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Mauro Brito: uma jornada entre continentes e cultura

Jaice Balduino – Jornalista multimídia

Foto: acervo pessoal

A trajetória de Mauro Brito é marcada por encontros, cultura e um profundo vínculo com o Brasil. Natural de Cabo Verde, Mauro cresceu imerso em uma rica tradição cultural que sempre o acompanhou em sua caminhada pelo mundo. Sua relação com o Brasil, no entanto, não foi apenas uma coincidência geográfica, mas sim um laço construído ao longo do tempo, através da arte, da identidade afrodescendente e de conexões que transcendem fronteiras.

Ao chegar ao Brasil, Mauro encontrou um terreno fértil para seu desenvolvimento pessoal e profissional. A similaridade entre Cabo Verde e o Brasil, especialmente na musicalidade, na oralidade e na força das manifestações culturais, fez com que ele se sentisse em casa. Foi aqui que suas experiências adquiriram novas camadas de significado, enriquecendo ainda mais sua jornada. O Brasil lhe proporcionou oportunidades para expandir sua atuação artística e cultural, promovendo um intercâmbio intenso entre as duas nações e fortalecendo a identidade afrodescendente por meio da música, do teatro e da contação de histórias.

Nesse percurso, uma figura fundamental se destacou: Rosália Diogo. Referência na valorização da cultura afro-brasileira e do protagonismo negro, ela foi mais do que uma inspiração para Mauro; foi uma parceira e guia nessa construção de identidade e pertencimento. A troca entre os dois não apenas fortaleceu sua conexão com o Brasil, mas também reafirmou a importância de contar histórias que enaltecem a resistência e a potência das culturas de matriz africana. Ele passou a atuar diretamente em projetos que buscam dar voz e visibilidade a essas narrativas, contribuindo para a preservação e difusão do patrimônio imaterial afro-brasileiro.

Brito não apenas incorporou esses ensinamentos, mas também os transformou em ação. Seu trabalho se tornou um elo entre Cabo Verde e Brasil, promovendo diálogos e intercâmbios culturais que fortalecem a identidade afrodescendente em ambas as regiões. Através da arte, da música e da oralidade, ele constrói pontes que conectam o passado ao presente, ressignificando narrativas e ampliando horizontes. Em apresentações, oficinas e encontros culturais, compartilha sua vivência e seu conhecimento, inspirando novas gerações a reconhecerem e a valorizarem suas raízes africanas.

Sua atuação vai além das fronteiras físicas: Mauro utiliza sua voz e sua experiência para dar visibilidade às histórias e vivências da diáspora africana, contribuindo para um mundo mais consciente de suas raízes e de sua diversidade cultural. Seja em projetos comunitários, em espaços acadêmicos ou em performances artísticas, ele reafirma a importância da ancestralidade e do pertencimento. No Brasil, tem se engajado ativamente em eventos culturais, seminários e colaborações com artistas e intelectuais comprometidos com a luta antirracista e a valorização da cultura negra.

Hoje, Mauro Brito segue essa missão com dedicação e paixão. Seu percurso é um testemunho do poder transformador da cultura e da arte, elementos que não apenas o conectam ao Brasil, mas também fortalecem a luta por reconhecimento e valorização das heranças africanas no mundo; sua jornada é, acima de tudo, um convite para que mais pessoas se reconheçam na história que ele ajuda a contar e a construir. Com sua presença marcante no Brasil, continua sendo uma referência na construção de um diálogo intercultural sólido, capaz de unir povos, fortalecer identidades e promover a riqueza da diversidade afrodescendente.

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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Maria Luiza Viana é professora do Departamento de Tecnologia do Design, da Arquitetura e do Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais, possui Doutorado em Design pela USP (Universidade de São Paulo).
Mestre interdisciplinar em Humanidades. Mestre em arte. Doutorando em Educação. Pesquisador, Jornalista, Ensaísta e Professor. Escritor independente. Publicações: “Mãe, Pai & Lógunède”, 2015; “Aproximação dialógica: Cosmogonias grega e iorubá”, 2019; “Sereia presa na caixa d’água: AXÉ I - A senhora da garrafa”, 2020; “A leitura da arte afrodiaspórica por meio do xirê do candomblé”, 2024 entre outras publicações.