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Samira Reis: Uma história de superação e de busca por espaços

Por Roger Deff, rapper e jornalista

Jornalista, colaboradora da revista Canjerê e modelo, a mineira nascida em Divinópolis, Samira Reis, escolheu BH como sua segunda casa. Determinada em relação aos seus objetivos, enfrentou os desafios colocados à sua frente com disposição e otimismo.

Sua história, assim como a de outras mulheres negras brasileiras, é de superação e de busca por espaços. Numa sociedade marcada pela invisibilidade de grupos sociais como mulheres e afrodescendentes, ela escolheu caminhos nada fáceis que vão justamente na contramão tanto da invisibilidade quanto do silenciamento comumente impostos.

O anseio por novos caminhos fez com que ela se torna uma das primeiras da sua família a entrar para uma faculdade. “Fui a segunda a ingressar na academia. Do lado materno, tenho um tio formado em Letras. Quando falo sobre isso, retomo ao abismo em que vivemos.

Minha mãe tem cinco irmãos, sendo dois falecidos. Somente um conseguiu entrar em uma faculdade. Meu pai tem nove irmãos, e nenhum teve essa experiência”, conta, enfatizando que esse núcleo foi o que incentivou outros da sua família a continuarem seus estudos.

Apaixonada por TV, dedicou seu aprendizado na faculdade a essa área em especial e, após formada, foi coordenadora do laboratório da TV universitária da instituição em que estudou.  Mais tarde, mudou-se para Belo Horizonte, onde foi repórter institucional de uma universidade, experiência que lhe rendeu vários aprendizados, além de ter estreitado suas relações com o movimento negro.

“Amadureci profissionalmente e como pessoa, mulher negra. Quebrei tabus comigo, alguns que me cercavam e fui cada vez mais adentrando nas pautas do movimento negro. A capital mineira me presenteou de várias maneiras, à qual sou grata”, enfatiza.

Ainda adolescente, antes mesmo de ocupar a academia num curso de comunicação, Samira Reis atuou também como modelo, outro desafio, uma vez que são lugares onde a idéia de beleza está predominantemente ligada a uma estética européia. “Atualmente faço poucas coisas na área. Mas percebo que essa mentalidade da magreza, altura e beleza europeia ainda permeia as agências brasileiras”, conta.

O teatro foi outra das suas experiências, e antecedeu as duas carreiras que vivenciou na fase adulta. Samira lembra que fazia teatro em sua cidade natal desde os 12 anos de idade e se descreve como uma “apaixonada pelos palcos, pelos desafios de encarar novos personagens”.

Aos 16, ingressou num curso de modelo e confessa que essa perspectiva a deixava um pouco assustada, mas tomou gosto pelo trabalho com o tempo. “Aos poucos, fui ganhando gosto pela coisa. Minha altura era meu forte e me permitia destacar nos trabalhos em que era escalada. No entanto, passei pela pressão do corpo magro, de encarar roupas feitas para um único biótipo”, recorda.

O sonho de atuar profissionalmente como modelo a levou até a capital paulista, onde conheceu algumas agências e pôde ver de perto o quanto aquele mercado era competitivo e restrito. Ao retornar para sua cidade, o foco foi a faculdade onde pôde mergulhar mais naquela que seria uma das suas grandes vocações profissionais: o jornalismo.

Foto: Mateus Dias

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Editorial Revista Canjerê

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