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FEST IN BRASIL–ÁFRICA EM BH

Em novembro, Belo Horizonte recebe pela primeira vez o Fest In Brasil-África, projeto que celebra a cultura lusófona, reunindo nomes da música africana e brasileira.

Em sua primeira edição em Belo Horizonte, o Fest in Brasil–África tem como propósito a valorização da diversidade musical e da riqueza cultural dos países africanos de língua portuguesa. Consolidando-se como um importante circuito de intercâmbio artístico entre diferentes territórios da lusofonia, o festival será realizado em Niterói e Belo Horizonte no final de novembro, mês que celebra a consciência negra.

O Fest in Brasil-África acontecerá no Grande Teatro SESC Palladium, dias 28 e 29 de novembro, com shows de Maurício Tizumba (Brasil), Patche Di Rima (Guiné-Bissau), Marcos Sacramento & Zé Paulo Becker (Brasil), Lenna Bahule (Moçambique),  Hamilton de Holanda (Brasil), Rallie (Brasil) e Filipe Mukenga  (Angola).

À frente do Fest In Brasil-África, respondendo pela idealização e direção geral, está Daniel Rodrigues, que nos anos 1990 criou e produziu em Salvador  nove edições do hoje histórico Fest in Bahia. Daniel Rodrigues foi empresário de Gilberto Gil (1972 a 1991); curador artístico da Noite Brasileira do Montreux  Jazz Festival (1997 a 2009) e criador dos   festivais Brazilian Day London e Brazilian Day Portugal.

CONEXÕES ENTRE OS PAÍSES LUSÓFONOS

A proposta do Fest in Brasil-África é apresentar um recorte representativo da música e da cultura dos países lusófonos, reunindo artistas do Brasil, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Ao destacar a pluralidade de ritmos, tradições e expressões contemporâneas, o festival se posiciona como uma plataforma de diálogo entre culturas que compartilham a língua portuguesa, mas que possuem identidades sonoras únicas e profundamente enraizadas em seus contextos históricos e sociais.

Mais do que uma sequência de shows, o evento propõe uma experiência cultural ampla, incentivando conexões entre artistas e públicos diversos. A programação inclui apresentações musicais, encontros artísticos e momentos de troca que reforçam o papel da música como ponte entre povos. Em um momento em que a valorização das identidades culturais ganha ainda mais relevância, o Fest in Brasil-África surge como um espaço de celebração e reconhecimento das heranças comuns e das singularidades que compõem o universo lusófono.  

Ao reunir nomes representativos da música brasileira e africana, o Fest in Brasil-África oferece ao público a oportunidade de vivenciar diferentes linguagens musicais, dos afro-sambas aos ritmos africanos, além de fusões contemporâneas. Essa diversidade reafirma o compromisso do evento em ampliar horizontes e estimular a circulação de artistas entre os países participantes.

Com uma proposta que une diversidade, intercâmbio cultural e excelência artística, o Fest in Brasil-África se posiciona como um marco no calendário cultural de 2026. Ao promover encontros entre artistas de diferentes países lusófonos, o festival reafirma a música como linguagem universal e fortalece os laços entre culturas que, embora separadas geograficamente, compartilham uma herança comum.

A expectativa é de que o evento não apenas encante o público, mas também contribua para a ampliação do diálogo cultural entre os países participantes, abrindo caminhos para futuras colaborações e consolidando o Brasil como um importante ponto de conexão da cultura lusófona.

Belo Horizonte recebe uma programação especial dentro do Fest in Brasil-África, reunindo artistas de forte representatividade cultural e trajetórias marcantes, conforme o line-up abaixo.

PROGRAMAÇÃO – 28 DE NOVEMBRO (SÁBADO)

# 19H30 – MARCOS SACRAMENTO & ZÉ PAULO BECKER CELEBRAM 60 ANOS DOS AFRO-SAMBAS 

Um encontro de gigantes: a voz poderosa de Marcos Sacramento e o premiado violão de Zé Paulo Becker mergulham no repertório sagrado dos Afro-sambas, obra-prima de Baden Powell e Vinicius de Moraes que resultou em um dos discos mais reverenciados da música brasileira.

Em 2026, o disco “Os Afro-sambas” completa 60 anos — e é tempo de celebrar essa preciosidade que, desde 1966, ocupa um lugar único na nossa história musical. No espetáculo, a dupla revisita na íntegra o álbum, com clássicos como Canto de Ossanha e Canto de Xangô, marco da fusão entre o samba, as matrizes africanas e a canção brasileira, ampliando a experiência com canções que orbitam esse universo, como Berimbau e Labareda.

Marcos Sacramento, natural de Niterói (RJ), é reconhecido como uma das vozes mais expressivas e versáteis da música popular brasileira contemporânea. Em atividade desde a década de 1980, o cantor, compositor e letrista construiu uma trajetória sólida no samba e na MPB, destacando-se pela interpretação dramática, extensão vocal e refinado apuro estético. Ao longo de quatro décadas de carreira, Sacramento lançou diversos álbuns aclamados pela crítica especializada.

Zé Paulo Becker, violonista e compositor, tem 17 discos gravados, cinco com o Trio Madeira Brasil e mais doze de sua carreira como solista. Em 2025 lançou o elogiado álbum “Choro y Salsa”, composto de 12 músicas autorais. Como compositor é parceiro de Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Roque Ferreira, Mauro Aguiar, Edu Krieger, Moyseis Marques, Tiago Torres da Silva e Pedro Luís, entre outros.

# 20H30 – MAURÍCIO TIZUMBA 

Um dos grandes representantes da cultura popular mineira, Maurício Tizumba é cantor, compositor, ator e percussionista, reconhecido por seu trabalho de valorização das tradições afro-brasileiras. Com uma carreira consolidada, ele é referência na preservação e difusão do congado, manifestação cultural de origem africana profundamente enraizada em Minas Gerais. Mais do que um músico, ele é um artista plural que transita com maestria entre o canto, a percussão, o teatro e a direção artística, transformando o palco em um espaço de celebração e resistência.

Por meio do toque marcante do congado e de sua inconfundível presença cênica, Tizumba reverencia os saberes ancestrais e renova a identidade cultural de Minas Gerais. Sua trajetória artística funciona como um elo vivo entre gerações, mantendo vibrantes ritmos como o tambor, a marujada e o canto coletivo. Com uma energia contagiante e profunda sensibilidade, ele consagra a arte popular não apenas como espetáculo, mas como um ato essencial de memória, pertencimento e alegria. Maurício Tizumba é uma verdadeira força da cultura mineira, cuja arte pulsa no cruzamento entre a tradição afro-brasileira e a contemporaneidade.

# 21H30 – PATCHE DI RIMA

Verdadeiro embaixador da cultura guineense, Patche Di Rima está prestes a celebrar 20 anos de carreira como artista profissional. “Sou guineense, e é na música tradicional do meu país que me encontro, que me conheço, que me defino. Meu papel é compartilhar e transmitir a cultura guineense pelos cinco cantos do mundo”, afirma Patche Di Rima. Ele tem cinco álbuns gravados e está presente em várias compilações ao redor do mundo.

Primeiro, aventurou-se no rap com um sucesso relativo, mas tinha sede de fazer mais e melhor. Passou pelos grupos Solo Crioulo e Mantambeza, onde adquiriu experiência e maturidade no palco, antes de seguir carreira solo. A música de Patche Di Rima combina os ritmos tradicionais da Guiné-Bissau, como o gumbé, a tina e o singa, com o afrobeat e a world music. Um estilo único e original que ele batizou de Sikó. Em suas músicas, ele utiliza dialetos tradicionais guineenses, como o crioulo, o pepel, o manjaco, o fula, o mandinga e o soussou, tornando-se uma das maiores referências musicais do seu país.

PROGRAMAÇÃO – 29 DE NOVEMBRO (DOMINGO)

# 18H00 – LENNA BAHULE

Cantora, compositora e arte-educadora Lenna Bahule é originária de Moçambique. Ela é conhecida por seu alcance vocal e arranjos sofisticados, além de ritmos vibrantes que misturam sons tradicionais e contemporâneos de Moçambique e de outras culturas afro. Seu estilo de música transcendental é caracterizado pelo uso da voz como instrumento e de materiais orgânicos para produzir música, letras em diferentes idiomas africanos e imaginários e experiências imersivas de corpo-mente-alma.

Lenna Bahule colaborou com músicos de todo o mundo, incluindo nomes renomados como Varijashree Venugopal (Índia), Mélanie Bourire (Ilhas Reunião, Virginia Rodrigues (Brasil), Mû Mbana (Guiné-Bissau), Paulo Flores (Angola) e Stewart Sukuma (Moçambique). Sua discografia é composta por dois álbuns autorais (“Nômade” e “Kumlango”), outro só com canções e brincadeiras populares de Moçambique (“Memórias Daqui- cantares e outros sons”).

# 19H30 – HAMILTON DE HOLANDA TRIO

Referência mundial na música instrumental, o bandolinista e compositor carioca Hamilton de Holanda é aclamado por revolucionar a execução do bandolim ao reinventar o instrumento com a adição de 10 cordas. Criado em Brasília, onde consolidou sua formação acadêmica em composição, o músico transita livremente entre o choro, o jazz, o samba e a música erudita. Vencedor de múltiplos prêmios, Hamilton já se apresentou e gravou ao lado de ícones globais e nacionais como Wynton Marsalis, Chick Corea, Hermeto Pascoal, Milton Nascimento e Gilberto Gil, mantendo uma intensa agenda internacional de concertos e projetos orquestrais.

O Hamilton de Holanda Trio representa uma das expressões mais modernas e inventivas da música instrumental brasileira contemporânea. Liderado por Hamilton de Holanda, vencedor de diversos Latin Grammy Awards, com indicações ao Grammy e inúmeros Prêmios da Música Brasileira, o trio une a tradição do choro à linguagem do jazz contemporâneo com virtuosismo, emoção e liberdade criativa.

Ao lado de Salomão Soares (teclados e Moog) e Thiago “Big” Rabello (bateria), Hamilton forma uma das configurações mais inventivas da música instrumental brasileira contemporânea. O trio une a tradição do choro, a liberdade do jazz e a pulsação da música brasileira em uma sonoridade sofisticada, vibrante e profundamente autoral.

# 20H30 – RALLIE

Nome artístico de Raimundo Lima, Rallie é um cantor e compositor baiano que iniciou sua carreira fonográfica maduro, aos 62 anos, impulsionado por um encorajamento marcante de Tim Maia, de quem recebeu o apelido. O artista ganhou destaque na cena independente pela fusão ecleticamente rica de samba, MPB, soul e ritmos afro-brasileiros. Além de seus álbuns autorais, Rallie realiza tributos à música brasileira e promove intercâmbios culturais entre a Bahia e a África.

Em 2021, chamou a atenção do mercado ao lançar o álbum Imersão 32D, marcado por inovações de mixagem espacial e participações de nomes como Targino Gondim e Filipe Mukenga. Não por coincidência, Rallie abrirá o show de Filipe Mukenga, e juntos, cantarão músicas do repertório de ambos.

# 21H00 – FILIPE MUKENGA

Filipe Mukenga é um dos nomes mais respeitados da música angolana contemporânea. Cantor, compositor e pesquisador, sua obra reflete um profundo compromisso com a valorização das raízes culturais de Angola, incorporando ritmos tradicionais e elementos da música moderna. Com letras que abordam temas sociais, políticos e identitários, Mukenga construiu uma trajetória marcada pela autenticidade e pelo diálogo entre tradição e inovação. Sua presença no festival representa a força da música africana no contexto da lusofonia.

A interlocução entre Mukenga e artistas contemporâneos brasileiros vem de longa data.

Ele conheceu Djavan enquanto visitava a Angola como parte do Projeto Kalunga. Posteriormente, ele se juntou ao coletivo Canto Livre de Angola e realizou uma turnê no Brasil. Filipe Mukenga esteve várias vezes no Brasil, e já desenvolveu trabalhos com Ney Matogrosso, Zélia Duncan e Cássia Eller, entre outros.  O seu elogiado álbum “Nós somos nós”  foi gravado no Brasil, sob a direção de Zeca Baleiro. Ivan Lins e Martinho da Vila também colaboram no disco.

SERVIÇO

FEST IN BRASIL – ÁFRICA EM BELO HORIZONTE

LOCAL:

Grande Teatro SESC Palladium  (Rua Rio de Janeiro, 1046 – Centro) – Telefone: (31) 3270-8100

DATAS + HORÁRIOS

28/11 (Sábado) – A partir das 19:30h

29/11 (Domingo) – A partir das 18:00h

INGRESSOS ENTRE R$ 60,00 e R$ 200,00

PLATEIA 1

Inteira = R$ 200,00

Meia =   R$ 100,00

Solidários = R$ 160,00

PLATEIA 2

Inteira = R$ 160,00

Meia =   R$    80,00

Solidários = R$ 120,00

PLATEIA 3

Inteira = R$ 120,00

Meia =   R$    60,00

Solidários = R$ 100,00

À venda nas bilheterias do teatro e sympla.com.br

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO

Alves Madeira Comunicação e Produção

Monalisa Alves Madeira: (31 9.9166-0817 / 31 9.9679-6140)

Pedrinho Alves Madeira: (31 9.9991-5542 / 31 2531-2041)

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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Esta matéria foi produzida a partir da pesquisa de mestrado de Frederico Maciel, o Negro F, cuja dissertação foi defendida na Universidade de São Paulo (USP) e eu tive a honra e o orgulho de ter feito parte da banca examinadora. Tenho um orgulho muito grande de ser moradora da regional Leste de Belo Horizonte, bairro Santa Efigênia, regional investigada por Frederico. Ainda que a administração municipal tenha realocado o bairro em que moro na regional Centro-Sul, insisto em defender que este é um bairro da regional leste.
O interesse do empresário Danillo Primola, 34, pela dança começou bem cedo. Desde pequeno, já frequentava bailes com a sua mãe, adorava dançar forró com a irmã e sempre levava o primeiro lugar quando o assunto era concurso de dança.