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Taibo Bocar – Modelo de Internacionalização da Moda Moçambicana

   Rosália Diogo – Curadora do Casarão das Artes Negras. Jornalista. Chefe de Redação da Revista Canjerê

Foto: divulgação

Em Moçambique, circulou na mídia a notícia de que um Moçambicano vestiu uma atriz premiada: a atriz britânica Charlotte Carroll, na 82ª edição do Globo de Ouro 2025, nos Estados Unidos, que decorreu na Califórnia. A partir daí, o Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas de Moçambique destacou: “é a primeira vez que um estilista moçambicano leva uma marca nacional à arena internacional, onde várias estrelas do cinema se cruzam, o que é uma conquista para o sector da moda”. 

Essa notícia aguçou a nossa curiosidade e logo fomos procurar pelo estilista Taibo Bacar. Trata-se de um jovem de 39 anos, de família pobre economicamente, nascido em Maputo, sendo criado na cidade de Matola, região metropolitana de Maputo. A mãe era costureira e ele seguiu as pegadas dela. Bacar tem seis irmãos. Segundo ele “nunca me faltou escola, material escolar, lanche e comida à mesa, embora algumas vezes os pais não estavam nela para se alimentarem conosco. A prioridade da alimentação era para os filhos.”.

Nos chamou a atenção a fala de Taibo Bacar, destacando que a casa em que morava era de propriedade da mãe dele. Ela comprou a casa a partir do seu trabalho. Para ele, era importante que as irmãs tivessem como referência essa autonomia e referência na mãe para seguirem pela vida com foco no poder das mulheres.

A loja, ateliê e as salas de negócios de Taibo Bacar estão localizadas no Hotel Glória, que é um hotel cinco estrelas em Maputo. Segundo ele “a base da criação estilista dele é para mulheres, pois o espelho dele é a sua mãe, que só desenhava e costurava para mulheres”. Taibo reforça que entende muito mais sobre a silhueta feminina, desde sempre. Ele nos disse a sua condição de empreendedor que cursou administração e gestão empresarial, sendo um bom profissional do ramo.

Bacar nos informa que passou a produzir roupa masculina pelo fato de ter observado o mercado e ter sentido a necessidade de ampliar os seus negócios. Ele tem quinze anos de trabalho relacionado à costura para as mulheres e menos de dois anos com a produção para os homens.

A empresa Taibo Bacar está colocada em três dimensões: passado, presente e futuro. Hoje, ela vende mais para dentro de Moçambique. Mas, no passado, já vendeu em maior quantidade para a África do Sul, Portugal, Angola e Nigéria.  Segundo o estilista, Angola foi o país estrangeiro que mais lhe rendeu financeiramente, colaborando fortemente para o crescimento do empreendimento.

O estilista disse que, em um determinado momento, teve que se desvincular da persona Taibo Bacar para que a instituição, que leva o nome dele, crescesse. Entendemos que foi uma forma de melhor profissionalizar e elevar a empresa.

O estilista afirma que “nos últimos dois anos tem feito muitos investimentos, pensando no mercado internacional.”. Ele conta que seguramente é necessário se conectar com o mercado modista na África do Sul e na Nigéria para ampliar a relevância dos seus negócios. Esses dois países africanos são os mais expressivos no campo da indústria da moda.

Percebemos que, ao marcar a sua presença num dos maiores palcos internacionais do cinema e do entretenimento, Taibo Bacar eleva o trabalho dos estilistas de seu país, prova a qualidade do trabalho produzido em Moçambique, evidencia o talento dos moçambicanos e demonstra ao mundo que a produção nacional está ao nível de competir com estilistas de outros quadrantes do mundo.

Salve a luz do estilista Taibo Bakar!

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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