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Exposição Orienxadigma. Memória Afrodiaspórica

Rosália Diogo

A equipe da revista Canjerê se fez presente no laboratótio de linguagem-  Ritmo Corpo e Palavra, no dia 23 de julho, no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. A atividade foi coordenada pelo multiartista, Babilak Ba e faz parte da ativação da exposição de artes visuais “ Orienxadigma”. Ela foi concebida a partir do encontro de dois artistas afrodiapóricos: Fernando Costaa e Babilak Bah. A exposição é composta por  gravuras/impressões e esculturas em ferro e aborda questões da memória afrodiaspórica em MG: ancestralidade, trabalho, cosmologia africana, orixás e luta quilombola pela terra.

Entre enxadas que ecoam como atabaques e gravuras que guardam o pulsar de Orí, nasce Orienxadigma – uma exposição que tece, em ferro, papel, tecido e tinta, a memória viva da diáspora africana em Minas Gerais e ao mesmo tempo celebra a ancestralidade afrodiapórica que nos formou e até hoje nos dá suporte. Concebida pelos artistas Fernando Costaa e Babilak Bah, a mostra é fruto de encontros cotidianos: nas viagens de coletivo do bairro que compartilham, nas esquinas da cena cultural de Belo Horizonte, e sobretudo, na urgência de revelar as espirais do tempo onde futuro e ancestralidade se entrelaçam. Esses encontros revelaram que ambos artistas tinham produções com algo em comum: obras que destacam a ancestralidade africana e sua íntima relação com a resistência cultural dos negros em Minas Gerais

Babilak como multi artista a anos vem investigando a estética  afrodiaspórica em sua produção, seja na música, na literatura ou nas artes visuais. Suas esculturas Enxadigmas são um desdobramento da sua investigação sonora com enxadas. Por sua vez, Fernando Costaa em sua produção artística vem investigando através das artes visuais questões ligadas à memória afrodiaspóricas, tais como os Orixás, culinária afrodescendente, Sincretismo religioso e resistência negra através de curadorias, performances, gravuras, fotografias, instalações e oficinas.

Para esse projeto Fernando Costaa traz suas Origrafias: gravuras onde rostos ancestrais emergem como arquivos sagrados. Nelas, o Orí – conceito yorubá que compreende a cabeça como morada do destino e portal para os antepassados – se materializa em cabeças africanas ou afrodiaspóricas do passado que olham para os vivos do presente. Cada obra é um mapa de olhares que sugerem dizer: somos o passado que persiste e o futuro que ressurge. Essas obras operam como um dispositivo de memória, que funcionam como espelho e montanha. Ao mesmo tempo em que nos ajudam a nos ver também projetam horizontes.

Já Babilak Bah apresenta Enxadigma: esculturas onde enxadas dançam em composições de ferro, rememorando as culturas africanas transplantadas para o Brasil. São híbridos de ferramenta e instrumento musical – quando tocadas, ecoam os sons das lavouras, dos terreiros, das rebeliões quilombolas. Nessas peças, a enxada – símbolo do trabalho forçado – é ressignificada como arma de criação e luta, lembrando que a terra cultivada por mãos negras também é terra reivindicada, sagrada, libertada. As esculturas também rememoram o duro trabalho escravizado na mineração durante o passado colonial e ao mesmo tempo em que remetem a atuação devastadora das grandes corporações mineradoras do presente.

Fiquem atent@s para prestigiar essa exposição que  em breve estará no Centro Cultural Padre Eustáquio e  terá a sua última etapa no Centro Cultural Usina da Cultura.

Saiba mais: https://www.instagram.com/orienxadigma/followers/mutualOnly?hl=pt

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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