Cultura > Romance histórico revisita a Revolta dos Malês e adiversidade religiosa da Salvador negra de 1835

Romance histórico revisita a Revolta dos Malês e adiversidade religiosa da Salvador negra de 1835

Ambientado na Bahia do século XIX, O Janeiro dos Mujahedin – Amor e Resistência na Revolta dos Malês transforma um dos mais importantes levantes negros da história brasileira em cenário para uma narrativa sobre liberdade, fé, amor, identidade e resistência

Em janeiro de 1835, Salvador foi palco da maior revolta urbana protagonizada por africanos escravizados e libertos no Brasil. Organizada principalmente por africanos muçulmanos, conhecidos como malês, a insurreição revelou uma população negra muito mais diversa, articulada e culturalmente complexa do que durante muito tempo foi apresentada pelas narrativas tradicionais sobre a escravidão.

É nesse universo que se desenvolve O Janeiro dos Mujahedin – Amor e Resistência na Revolta dos Malês. O romance histórico conduz o leitor pelas ruas de uma Salvador profundamente africana, marcada pela escravidão, mas também pela circulação de saberes, crenças, idiomas, afetos e formas de resistência trazidas e reconstruídas por diferentes povos africanos no Brasil.

Ao lado do Islã praticado por parte dos africanos envolvidos no levante, o romance apresenta elementos das tradições religiosas africanas que, no Brasil, contribuíram para a formação do candomblé. Dois protagonistas, Manuela e Matias, são devotos dos orixás, mas hesitam em praticar sua fé diante da opressão e das perseguições sofridas pela população negra liberta na cidade.

Essa diversidade permite que a obra explore uma população negra que não aparece como um grupo homogêneo. Muçulmanos e seguidores de outras tradições africanas possuíam crenças, origens e experiências distintas, ao mesmo tempo em que compartilhavam a condição de viver em uma sociedade escravista e profundamente hierarquizada.

Ao entrelaçar personagens ficcionais e acontecimentos históricos, o romance procura apresentar a Revolta dos Malês não apenas como um episódio de rebelião, mas também a partir das trajetórias, relações e escolhas de homens e mulheres negros que construíam estratégias de sobrevivência, pertencimento e resistência.

Fé, afeto e liberdade atravessam essas trajetórias. Os personagens são colocados diante de escolhas que envolvem não somente o levante de 1835, mas também lealdades, relações amorosas, identidades religiosas e os vínculos construídos em uma cidade na qual diferentes Áfricas se encontravam.

A obra também abre possibilidades de trabalho em escolas, especialmente nas áreas de História e Literatura e em projetos relacionados à História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, contribuindo para atividades voltadas à implementação da Lei nº 10.639/2003.

Sobre o livro

O Janeiro dos Mujahedin – Amor e Resistência na Revolta dos Malês
Romance histórico
Ambientação — Salvador, Bahia, 1835
Tema histórico central — Revolta dos Malês

Onde encontrar
O livro está disponível pelo link: https://loja.uiclap.com/titulo/ua186305/

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Editorial Revista Canjerê

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