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Pesquisa de Robson Di Brito investiga a memória como caminho para a educação

Em capítulo publicado em livro da Faculdade de Educação da USP, pesquisador aproxima o Jardim de Epicuro e o terreiro de candomblé para refletir sobre memória, conhecimento e processos educativos

O que um jardim da Grécia Antiga e um terreiro de candomblé podem revelar sobre educação? É a partir desse encontro entre diferentes tradições de pensamento que o pesquisador Robson Di Brito propõe uma reflexão sobre memória, construção de saberes e os espaços onde o conhecimento é produzido e compartilhado.

A investigação ganhou um novo desdobramento com a publicação do capítulo “O jardim de Epicuro e o terreiro de candomblé: reflexão sobre a memória na educação”, que integra o livro Estudos em Filosofia da Educação – Vol. II, publicado pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) e organizado pelos professores Marcos Pagotto-Euzébio, Rogério de Almeida e Marcos Baccari.

O trabalho nasce do encontro entre os estudos realizados por Di Brito nas disciplinas de Filosofia da Educação da FEUSP e a pesquisa bibliográfica desenvolvida para sua tese, intitulada “O terreiro como espaço educativo”.

Mais do que estabelecer uma comparação entre universos distintos, a proposta é colocá-los em diálogo. Ao aproximar diferentes tradições de pensamento, Di Brito investiga como a memória participa dos processos educativos e da construção e transmissão dos saberes.

Quando o terreiro também ensina

A pesquisa chama atenção para uma compreensão de educação que ultrapassa os espaços tradicionalmente reconhecidos como lugares de aprendizagem. Ao tomar o terreiro como objeto de investigação, o trabalho abre caminho para pensar práticas educativas construídas por meio da convivência, da oralidade, da ancestralidade, da experiência e da memória.

Nesse sentido, olhar para o terreiro como espaço educativo significa também reconhecer que o conhecimento não é produzido exclusivamente dentro das instituições formais. Há saberes que atravessam gerações e permanecem vivos porque são compartilhados nas relações entre pessoas, comunidades, territórios e suas histórias.

Essa perspectiva ganha relevância em um país marcado pela presença e pela contribuição das populações negras na formação cultural, social e intelectual, mas no qual conhecimentos de matrizes africanas e afro-brasileiras foram historicamente deslegitimados ou colocados à margem dos espaços formais de produção do saber.

É justamente nesse ponto que a memória deixa de aparecer apenas como lembrança do passado. Ela pode ser compreendida como parte de um processo vivo: aquilo que permite transmitir experiências, construir pertencimento, preservar conhecimentos e elaborar novas formas de compreender o mundo.

Pesquisa que atravessa diferentes espaços

O capítulo integra um percurso investigativo mais amplo. Segundo Di Brito, parte das reflexões desenvolvidas durante sua revisão bibliográfica tem se transformado em publicações em revistas, livros e apresentações em eventos acadêmicos.

A publicação em Estudos em Filosofia da Educação – Vol. II representa um desses desdobramentos e coloca em circulação uma discussão que aproxima filosofia da educação, memória e saberes construídos no terreiro.

Ao fazer esse movimento, a pesquisa também provoca uma pergunta importante: quais espaços reconhecemos como lugares legítimos de educação e produção intelectual?

Se aprender também é recordar, transmitir, observar, conviver e construir sentidos coletivamente, os terreiros carregam experiências educativas que atravessam gerações e ajudam a ampliar a própria maneira como pensamos o conhecimento.

Entre o Jardim de Epicuro e o terreiro de candomblé, a investigação de Robson Di Brito encontra, portanto, mais do que diferenças. Encontra possibilidades de diálogo — e uma oportunidade de reconhecer a memória como elemento fundamental para que saberes continuem circulando, transformando pessoas e produzindo futuros.

Serviço
O capítulo “O jardim de Epicuro e o terreiro de candomblé: reflexão sobre a memória na educação” integra o livro Estudos em Filosofia da Educação – Vol. II, publicado pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP).

Leia mais: Antecipando ao Racismo: Guia de Enfrentamento ao Racismo do SENAI e SESI – RJ

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Editorial Revista Canjerê

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