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Dalva Silveira: a força da palavra como resistência

Jaice Balduino – Jornalista multimídia

A trajetória de Dalva Silveira é um testemunho de como a arte e o conhecimento podem se entrelaçar para transformar a sociedade. Nascida em Belo Horizonte, em 1967, ela cresceu durante os anos de chumbo da ditadura militar, período que marcaria profundamente sua visão de mundo e seu compromisso com a memória histórica. Professora, escritora e pesquisadora, Dalva construiu uma carreira dedicada à reflexão sobre a resistência política e cultural no Brasil.

Graduada em História, mestre e doutora em Ciências Sociais, ela se debruçou sobre o papel da música e da imprensa alternativa dos anos de 1970, resultando em livros como Geraldo Vandré: a vida não se resume em festivais e De Realidade a Caros Amigos – A turma do Ex, imprensa alternativa e seu legado. Ao longo de mais de duas décadas, transformou pesquisa em ação, levando conhecimento a diferentes públicos por meio de palestras, artigos e saraus literários.

Dalva enxerga na arte um instrumento de resistência. Sua poesia é marcada pela luta contra toda forma de opressão — racial, de gênero, de classe ou ambiental. “A transformação social só acontece se a arte e o conhecimento forem levados aos locais populares”, afirma. Essa crença a move também em sua atuação no Instituto Cultural Casarão das Artes Negras, onde recita poemas e compartilha reflexões em eventos como o Canjerê, espaço de celebração da cultura afro-brasileira.

Sua relação com o Casarão é também um reencontro com a história: amiga de longa data da curadora Rosália Diogo, Dalva reencontrou nos encontros do projeto o mesmo espírito coletivo e libertário que viveu na juventude, quando a música e o debate político ocupavam sua casa no bairro Santa Inês.

Com lucidez, ela critica o descaso com a memória da ditadura e a ausência de políticas públicas que incentivem o debate sobre o tema. Ainda assim, segue firme em seu propósito: “Mesmo de forma solitária, prossigo com o meu trabalho, porque acredito que a democracia, embora frágil e inacabada, deve ser preservada a qualquer custo.”.

Inspirada por nomes como Lima Barreto, Elis Regina e Mário Quintana, Dalva faz de sua escrita um ato de resistência e afeto. Ao celebrar a revista Canjerê, ela reafirma sua fé no poder transformador dos sonhos: “A Canjerê é um exemplo de que é possível transformar ideias em realidades que tornam o mundo mais justo e, consequentemente, mais feliz.”.

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Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

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SIGNOS Endereço nos cabelos leva a mais do que leio onde estão dançando em ritmos vermelhos. Dançam tatuagens alheias a seu desenho. As siglas dos mistérios fecham sem correntes um corpo que intenso se move na inércia. E sobre outro corpo – maestro por urgência – dança como se antes vencesse o desespero. Dentro da música o pente a silhueta a hora em que a última fera sabe o sigilo dos velhos.