Gente do Canjerê > Um protagonismo de africanidades

Um protagonismo de africanidades

Por Rafaela Pereira – graduada em Língua Portuguesa pela UFMG e pesquisadora de Literatura Infanto Juvenil e Representações Afro-brasileiras.

Eis que apareceu naquela escola um professor usando trança nagô, barrete com as cores do reggae, um estilo ressaltando muito bem a sua negritude. Para os alunos, não deixava de ser novidade um professor com aquele perfil, pois até o momento não havia aparecido um como ele.

Não demorou muito para conquistar a simpatia dos alunos que, por meio dele, começaram a ter acesso ao que tangia à cultura afro-brasileira.

Logo, percebeu-se que aquele professor não transitava somente no território educacional. Foi quando começamos a ver seu rosto estampado em propagandas comerciais, educacionais, políticas e em cartazes de peças de teatro.

Realmente, o espaço escolar não estava dando conta de abraçar as ações de Denilson Tourinho. Ator, mestre em Africanidades pela Universidade de Brasília, dançarino, produtor cultural e professor, Denilson exerceu (e exerce) importantes papéis nas artes cênicas, integrando, concomitantemente, diversos projetos pelos quais recebeu vários prêmios, entre eles, o “Troféu Mês da Consciência Negra”.

Atualmente vem se destacando devido à sua belíssima atuação na peça Madame Satã,dirigido por João das Neves, em que interpreta com louvor o personagem João Francisco dos Santos, transformista e figura emblemática do cenário carioca no início do século XX.

Além de integrar essa obra, Denilson faz parte do elenco de Galanga, Chico Rei Kàdáràdestaca-se também como um importante nome nas artes cênicas e colaborador, com excelência, do protagonismo cultural afromineiro.

Essa postagem foi possível graças a um dos nossos parceiros:​

Editorial Revista Canjerê

Você também pode gostar

Ao estudarmos a história da África, percebemos que a produção de informações a respeito de suas diversas sociedades subsaarianas é algo recente em termos historiográficos com início do seu apogeu a partir da Segunda Guerra Mundial, e ao olharmos a formação da sociedade brasileira notamos que esta foi intrinsecamente modelada sobre a influência desses povos africanos de modo que quatro séculos de escravidão conectaram profundamente a África Atlântica ao Brasil.
Roger Deff é rapper e pesquisador da cena de Belo Horizonte. Lançou os álbuns “Etnografia Suburbana” (2019), “Pra Romper Fronteiras” (2021) e “Alegoria da Paisagem” (2023). A música Etnografia Suburbana é parte da trilha sonora da novela “Volta Por Cima” ( 2024) e o rapper assina desde 2019 a trilha sonora de abertura do programa Rolê nas Gerais, ambas na TV Globo.
Esta editoria está sendo fechada em maio, no dia 25 é celebrado o Dia da África, que é a comemoração anual da fundação da Organização da Unidade Africana.