Artes Visuais > Instituto Çarê apresenta exposição RECADOS TRAMADOS com obras de A TRANSÄLIEN e Uberê Guelé em diálogo com acervo de Tasso Gadzanis

Instituto Çarê apresenta exposição RECADOS TRAMADOS com obras de A TRANSÄLIEN e Uberê Guelé em diálogo com acervo de Tasso Gadzanis

Máscaras e bastões de recado de países africanos integram a mostra que abre no dia 13 de setembro, na Vila Leopoldina. A programação de abertura reúne feijoada da Cozinha Ocupação 9 de Julho, DJ Simoníssima e Samba de Ganga.

Texto recebido e postado por Rosália Diogo

O Instituto Çarê abre, no dia 13 de setembro, a exposição Recados Tramados, que coloca em diálogo máscaras e bastões de recado, conhecidos como récades, do Fundo Tasso Gadzanis, com trabalhos dos artistas A TRANSÄLIEN e Uberê Guelé. A mostra, nona exposição realizada pelo Instituto, apresenta ao público parte do acervo reunido por Gadzanis e propõe aproximações entre objetos ligados a diferentes tradições africanas e a produção artística contemporânea.

A abertura acontece a partir das 13h, com feijoada preparada pela Cozinha Ocupação 9 de Julho, também com opção vegana, e discotecagem da DJ Simoníssima, das 14h às 16h. A partir das 17h, a programação segue com o Samba de Ganga.

Tasso Gadzanis (1938–2022) foi membro da Fundação Pierre Verger, em Salvador, e Cônsul Honorário do Benim em São Paulo. Nascido no Egito, estabeleceu no Brasil uma relação com seu continente de origem. Amigo e tradutor do fotógrafo e etnólogo Pierre Verger, com quem viajou diversas vezes à África, reuniu ao longo dos anos peças artísticas e ritualísticas provenientes de países como Benim, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Mali, Moçambique e Nigéria, além do Brasil.

Em Recados Tramados, o Núcleo de Artes do Instituto Çarê parte desse conjunto para apresentar máscaras e récades da coleção. Tradicionalmente associados à transmissão de mensagens e a relações de poder e autoridade no antigo Reino do Daomé, atual Benim, os bastões estabelecem o ponto de partida para o encontro entre acervo e criação contemporânea.

A pesquisa de Uberê em torno das máscaras, da ancestralidade e da cultura popular e o trabalho de A TRANSÄLIEN com máscaras, indumentárias e diferentes formas de presença estabeleceram os pontos de contato para a construção da exposição.

“Quando esses trabalhos são colocados em diálogo com o Fundo Tasso Gadzanis, o acervo se mostra vivo e aberto às questões do presente. A exposição estabelece uma comunicação entre passado, presente e futuro e é também uma forma de abrir esse acervo para a sociedade e ampliar o debate e a construção de pensamento crítico”, afirma o Instituto Çarê.

Para A TRANSÄLIEN, o encontro com o acervo evidenciou a dimensão simbólica e comunicacional dos objetos. “O que mais ressoou diante do encontro com o acervo foi o mistério e, depois, a profunda dimensão comunicacional que as peças carregam, sobretudo os récades. Eles apresentam os símbolos como ferramentas de comunicação, por vezes de proteção e transformação, mas essencialmente de mediação entre mundos, dimensões, povos e países”, afirma.

Já Uberê Guelé encontrou nos bastões um caminho para uma pesquisa que vinha desenvolvendo com outros suportes. “O contato com a coleção, principalmente com os bastões, me deu esse estalo de que tinha ali um caminho interessante de pesquisa. Para além do estético, me fez pensar nas conexões, nas heranças diaspóricas de ritos e celebrações,” explica.

Os artistas

A TRANSÄLIEN é multiartista, produtora cultural, curadora, corpo-estandarte, DJ, idealizadora da Coletividade MARSHA! e articuladora pelos direitos das pessoas trans e travestis no Brasil. Criada por Ana Giselle, A TRANSÄLIEN utiliza máscaras e indumentárias como dispositivos de transmutação e expansão da corporeidade.

Uberê Guelé é artista multidisciplinar e atua entre as artes visuais, o teatro, a performance e a escrita. De formação popular e autodidata, desenvolve sua pesquisa a partir de questões relacionadas à ancestralidade, ao corpo como território e à cultura popular.

Sobre o Instituto Çarê

Çarê, para os Mẽbêngôkre, autodenominação do povo Kayapó do Sul, é o broto ou a raiz. O Instituto Çarê identifica, preserva e amplia o acesso a acervos, apoia a pesquisa, fomenta produções artísticas e musicais e promove um modelo inclusivo e plural de educação e convívio.

Fundado em 2019, o Çarê é uma associação civil sem fins lucrativos, criada como desdobramento da experiência do ateliê escola Acaia, com o qual mantém relações de vizinhança e colaboração. Desde sua origem, o Instituto acolhe e promove a cultura por meio do fazer coletivo e do encontro entre diferentes atores.

Localizado na Vila Leopoldina, busca, pela convivência e pelas trocas com o território, onde diferenças sociais e econômicas se apresentam, unir e possibilitar o protagonismo a quem sempre o teve negado. As ações do Instituto são mediadas e viabilizadas por núcleos que atuam nos campos de acervo, música, artes, socioambiental e editorial.

Saiba mais em: institutocare.org.br

Serviço:

RECADOS TRAMADOS
A TRANSÄLIEN | UBERÊ GUELÉ | ACERVO ÇARÊ

Abertura
 Dia 13 de setembro de 2026, domingo, das 13h às 19h.
 Feijoada com a Cozinha Ocupação 9 de Julho, com opção vegana e DJ Simoníssima.
 Samba de Ganga, das 17h às 19h.

Temporada
 De 15 de setembro a 14 de novembro de 2026.
 De terça a sexta-feira, das 13h às 20h.
 Sábados, das 10h às 18h.

Instituto Çarê
Rua Dr. Avelino Chaves, 138, Vila Leopoldina, São Paulo, SP.
 Entrada: gratuita.
 Classificação: livre.

Assessoria de imprensa
 Adriana Balsanelli
 11 99245.4138 | imprensa@adrianabalsanelli.com.br

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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