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O pioneirismo de Celso Moretti e sua relevância para a música negra em Minas Gerais

 Por Roger Deff – Rapper e pesquisador. Lançou os álbuns “Etnografia Suburbana” (2019), “Pra Romper Fronteiras” (2021) e “Alegoria da Paisagem” (2023). É Doutorando e Mestre em Artes pela UEMG. Graduado em jornalismo e  especialista em Produção e Crítica Cultural pela PUC.

Reverenciado por toda uma geração de artistas, do rap ao reggae, Celso Moretti é um dos grandes mestres da nossa música, uma referência de construção e continuidade da música negra e periférica. Artista residente no município de Betim, nascido em São João Del Rei e criado em Contagem, Moretti foi um dos fundadores da banda Nego Gato, grupo pioneiro do reggae em Minas Gerais, onde Celso iniciou suas composições, no início dos anos 80.              

Com o fim da banda, em 1987, Moretti seguiu com sua caminhada solo. Ao aprofundar sua pesquisa sobre a música afrodiaspósrica, o artista chegou à conclusão de que seu reggae trazia características distintas do gênero musical produzido na Jamaica, uma vez que seu trabalho encontrava elementos da música brasileira, com leituras da vida nas periferias e com características simbólicas que exaltam a linguagem do território e os trejeitos favelísticos. Foi a partir destas premissas que Moretti criou o Reggae Favela, o que norteou e deu nome ao seu primeiro álbum lançado em 1998, tema que também orientaria toda a sua discografia, fazendo daquela música a trilha sonora para narrar as histórias das pessoas à sua volta, e amplificar, com a força dos seus versos, a existência destes espaços. 

Artista independente, muito antes do termo tornar-se tão usual para descrever músicos que seguem fora dos circuitos do mainstream, Moretti segue com mais de 40 anos de caminhada na qual trabalhou com artistas diversos como Ras Bernardo (primeiro vocalista do Cidade Negra), Tamara Franklin, Sérgio Pererê, Douglas Din, entre outros. Nessa estrada, por ser um artista underground, cujo trabalho sempre está por ser descoberto por novos públicos, Moretti diz que seus discos estão em constante lançamento, uma vez que são novos para muitas pessoas que ainda não conhecem sua obra. Importante ressaltar aqui a importância do trabalho deste artista para a música mineira e também dizer que para além de ser a voz pioneira do reggae em Minas Gerais, o músico é um dos pioneiros do reggae no Brasil e um dos mais longevos em atividade.

A discografia de Moretti traz os álbuns “Reggae Favela” (1998), Reggae Favela Periferia” (2002), “Reggae Favela Brasil” (2006), “Estilingue” (2015) e “Contingente Reggae Favela” (2024), todos disponíveis nas plataformas digitais. Algumas músicas dos três últimos discos estão no repertório do LP “Setenta” com Celso Moretti e a Banda Barraco de Aluguel.

Salve professor Moretti!

Foto: Moxo Alvarenga

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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