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Edimilson de Almeida Pereira é um homem das Letras

Por Silvia Cristina Silvado, jornalista formada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), licenciada em Letras e pós-graduanda em Comunicação Pública

Um homem das Letras

Edimilson de Almeida Pereira é um homem das Letras: poeta, ensaísta, professor e pesquisador. Nascido em 18 de julho de 1963, esse mineiro de Juiz de Fora é um dos maiores nomes da literatura contemporânea.  É graduado em Letras, especialista e mestre em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Pesquisa a cultura e a religiosidade afro-brasileira. Também é mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor em Comunicação e Cultura por um convênio entre a UFJF e UFRJ. Completando o rico currículo acadêmico, é pós-doutor em Literatura Comparada pela Universidade de Zurique, na Suíça, além de professor titular de Literatura Brasileira na UFJF. 

Colecionador de prêmios

O autor está entre os brasileiros mais premiados da literatura nacional. Sua coleção de prêmios começou em 1984, quando venceu o concurso de contos “Palavra/Vivani” em sua cidade natal. No ano seguinte, foi o primeiro colocado no “Concurso Nacional de Literatura Editora UFMG” na categoria poesia.

No ano seguinte, foi intensamente premiado. Venceu o “Prêmio João Ribeiro”, da Academia Brasileira de Letras, pela publicação de “Mundo Encaixado: significação da cultura popular” (em co-autoria com a professora Núbia Pereira de Magalhães Gomes/UFJF). 

Também em 1994, e em uma parceria com a professora Núbia Pereira de Magalhães, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), venceu o prêmio “Dr. Antônio Procópio de Andrade Teixeira”, oferecido pela UFJF, pelo conjunto de quatro livros publicados no projeto “Minas e Mineiros”. Ainda nesse ano, recebeu o prêmio “Marc Ferrez”, conferido pela FUNARTE/RJ, pelo projeto de ensaio fotográfico e textos intitulado “Filhos do Rosário em nome do Pai”, também em parceria com a professora Núbia.  

Em 1997, o autor e a professora vencem o “Concurso Sílvio Romero de Monografias sobre Folclore e Cultura Popular “/FUNARTE/RJ devido ao trabalho “Os tambores estão frios: estudo sobre a tradição banto no ritual de Candomblé em Minas Gerais”. Em 1998, conquistou o primeiro lugar no “Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody”, promovido pela Secretaria Estadual de Cultura do Paraná e o “Concurso Nacional de Poesia Cidade de Belo Horizonte”, da Secretaria Municipal de Cultura. 

Em 2002, venceu o “Concurso Sílvio Romero/FUNARTE/Centro Nacional de Folclore Popular-RJ” com a monografia “A saliva da fala: notas sobre a poética banto-católica do Congado”.

Em 2004, foi o vencedor do “Prêmio Vivaldi Moreira” na categoria “ensaio” com o texto “Os Signos dos Ancestrais: significado sócio-cultural do candomblé em Minas Gerais”.

A beleza do engajamento sutil

Não há espaço nesta publicação para nomear a quantidade de trabalhos do autor, pois sua obra é abundante, com uma extensa lista de artigos e livros publicados desde seus 22 anos de idade, quando estreou no mundo literário com o volume de poemas “Dormundo”. O autor passeia pela poesia, prosa, crítica e faz produções de cunho etnográfico, resultado de pesquisas de campo voltadas a compreender a produção cultural surgida da diáspora africana no país. 

Sua obra, apesar da beleza estética, não se resume à função lúdica. Ele é poeta e acadêmico, e tem o dom de unir universos aparentemente distintos. Apesar da grandeza e pompa de ser um autor de envergadura elevada na cultura nacional, um dos mais importantes autores da literatura contemporânea, é uma pessoa gentil e cortês que nasceu entre trabalhadores e cursou a escola pública, instituição que ele diz ter sido essencial na contribuição para seu amor pelas letras.

“Não há um momento específico que marcou essa minha aproximação à literatura. A soma de vários acontecimentos na vida de uma criança nascida em bairro de trabalhadores é que foi criando as condições para essa experiência. Não há dúvidas, no entanto, de que minha entrada e permanência na escola pública foi um dos fatores decisivos para a descoberta da escrita, dos livros e do universo que podemos acessar através deles”, comenta o autor. 

Sua obra também apresenta uma simbiose entre aquilo que é belo e ao mesmo tempo comprometido com questões sociais, sem estereótipos, sem lugares-comuns. Questionado sobre o papel da literatura nas questões sociais, ele diz que esse é um tema complexo, mas afirma que ela proporciona a liberdade de vivermos o nosso imaginário.   

“Creio que a literatura pode também – mas não somente – desempenhar um papel na análise das questões sociais. Ela nasce de uma estrutura histórico-social, considerando a biografia dos seus autores e autoras, e da aplicação prática da linguagem em nossa comunicação. Isso já demonstra uma interferência da literatura no real.

Porém, penso desde outra perspectiva: se a linguagem é um mecanismo relativo de abordagem do real (ou seja, o que dizemos ou escrevemos não é, de fato, o que foi vivido), há nela uma série de frestas que nos permitem simular outras dimensões de sentimento e de realidade. Essa invenção de outros mundos é, para mim, uma forma radical de vivermos o nosso imaginário e, consequentemente, o nosso desejo de liberdade”. 

Sobre essa liberdade, há de se pontuar que ela aflora quando o autor cria mundos imaginários, porém pautados no real. Com personagens irreais na existência, mas reais na verossimilhança, com suas complexidades tão humanas, o autor desenha com suas mãos que tão bem tecem as palavras, outras possibilidades de mundo.

“Particularmente, penso a escrita literária como uma possibilidade de ver por outros ângulos o mundo em que vivemos. E, além disso, como um desafio para criarmos outras lógicas de mundo. Isso implica dizer que valorizo as contradições, as ambiguidades, as tensões, as rupturas, as disjunções e a polissemia características de uma personagem verossímil. Ou seja, o eu da minha escrita pode até ser, caso desejemos, uma realidade, embora este não seja um caminho obrigatório para a leitura do que escrevo”.

Sobre o papel de sua obra para as questões sociais, ele enfatiza que o saber produzido depende de seus interlocutores para gerar efeito e que sua contribuição reside na proposição de reflexão e diálogo. “A literatura é um saber compartilhado e depende de inúmeros fatores para que os seus significados possam aflorar.

É na troca com o(a)s leitores(a)s e com os contextos histórico-sociais – em transformação – que temos a oportunidade de saber se aquilo que escrevemos tem uma certa importância ou não. Entendo que se há uma contribuição de minha parte, ela reside na tentativa de instaurar um diálogo com as pessoas e com a sociedade na defesa dos direitos humanos, das outras formas de vida e da liberdade de expressão, bem como no combate à violência e a todo tipo de discriminação”, reflete Edimilson.

Sobre a importância de sua obra para a visibilidade negra, ele reflete: “Tenho pensado e escrito sobre as várias dimensões das culturas negras no território da diáspora africana. Esse é um tema que interage com outros que me ocupam como sujeito de um processo histórico abrangente.

O tempo, que é um bom fazedor de antologias (como diz o poeta Iacyr Anderson Freitas) tem participação efetiva na construção do significado das obras que escrevemos. Esse aspecto e o diálogo com outras pessoas – junto das quais tento compreender as nossas histórias – é que vão dizer se há espessura ou não no trabalho que venho realizando”, completa o autor.

Edmilson, que caminha entre mundos diversos, escreve para adultos e crianças e lançou, em novembro de 2021, “O Ausente”, pela Relicário Edições, romance ambientado na paisagem rural. Ausente é o nome da região onde vive Inocêncio, personagem que narra a trama, mas, às vezes, assume o papel de espectador em paralelo com os diferentes ângulos que experimentamos na vida.

O romance une a sabedoria tradicional (Inocêncio é curandeiro) e o conhecimento acadêmico, mostrando ao mundo a união que habita dentro do próprio autor.

PRAZO PARA INSCRIÇÃO NO FESTIVAL DE TODAS AS CORES É PRORROGADO

Artistas independentes negros e/ou LGBTQIA+ agora têm até 06 de junho para se inscreverem

Gratuito, a proposta do evento é promover a equidade racial e de gênero e também realizar atividades formativas na área da música independente

Por Bruno Vieira e Bárbara Navarro

As inscrições para o Festival De Todas as Cores tiveram seu prazo prorrogado. A iniciativa, que pretende valorizar e reconhecer os talentos de Itaúna e do Centro-Oeste de Minas Gerais, recebe inscrições até o dia 06 de junho. Artistas independentes, negros e/ou LGBTQIA+, poderão participar do evento que conta com premiações em dinheiro, atividades formativas para os artistas selecionados e a promoção de debates sobre diversidade, equidade de gênero e de raça.

Viabilizado pela Lei Emergencial Aldir Blanc por meio da Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais, o festival tem inscrições gratuitas que devem ser realizadas exclusivamente através de preenchimento de um formulário online, acessível no site www.moisespescador.com/todas-as-cores. Mais detalhes no regulamento do Festival, disponível acessando este link: http://bit.ly/FestivalDeTodasAsCoresRegulamento. Por causa da pandemia de COVID-19, o evento será realizado integralmente na internet.

O Festival será realizado em três etapas: na primeira, serão premiados 40 artistas entre os inscritos – serão escolhidos pelo menos 20 talentos de Itaúna e no mínimo 20 artistas que sejam LGBTQIA+. A seleção, de 07 de junho a 02 de julho, será realizada por uma comissão independente, composta por artistas LGBTQIA+ e produtores culturais itaunenses, que escolherão os 40 melhores vídeos seguindo os critérios acima.

Os artistas que forem escolhidos participarão, na última semana de junho, de atividades formativas relacionadas ao campo da música independente, como Marketing Digital, Estratégias de Formação de Públicos e Gestão de Carreira. Além disso, os escolhidos levam um prêmio em dinheiro de R$500.

A segunda fase, de 03 a 09 de julho, irá medir o envolvimento dos respectivos públicos dos artistas. Os 10 vídeos que tiverem maior engajamento no Youtube (segundo as regras do edital) seguirão para a etapa final: uma votação popular nos dias 11 e 12 de julho para escolher os três melhores, que receberão prêmios em dinheiro. No total, serão quase R$30 mil investidos em prêmios para os artistas.

Mais informações sobre o evento podem ser conferidas no link www.moisespescador.com/todas-as-cores.

Iniciativa

O Festival de Todas as Cores é uma iniciativa do artista e empreendedor social Moisés Pescador. Natural de Itaúna, cidade do Centro-Oeste mineiro, Moisés é cantautor afro-indígena, músico autodidata, cantor e compositor, reside em Belo Horizonte desde 2005 e vive ora no interior, ora na capital. Apaixonado por artes e cultura popular, o artista conhece o tradicional bairro da Lagoinha em BH e se encanta com o berço cultural de Belo Horizonte.

É neste cenário que sua vida artística toma um novo rumo e se desenrola sua jornada em busca da ancestralidade. Em 2014 e 2015, Moisés se apresentou no Festival Raízes Negras realizado na UFMG, e em 2016 participou do III Encontro de Compositores Dona Jandira e foi premiado no Festival de Música da Reforma Agrária, em que o tema do festival reforça seu posicionamento: “Da Luta Brotam Vozes de Liberdade”. Em 2017, realizou o show Salve Orixás no Teatro Marília.

Em setembro de 2018, ele realizou o espetáculo “Moisés Pescador Toma Bença” também no teatro Marília, no intuito de seguir sua missão e cantar a história da Lagoinha. O artista vem se apresentando em festivais de arte e cultura como o CURA Lagoinha, o VI Festival Descontorno Cultural e o Festival de Arte Negra 2019. Sua missão é “compartilhar vivências, educar pelo amor e saudar a ancestralidade através da música”.

Nikima


O cantor Nikima lançou recentemente dois novos trabalhos que mostram a
diversidade de suas produções que envolvem diversas linguagens artísticas. Elas trazem desde o ritmo pulsante da música baiana às batidas sintetizadas do eletrônico e um convite à imersão em realidades virtuais.

O videoclipe “Quebra-queixo” narra a história de um ambulante que vende o doce típico pelas ruas de Salvador na busca por seu sustento familiar. Produzido pela Macaco Gordo, o curta-metragem é dirigido por Chico Kértesz e traz figurinos irreverentes. Outro lançamento mais recente é o videoclipe “Amores Líquidos” que aborda o amor, as relações virtuais e
confinamento com o projeto AUSS & AUSS.

O clipe é uma extensão do AUSS & AUSS XP, do Circuito Expositivo, do Imersivo e Interativo da AUSS & AUSS que estreou em Salvador, em janeiro de 2020, no Teatro Gregório de Mattos, e proporcionou ao público experiências em realidade virtual e aumentada, estações de games e a Fantástica Caixa de Música – um cubo gigante revestido com paredes luminosas interativas, onde o público usava sensores para controlar as luzes e a música da instalação.

Revivências


O músico mineiro Sérgio Pererê lançou, em maio, o disco “Revivências”, um álbum com releituras de músicas conhecidas que marcaram sua trajetória como artista e que dialogam com o contexto social vivido hoje no país. Entre as canções estão “Juízo Final”, de Nelson Cavaquinho, “Tempo Rei”, de Gilberto Gil, “Roda Viva”, de Chico Buarque, e “De frente para o crime”, de João Bosco e Aldir Blanc. O projeto independente já está disponível nas plataformas digitais e contou com show virtual de lançamento.

Em rede social, o artista ressaltou a importância de se apoiar a arte neste momento de pandemia e enfatizou que a cultura não pode parar. “Precisamos de arte, de música, de literatura, da força das manifestações populares, de teatro, de tradição e de inventividade para seguirmos em contato com nossa humanidade, simbolizando o horror e a tragédia para transmutá-los em vida, em reconstrução, em possibilidade de futuro. Os artistas seguem como podem, utilizando a tecnologia para fazerem cumprir seu papel no mundo”, afirmou Sérgio Pererê.

Meu Cabelo não é pro seu Governo


O livro “Meu Cabelo não é pro seu Governo”, obra da professora e escritora Monique Pacheco tem sido usado para trabalhar a identidade étnico-racial em vários espaços sociais. Segundo a escritora, a obra é indicada para empoderar meninas, trabalhar a identidade e autoestima, combater o bullying e as várias formas de manifestação do racismo.


O texto é leve e com ilustrações despojadas feita por mulheres que já vivenciaram na pele o desafio de enxergar sua beleza para além dos padrões estéticos etnocêntricos. Antes da pandemia, a escritora visitou escolas e projetos infantis para desenvolver trabalhos relacionados ao tema. Para mais informações e acesso ao livro, entre em contato:
(31)9 7528-7812

Lançamento do Álbum Babadan Banda de Rua


O álbum “Anunciano”, de Babadan Banda de Rua, já está disponível em todas as plataformas digitais. Esse é o primeiro projeto da banda mineira produzido pelo maestro Willian Alves.Com sonoridade predominantemente dos instrumentos de sopro, atabaques, djembes, dunduns, enxadas e tambores utilizados no reinado afro-brasileiro de Minas Gerais, o projeto chega como um lembrete da afro-descendência para o povo brasileiro.


Babadan Banda de Rua surgiu em 2017 por meio da união dos músicos Camilo Gan e Juventino Dias. O propósito da banda é reunir um coletivo de pessoas comprometidas com o combate ao preconceito étnico-racial, além de reverenciar os valores da cultura afro.

As Ébano – Bolsas com identidade


Apresentar um pouco da história negra através das estampas de símbolos e de personalidades importantes na luta antirracista e na construção de uma sociedade mais democrática. É com esse propósito que, em meio à pandemia da COVID-19, surgiu a marca “As Ébano”, bolsas de fabricação própria feitas em couro sintético e estampas de tecido personalizadas.

Criada pela jornalista Adriana Costa, a ideia surgiu após a Oficina Potências
Periféricas, ministrada por ela e sua amiga Ana Flávia Vieira durante evento da PUC Minas em 2019. No início do isolamento social, Adriana saiu de casa decidida. Comprou todo material necessário, criou as imagens, contou com a ajuda da sua mãe, dona Eva, e em menos de 10 dias a coleção foi lançada.

A escolha das personalidades e símbolos é baseada na história e nos avanços da população negra. Cada bolsa é representada por rostos de mulheres que se tornaram importantes referências na conquista de direitos, conscientização e identificação da população negra ao redor do mundo.

Todas as bolsas estão disponíveis para compra no instagram.com/as.ebano.

Foto Janaína Sousa

Um Relato Sobre a África do Sul

Por Júnia Menezes – professora, educadora e proprietária da escola de inglês Village School. ​Formada no Curso de Letras pela FUNEDI/UEMG

Nesta edição, a Seção África traz um depoimento da professora e proprietária da Village School, escola que fica na cidade de Divinópolis–MG, Júnia Menezes. Ela esteve recentemente na África do Sul e a convidamos para relatar um pouquinho da sua experiência pessoal naquele país. Júnia é professora de inglês dedicada em transformar o espaço em que vive por meio da educação, “Em minha atuação como educadora, mostro aos meus alunos a importância de saber fatos históricos reais, apresentar personagens importantes da nossa história a fim de criar neles o desejo de lutar por um futuro melhor, tal qual nossos ancestrais o fizeram” disse.

Nós, equipe da Village School, iniciamos nosso programa de intercâmbio neste ano de 2019 e o destino escolhido por mim não poderia ser outro que não no Continente Africano, mais precisamente África do Sul. 

Uma excelente oportunidade para mostrar para as pessoas que a África é riquíssima em sua fauna e flora, mas que no que diz respeito à cultura também tem muito a nos ensinar sobre nós mesmos, nossas origens e ancestralidade.

Vivi momentos de intensa emoção estando em contato com nativos. Fiz questão de conversar com moradores locais para saber como viviam e quais eram suas perspectivas de vida. Há muitas pessoas que vivem muito bem, financeiramente falando. Mas, infelizmente, o número de pessoas que vivem em situação de extrema pobreza também é grande.

No entanto, são pessoas maravilhosas, cheias de vigor e alegria. Emocionou-me bastante ver como que com tantas privações, na maior parte do tempo, estão alegres e bem dispostas.

Visitei lugares fantásticos como o Museu da Escravidão (SlaveLodge) e pude sentir na pele e no coração, estando em uma réplica do navio negreiro, como nossos irmãos se sentiam, estando em um espaço em que caberiam no máximo 10 pessoas,mas em um número no mínimo 10 vezes maior de lotação, sem ventilação e onde não podiam sequer estarem de pé devido à altura do espaço. Foi angustiante demais.

Outro momento que me emocionou demais, foi num restaurante chamado Marco´s onde tive oportunidade de experimentar delícias da culinária africana e me divertir ao som dos tambores. Chorei muito por estar ali e sentir toda aquela energia maravilhosa.

Encerro minha sessão de belas recordações lembrando de minha visita a uma área bastante carente, do outro lado da grande Cidade do Cabo.

Tive a oportunidade de conhecer crianças incrivelmente inteligentes e espertas, e ouvir de seus pais sobre as dificuldades financeiras pelas quais passam e que, ainda assim, não deixam de ser alegres e sorridentes. Tocou meu coração quando uma mãe me disse que, às vezes, algumas crianças param de brincar e levam a mão até à barriga, lembrando, assim, da fome que sentem.

Certamente temos situações semelhantes a essa aqui bem próximo de nós.​ Mostrar a realidade do lugar de nossa origem possibilita-me expressar como poderíamos viver uma vida diferente, não fosse todo o processo de escravidão a que fomos submetidos.

A situação financeira e social na África é bastante precária, mas vale a pena olhar para o que temos de reflexos desse povo sofrido aqui mesmo, no Brasil. Vale refletir sobre o que é, como fazer para ajudar aqueles que estão mais próximos de nós. Mas sinto-me bastante tocada com o povo de lá, pois tudo poderia ser bem diferente

Programação Mês da Consciência Negra/MUNDI

No mês da Consciência Negra, o Movimento Negro de Divinópolis (MUNDI) preparou uma extensa programação para lembrar e exaltar a luta dos negros contra a discriminação racial e a desigualdade social. Algumas das ações da agenda são realizadas pelo Mundi com vários parceiros, e outras, o MUNDI participa como apoiador.

PROGRAMAÇÃO

12/11 – Núcleo Divina Luz –Atividade restrita aos participantes do Núcleo
Bate papo sobre racismo com Grazi Rufo, presidenta do Mundi e Zane Bgirl, idealizadora do projeto Pedagogiando com o Hip hop

19/11 – Entrega da Comenda Consciência Negra
Evento realizado pela Câmara Municipal de Divinópolis com apoio do Mundi
Local: Rua São Paulo, 277 – Centro
19h
Atividade aberta ao público/gratuita

18-19- 20/11 – Tenda Educativa e Informativa da Consciência Negra
Local : Quarteirão fechado da Rua São Paulo – Divinópolis
8h às 17h
Atividade aberta ao público/gratuita

20/11 – Seminário Étnico – Racial Consciência Negra
Local: Câmara Municipal de Divinópolis
Realização: 12ª Superintendência Regional de Ensino de Divinópolis(SRE) e Movimento Negro de Divinópolis(MUNDI) Pauta: Apresentação e debate dos trabalhos e ações desenvolvidas pelos alunos/as da rede estadual de ensino, ao longo do ano, pela efetivação da Lei 10.639/03 que inclui o ensino de história e da cultura afro-brasileira e africana no currículo escolar.
7h às 11h30
Atividade aberta ao público/gratuita

24/11 – Festa da Cultura Afrobrasileira
Local: Praça do Santuário
Realização: Prefeitura Municipal de Divinópolis por meio da Secretaria de Cultura – Apoio: Mundi e Chá das Pretas
09h às 20h
Atividade aberta ao público/gratuita

25/11 – Workshop de Modelos com Hellen Cristina
Atividade Restrita aos alunos/as do Projeto Pão da Alma
13h

25/11 – Aulão H2OR – Projeto Pedagogiando com o Hip Hop
Para crianças e adolescentes
Local: Espaço Mundi – Rua Rio de Janeiro, 21, centro
18h
Atividade aberta ao público/gratuita

27/11 – Palestra Educativa
Com Grazi Rufo, coordenadora do MUDIERÊ
8h
(Atividade restrita aos alunos)
Local: Serviço de Convivência e Fortalecimento de vínculo/Núcleo Jardinópolis

28/11 – Exibição do filme Pantera Negra + Bate
Com Rhenata Santana e Profº Alisson Ferreira

O filme conta a história de T’Challa, líder do reino fictício de Wakanda que ganha os poderes de Pantera Negra para proteger o seu povo. Vamos conversar sobre a visão política, cultural e linguística do filme que retrata a riqueza das etnias que compõem a África. PANTERA NEGRA é ma obra que homenageia a diversidade cultural dos povos africanos que reafirma sua luta por direitos e valoriza as particularidades culturais e históricas dos povos africanos para além dos estereótipos.
19h às 22h
Local: Espaço Mundi
Traga algo para o Lanche coletivo
Atividade aberta ao público/gratuita

30/11 – Encontro de Modelos Negros e Negras
Local: Divishop – Av. JK. 1200 – Bairro Santa Clara
Realização Niari Cosméticos em parceria com Divishop
Apoio: Village English, MUNDI, Grazi Rufo Beleza Afro e Fibra Cabelos
13h30 às 16h
Atividade aberta ao público/gratuita

Conheça Bianca Pereira, a nutricionista que criou o programa “Pense Bem e Emagreça”

Sandrinha Flávia – Editora, locutora, apresentadora e mestra de cerimônias

A especialização em coaching de emagrecimento com estudos em PNL e neurociência mudou a forma como Bianca realiza seus atendimentos.

Estamos vivendo um momento em que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a saúde. Aos poucos, hábitos alimentares não ideais estão ficando para trás. Essa busca por uma alimentação melhor reflete diretamente no trabalho da nutricionista Bianca Pereira.

Aos 39 anos, casada, mãe de dois filhos, a vida da nutricionista é uma correria, mas não uma loucura, pois é planejada.

Natural de Belo Horizonte, capital mineira, a rotina da profissional começa cedo com atividade física, o que dá energia para a sequência de atividades profissionais que se seguem durante o dia.

São vários atendimentos, gravações e produções de textos para as redes sociais, e ainda sobra tempo para frequentar a igreja duas vezes por semana, às vezes como cantora. Aos finais de semana, a família é o foco, folga para os passeios com o marido e os dois filhos.

No início da carreira, Bianca atuava apenas como nutricionista em consultórios. Com o passar do tempo, percebeu que estava faltando algo para ajudar as pessoas a manterem o foco durante o processo de emagrecimento e permanecerem magras. Foi aí que resolveu se especializar em coaching de emagrecimento, com estudos em PNL e neurociência.

Logo veio uma nova ideia. A nutricionista criou o Programa Pense Bem e Emagreça, ganhou vários seguidores nas redes sociais que se transformaram em clientes. Segundo ela, “ o programa visa transformar os meus clientes de dentro para fora e consequentemente desfrutam de resultados mais satisfatórios e a longo prazo.”

O sucesso que hoje Bianca Pereira conquistou foi plantado com muita dificuldade, mas a força de vontade e a colaboração de muita gente foram combustíveis para ela continuar.

Tudo começou ainda na infância. Sua mãe, Ivone das Graças, sempre se preocupou com a boa alimentação. Essa referência foi definitiva na hora da escolha da profissão.

Durante uma amostra de profissões no Centro Universitário de Belo Horizonte – UniBH, Bianca conheceu vários cursos, dentre eles nutrição. Naquele momento não teve dúvidas, e decidiu que seria essa a profissão que queria para a vida.

Bianca explica que foi aí que começou a saga, “fiquei durante um ano e meio tentando bolsa pela própria universidade. Todo final de semestre, eu ficava devendo mais de R$3 mil e cada final de semestre, eu fazia um empréstimo, parcelava com cheque ou pedia às pessoas dinheiro emprestado. Depois de um ano e meio, consegui 50% de bolsa, mas já estava completamente endividada. E foi assim durante os 4 anos de graduação, pagando os empréstimos, mensalidades, passagens de ônibus, xerox e lanches. Não foi fácil”, relata Bianca.

Além das dificuldades financeiras, estudava no turno da manhã, saía de casa às 5h30. No período da tarde seguia para o trabalho em um CallCenter de venda de medicamentos e só voltava para a casa às 22h.

Por conta das longas horas fora de casa, Bianca não tinha um contato diário com o filho. Por causa dessa ausência, a criança começou a dar trabalho na escola e em casa. Esse era o maior desafio, “várias vezes eu quis desistir porque ele sentia muito a minha falta e ficava agressivo comigo e na escolinha”, disse.

Sua mãe, principal incentivadora, cuidava do pequeno e sempre tinha palavras de incentivo na ponta da língua a qualquer sinal de desistência. “Minha mãe cuidava do meu filho com muito carinho, dizia que tudo isso ia passar, me dava todo dinheiro que conseguia com o trabalho de cabeleireira, e para completar a renda, produzia sanduíche natural para eu vender na faculdade”.

Os incentivos também vinham do seu marido Fábio, seu pai Benedito Gregório, e suas tias Rosália e Zenilda.

Além dessas dificuldades, ainda tinha as barreiras raciais. Única negra da sala e que trabalhava fora, a futura nutricionista sentia na pele as diferenças no dia a dia.

Com muita dificuldade, ela conseguiu se inserir em um grupo de amigas que, apesar de serem de classe média e brancas, a tratavam muito bem, e com igualdade, diferente das outras alunas da sala. Apesar de todas as diferenças sociais, culturais e raciais, as notas eram sempre altas.

A caminhada seguia até que chegou o momento do estágio. Mais uma vez, Bianca viu a diferença racial falar mais alto. “Realizei estágios em clínica, hospital, UAN (cozinha) e asilo. Adorava cuidar dos idosos. Foi bom, mas o fiz com minhas amigas brancas e de classe média e no hospital especificamente sentia certa distinção por causa da raça e do poder aquisitivo”.

No estágio em UAN, a nutricionista chefe gostou tanto do trabalho de Bianca que a contratou para mais seis meses de estágio remunerado, e dizia que em breve a colocaria no lugar dela.

Feliz com a notícia ela criou expectativas, mas depois de 2 meses, engravidou do filho mais novo. Naquele momento, ela achou que sua carreira iria desabar, mas como ela mesma disse, “Deus tinha planos maiores.”

Não havia espaço para o desânimo, era mais um obstáculo, mas tinha um propósito em sua vida: cristã e mulher de muita fé, buscou em Deus a provisão financeira para conseguir uma colocação profissional assim que terminasse a graduação. “Assim que me formei, fiz panfletos e entregava por onde passava, escolas, sacolões, igrejas etc. Um dia, surgiu a oportunidade de trabalhar em uma clínica, área que eu sempre quis, daí não parei mais”.

Bianca se formou em 2009. Logo após, cursou pós-graduação em nutrição clínica e fez vários cursos de fitoterápicos. Em 2017 se especializou em coaching de emagrecimento consciente, o que deu uma reviravolta em sua forma de trabalhar, “com o curso de coaching entendi como funciona nosso cérebro através da neurociência e PNL, então percebi que para acontecer o emagrecimento definitivo é preciso primeiramente transformar a mente, porque no nosso cérebro existem 4 engrenagens cerebrais: 1°pensamento, 2° sentimentos/emoções, 3° Comportamento e 4° hábitos”.

Agora, a nutricionista considera o atendimento mais completo tanto do corpo como da mente. “A pessoa troca o chip de gordo pelo chip de magro, e permanece magro para sempre”, finaliza.