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Três décadas de resistência e criação: a trajetória de Evandro Nunes e do Teatro Negro e Atitude

Jaice Balduino – jornalista multimídia

Entre as vielas do Conjunto Cristina, em Santa Luzia, um menino chamado Evandro Nunes descobriu a força da arte ao reunir vizinhos para homenagear mães e pais com pequenas apresentações. O gesto simples marcou o início de uma caminhada que, 30 anos depois, transformou-se em legado. Evandro é ator, diretor e cofundador do Teatro Negro e Atitude (TNA), um dos grupos mais longevos e potentes do país, que celebra 31 anos de atuação contínua.

O TNA nasceu em meados de 1994, trazido pelo baiano Hamilton Borges Walê e consolidado em Belo Horizonte como um espaço de arte, política e ancestralidade. Desde então, Evandro ajudou a moldar uma estética própria, a Poética da Negrura e a Estética da Atitude, em que o corpo negro é território de insurgência, reexistência e celebração.

Entre desafios e conquistas, o artista recorda o enfrentamento ao racismo estrutural nas artes: “Diziam que não tínhamos excelência, mas queriam nossas apresentações gratuitas”. Ainda assim, o grupo seguiu abrindo caminhos e inspirando políticas culturais que hoje reconhecem a potência das artes negras em Minas e no Brasil.

Com espetáculos como Conversa de Dois e A Sombra da Goiabeira, o TNA transformou a dor em cena e a memória em ação. “Resistência” é a palavra que Evandro escolhe para definir essas três décadas, não apenas como sobrevivência, mas como criação coletiva, fé na arte e compromisso com o povo negro. Para ele, o legado do TNA é continuidade: uma chama acesa que segue iluminando o futuro do teatro negro brasileiro.

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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