Gente do Canjerê > Um protagonismo de africanidades

Um protagonismo de africanidades

Por Rafaela Pereira – graduada em Língua Portuguesa pela UFMG e pesquisadora de Literatura Infanto Juvenil e Representações Afro-brasileiras.

Eis que apareceu naquela escola um professor usando trança nagô, barrete com as cores do reggae, um estilo ressaltando muito bem a sua negritude. Para os alunos, não deixava de ser novidade um professor com aquele perfil, pois até o momento não havia aparecido um como ele.

Não demorou muito para conquistar a simpatia dos alunos que, por meio dele, começaram a ter acesso ao que tangia à cultura afro-brasileira.

Logo, percebeu-se que aquele professor não transitava somente no território educacional. Foi quando começamos a ver seu rosto estampado em propagandas comerciais, educacionais, políticas e em cartazes de peças de teatro.

Realmente, o espaço escolar não estava dando conta de abraçar as ações de Denilson Tourinho. Ator, mestre em Africanidades pela Universidade de Brasília, dançarino, produtor cultural e professor, Denilson exerceu (e exerce) importantes papéis nas artes cênicas, integrando, concomitantemente, diversos projetos pelos quais recebeu vários prêmios, entre eles, o “Troféu Mês da Consciência Negra”.

Atualmente vem se destacando devido à sua belíssima atuação na peça Madame Satã,dirigido por João das Neves, em que interpreta com louvor o personagem João Francisco dos Santos, transformista e figura emblemática do cenário carioca no início do século XX.

Além de integrar essa obra, Denilson faz parte do elenco de Galanga, Chico Rei e Kàdáràe destaca-se também como um importante nome nas artes cênicas e colaborador, com excelência, do protagonismo cultural afromineiro.

Essa postagem foi possível graças a um dos nossos parceiros:​

Editorial Revista Canjerê

Você também pode gostar

Dalva Silveira reencontrou, nos encontros do projeto Casarão das Artes e Revista Canjerê, o mesmo espírito coletivo e libertário que marcou sua juventude. Nascida em Belo Horizonte, em 1967, cresceu sob a ditadura militar, experiência que moldou sua visão crítica e seu compromisso com a memória histórica. Professora, escritora e pesquisadora, construiu uma trajetória dedicada à reflexão e à resistência política e cultural no Brasil.
“Acredito que um artista precisa estar presente no seu tempo”, é o que afirmou Carlandréia Ribeiro, ao citar uma de suas maiores referências, Nina Simone. Essa frase sintetiza o papel que a arte desempenha em sua vida e em sua luta por um mundo mais justo e consciente. A artista tem uma história marcada pelo teatro, pela ancestralidade e pela resistência cultural.
Belo Horizonte recebe, no dia 6 de setembro, a partir das 12h, mais uma edição do “Oxum para Todos”, evento promovido pela Casa de Candomblé Ilê Asé Omi Ogunsade, que levará ao Parque Municipal Américo Renné Giannetti uma celebração da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e da presença dos Povos de Terreiro nos espaços públicos da cidade. A programação será realizada na região das estátuas de Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez e contará com apresentações culturais de grupos de Belo Horizonte, além da entrega de um presente biodegradável a Oxum. O evento é gratuito e aberto ao público.