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92BPM – projeto homenageia as bases do rap e promove o encontro de gerações de MCs de BH

     Por Roger Deff Rapper e pesquisador da cena de Belo Horizonte. Lançou os álbuns “Etnografia Suburbana” (2019), “Pra Romper Fronteiras” (2021) e “Alegoria da Paisagem” (2023). É Doutorando e Mestre em Artes pela UEMG.

Mantendo viva a tradição clássica do rap “boombap”, o projeto 92BPM apresenta novo e potente álbum com MCs de Belo Horizonte em interpretações magistrais ancoradas nas bases do DJ Preto C. 

Costumo brincar que, ao falar do hip hop para público amplo, é necessário, antes de tudo, estabelecer um glossário básico. Pois vamos a ele: hip hop é o nome do movimento cultural que engloba as linguagens artísticas break, DJ, MC e grafitti. MC é a sigla de Mestre de Cerimônia, o responsável pela animação da festa e por ser o porta-voz, através do rap (que é a música) da cultura hip hop. Uma vez estabelecidas essas bases conceituais, podemos falar sobre esse projeto tão importante que é o 92BPM, criado em 2023 quando a produtora artística Totty Soraia e o produtor musical Preto C tiveram a idéia de produzir uma coletânea que reunisse MCs de gerações diferentes da cena de Belo Horizonte, sob a estética sonora do boombap, a batida clássica do rap durante os anos 90. Automaticamente o ritmo que vem à mente quando pensamos em rap clássico é justamente o do boombap, que já nos convida para aquele balanço com a cabeça, para frente e para trás, tamanho o poder da batida. 

Seguindo a mesma idéia do novo projeto, Preto C, um dos nossos beatmakers mais habilidosos, segue na missão de apresentar a versatilidade desse sub-gênero mais tradicional do rap, construindo as músicas com a técnica “artesanal” do sampler, criando novas obras a partir de pequenos trechos de músicas pré-existentes. O trabalho resultante vem de habilidade técnica, muita pesquisa sonora e ganha forma com as vozes dos MCs que se revezam ao longo das 12 faixas do álbum.

O time reúne homens e mulheres de gerações diversas do rap de BH e região, pessoas com 30 anos de estrada e outros pertencentes à geração mais recente do movimento, o que dá um belo panorama do quanto o rap, o hip hop em suas bases, segue vivo e pulsante. Participam do projeto Radical Tee, PDR Valentim, Nil Rec, Destro Ocelli, Pedro DDG, Neghaum, Tio Caco, Paula Ituassu, Ohana, NDPCON , Bob, DMORO, Dozi  Bala, Monge , BPO, DJ B8 , DJ Reinaldo Café , Talita Silva, BIG Gill , Shabê Furtado, Dokttor Bhu, P.Drão, Sem Meia Verdade, Ed-mun  e Zulu.

O diferencial dessa nova edição está nas duplas, já que MCs que participaram do primeiro álbum puderam convidar outros artistas da cena local e demonstraram que a capital mineira não só respira rap há muito tempo, mas também traz uma variedade intergeracional de artistas que permanece desconhecida do grande público, mas que segue em caminhadas muito sólidas. O álbum, assim como o anterior, está nas principais plataformas digitais,

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Sandra Nandaka

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Jornalista, colaboradora da revista Canjerê e modelo, a mineira nascida em Divinópolis, Samira Reis, escolheu BH como sua segunda casa. Determinada em relação aos seus objetivos, enfrentou os desafios colocados à sua frente com disposição e otimismo.