogado.