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Angélique Kidjo se torna primeira musicista africana a receber estrela na Calçada da Fama de Hollywood

Aos 66 anos, artista do Benim fez história ao receber a 2.854ª estrela do espaço e dedicou reconhecimento ao continente africano

A cantora, compositora e ativista Angélique Kidjo entrou para a história de Hollywood ao se tornar, aos 66 anos, a primeira musicista africana e a primeira pessoa negra africana a receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. A homenagem aconteceu em 18 de agosto de 2026, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Vencedora de cinco prêmios Grammy e dona de uma carreira que atravessa mais de quatro décadas, Kidjo recebeu a 2.854ª estrela da Calçada da Fama, na categoria Gravação. A homenagem está localizada no número 7011 da Hollywood Boulevard, em frente ao histórico Hollywood Roosevelt Hotel, e a cerimônia contou com a participação do ator Willem Dafoe e de Harvey Mason Jr., CEO da Recording Academy e da MusiCares.

Mais do que celebrar uma trajetória individual, Kidjo transformou o momento em uma afirmação sobre a contribuição cultural do continente africano para o mundo. Em entrevista à BBC após a homenagem, declarou que a estrela pertencia a todo o continente africano e destacou a influência de suas raízes sobre diferentes gêneros da música contemporânea, entre eles blues, R&B, rock, soul e jazz.

Durante a cerimônia, a cantora também reforçou que os próprios africanos nem sempre dimensionam o impacto de sua contribuição para a cultura mundial. Ao afirmar que não seria possível pensar a música no planeta sem a presença africana, Kidjo colocou no centro da celebração uma história coletiva que ultrapassa sua própria trajetória.

Reprodução Instagram: @angeliquekidjo

Uma carreira atravessada por continentes

Nascida no Benim, na África Ocidental, Angélique Kidjo construiu uma trajetória internacional marcada pelo encontro entre diferentes referências musicais. Ao longo da carreira, incorporou tradições de sua infância e da música da África Ocidental a elementos do R&B, funk, jazz, gospel e a sonoridades da América Latina e de outras regiões da diáspora africana.

Em mais de 40 anos de carreira, lançou 18 álbuns e estabeleceu parcerias com artistas de diferentes gerações e nacionalidades. Seu trabalho também ajudou a ampliar a circulação internacional da música produzida no continente africano, abrindo caminhos em uma indústria que historicamente concentrou seus principais espaços de reconhecimento nos Estados Unidos e na Europa.

A homenagem chega também em um momento de renovação de sua produção artística. Em abril deste ano, Kidjo lançou “HOPE!!”, seu 18º álbum, com participações de nomes como Pharrell Williams, Quavo, Ayra Starr, Davido, Nile Rodgers, Charlie Wilson, IZA e PJ Morton. Dedicado à mãe da cantora, o projeto aborda esperança, humanidade e a capacidade da música de produzir conexão em períodos de incerteza.

Direitos de autor AP Photo

Música, ativismo e transformação social

A atuação de Angélique Kidjo ultrapassa os palcos e se conecta a uma trajetória de defesa dos direitos humanos. Desde 2002, ela é Embaixadora da Boa Vontade do UNICEF e utiliza sua projeção internacional na defesa dos direitos das crianças e da educação de meninas. A cantora também fundou a Batonga Foundation, organização voltada à educação, liderança e autonomia econômica de meninas e jovens mulheres africanas.

Sua trajetória reúne ainda reconhecimentos internacionais relacionados à música e à atuação social, entre eles o Crystal Award do Fórum Econômico Mundial, o Ambassador of Conscience Award da Anistia Internacional e o Polar Music Prize. Kidjo também já foi incluída pela revista Time entre as 100 pessoas mais influentes do mundo.

Angélique Kidjo é uma cantora, compositora, dançarina, atriz, diretora e produtora beninense. – (crédito: AFP)

Uma estrela que aponta para a África

A chegada de Angélique Kidjo à Calçada da Fama acontece em um período de crescente projeção internacional de artistas africanos e das sonoridades produzidas no continente. Para a organização responsável pela homenagem, o reconhecimento representa tanto a celebração da trajetória individual da cantora quanto do caminho que ela ajudou a construir para outras gerações de artistas africanos.

Ao se tornar a primeira musicista africana e a primeira pessoa negra africana a ocupar esse espaço, Kidjo inscreve seu nome em um dos símbolos mais conhecidos da indústria do entretenimento mundial e amplia o significado da conquista ao direcionar os holofotes para o continente de onde veio.

A estrela na Hollywood Boulevard leva o nome de Angélique Kidjo, mas representa também uma história coletiva construída por um continente cujas músicas, ritmos e culturas atravessaram fronteiras e contribuíram de maneira decisiva para a formação da cultura mundial.

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Editorial Revista Canjerê

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