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Território L4 – Alto Vera Cruz, Taquaril e Granja de Freitas – altas produções culturais e produtivas em BH

Território L4 – Alto Vera Cruz, Taquaril e Granja de Freitas – altas produções culturais e produtivas em BH

                                               Rosália Diogo

Jornalista, professora, pesquisadora e diretora de redação da Revista Canjerê

Esta matéria foi produzida a partir da pesquisa de mestrado de Frederico Maciel, o Negro F, cuja dissertação foi defendida na Universidade de São Paulo (USP) e eu tive a honra e o orgulho de ter feito parte da banca examinadora. Tenho um orgulho muito grande de ser moradora da regional Leste de Belo Horizonte, bairro Santa Efigênia, regional investigada por Frederico. Ainda que a administração municipal tenha realocado o bairro em que moro na regional Centro-Sul, insisto em defender que este é um bairro da regional leste.

Os bairros Taquaril, Alto Vera Cruz e Granja de Freitas me são bastante familiares.  A memória da infância em Nanuque, cidade em que nasci, no interior de Minas Gerais, é muito forte: o comércio informal, a gentileza urbana, os afetos entre as pessoas, animais de grande porte soltos em muitas ruas são imagens recorrentes no território.

 O trabalho de pesquisa de Frederico Maciel investigou a rede cultural do Território L4, que abrange Alto Vera Cruz, Taquaril e Granja de Freitas, na região leste de Belo Horizonte (MG), considerada área de alta vulnerabilidade da cidade. O pesquisador objetivou compreender como os moradores e agentes culturais se reconhecem e se identificam por meio da diversidade de elementos sociais e culturais, criando estratégias de cooperação para o desenvolvimento social sustentável. Desafiando a narrativa predominante na mídia, que frequentemente apresenta essa área apenas como um espaço de vulnerabilidade social e econômica, a pesquisa revelou as iniciativas de resistência e ressignificação que florescem nesse contexto. Utilizando o conceito de “sankofa”, Frederico nos contou sobre a história local e destacou as vozes, experiências e tecnologias sociais dos moradores. Utilizando como meio a coleta de dados por meio das redes, encontros e trocas sociais, o estudo apontou para as possibilidades criativas que emergem no Território L4, promovendo a autogestão e a sustentabilidade sociocomunitária.

Como parte da sua pesquisa, Frederico apresentou um manifesto que muito nos interessa compartilhar aqui: “Nós, que habitamos e respiramos o Alto Vera Cruz, Taquaril e Granja de Freitas, Território L4, erguemos nossas vozes em um grito coletivo por reconhecimento, respeito e qualidade de vida. Aqui, encontramos a força na troca de experiências com nossos mais velhos, cujas histórias são sementes de esperança que germinam em nossos corações. Cada relato é um testemunho da resiliência forjada em meio a lutas e aos desafios, que nos ensina que o futuro deve ser construído com base na união e na solidariedade.

Celebramos os avanços na infraestrutura, mas não podemos nos calar diante da urgência de políticas públicas que garantam mobilidade, segurança, cultura e saúde para todas as pessoas. É imperativo que nossas conquistas sejam transformadas em direitos efetivos, reconhecidos pelo Estado e pela iniciativa privada. A burocracia não pode ser um obstáculo que afaste aqueles que ainda lutam para ter suas vozes ouvidas”.

Faço coro ao conteúdo apresentado nesse manifesto na medida em que empiricamente posso afirmar que a maior parte da população desse território é negra. 

Eu, Rosália Diogo e a equipe da Revista Canjerê, nos solidarizamos com as moradoras e os moradores do território L4. Contem conosco para ações  necessárias para que as políticas públicas sejam mais assertivas, visando a qualificação da região, o mais breve possível.

Salve a nossa saudosa matriarca, dona Valdete Cordeiro, criadora do Grupo Meninas de Sinhá.

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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