Gente do Canjerê > Entre raízes e caminhos: uma história de força, cuidado e construção coletiva

Entre raízes e caminhos: uma história de força, cuidado e construção coletiva

Jaice Balduino – jornalista

A revista Canjerê existe, resiste e cresce ano após ano e para isso, é preciso mais do que ideias, é preciso gente. Gente que sustenta, que acredita, que apoia nos bastidores e que constrói, junto, caminhos possíveis. Zenilda Diogo é uma dessas pessoas.

Nascida em Nanuque, no interior de Minas Gerais, sua trajetória começa entre a cidade e a zona rural, acompanhando o trabalho do pai, caminhoneiro, e a rotina da mãe dedicada ao cuidado da casa e dos filhos. Sua história é marcada pela força, pelo zelo com a família e por uma busca constante por dignidade. A infância foi atravessada por simplicidade e movimento, sem acesso à educação formal nos primeiros anos. A alfabetização veio dentro de casa, conduzida pela mãe, em um ambiente onde disciplina, dedicação e responsabilidade moldaram as primeiras aprendizagens.

Ao ingressar na escola já aos oito anos, destacou-se rapidamente. A base construída no ambiente familiar permitiu um desenvolvimento ágil, com reconhecimento por parte de professores e da comunidade escolar. Ainda assim, cresceu atravessando as desigualdades sociais de uma época em que o acesso a determinados espaços era limitado, muitas vezes, pela condição econômica, percepção que contribuiu para formar seu olhar crítico sobre o mundo.

A necessidade de trabalhar surgiu cedo. Ainda jovem, iniciou sua vida profissional no cartório de registro civil da cidade, experiência que trouxe reconhecimento social e abriu novas perspectivas. Com o desejo de ampliar horizontes, mudou-se para Belo Horizonte, onde iniciou sua formação na área da saúde, conciliando estudos e diferentes empregos para garantir autonomia financeira e apoiar a família.

Na capital mineira, consolidou não apenas sua carreira, mas também seu papel como base de sustentação familiar. Com determinação, conquistou a casa própria e criou condições para trazer a mãe e os irmãos para viverem com ela em Belo Horizonte, garantindo mais estabilidade e dignidade para todos. Sua trajetória revela um compromisso constante com o coletivo: crescer sempre significou levar outros junto. Assim como fez com a sua irmã, que é curadora do Casarão das Artes – Rosália Diogo.

Dentro da família, tornou-se referência e incentivo. Estimulou irmãos a buscarem formação e acreditarem em suas capacidades, reforçando a importância da educação e da autonomia. Sua postura firme, aliada à sensibilidade construída ao longo dos anos, revela alguém que transformou desafios em estrutura e limites em impulso.

Presente, atenta e comprometida, Zenilda acompanha de perto as agendas do Casarão das Artes Negra e da Revista Canjerê, participa dos processos e apoia cada detalhe com o mesmo cuidado que marcou sua história. É nesse lugar, essencial que sustenta caminhos, fortalece iniciativas e reafirma, na prática, que nenhuma construção acontece sozinha.

Essa postagem foi possível graças a um dos nossos parceiros:​

Sandra Nandaka

Você também pode gostar

Semijoias únicas e atemporais desenvolvidas com desenhos e cortes próprios, além de peças em tecidos africanos, associadas ao couro, pedras naturais e acessórios do fundo do mar como búzios e conchas – essas são as matérias primas que ajudam a formar o conceito da AYA Acessórios, uma marca que traz em seu nome referências da cultura africana e a força ancestral de mãe e filha como sócias.
O Casarão das Artes Negras reverencia e rende tributos ao músico e ativista político Fela Kuti, anualmente, desde 2013. Em nosso entendimento, pessoas combativas como ele não morrem.  Houve uma lacuna nessa celebração entre 2020 e 2023, no período da pandemia que contribuiu para que essa agenda fosse interrompida.  Não obstante, em 2024 voltamos a chamar o público para saudar Fela!
A baixa representatividade étnico-racial e de gênero é uma das características históricas da sociedade brasileira. Nos três Poderes da República, homens brancos predominam em cargos de gestão e comando. Quando se analisa apenas o Poder Legislativo Nacional, essas são as características do Senado na legislatura passada corrente: dos 54 senadores eleitos em 2018, apenas sete são mulheres; dessas nenhuma é negra. Optamos propositalmente por citar dados da gestão anterior e não dessa porque com as cotas houve diversas pessoas que até então se autodeclararam brancas, e depois de ser instituída uma reserva de verbas destinadas a candidatos negros e candidatas negras passaram a se declararem negras de forma muito suspeita e portanto não necessariamente a autodeclaração condiz com a verdade.