Cultura > Stewart Sukuma: a música é a nossa verdadeira pátria

Stewart Sukuma: a música é a nossa verdadeira pátria

Por Léo Oliveira – Professor Adjunto no Curso de Design UFMG. Pesquisador sobre Jazz, DJ e radialista. Publisher da Revista Canjerê. Foto: Marimba Brooking – Divulgação

Em um cenário global onde a música transcende fronteiras e reconta histórias silenciadas, Stewart Sukuma, nascido Eduardo Eduardo em 1963, na província moçambicana de Inhambane, inova e se renova ano a ano, não apenas como um artista, mas como um tecelão de diásporas. O Sukuma do seu nome artístico significa “empurrar” na língua xiChope, o que não deixa dúvida sobre a correta escolha, pois representa a força de sua obra e o manifesto de amor à música de sua terra. 

Stewart iniciou sua carreira nos anos 1980 como integrante do grupo Kapa Dêch, que misturava ritmos tradicionais com pop e Jazz. Porém, foi com a Marrabenta, ritmo tradicional de Moçambique, que sua música ganhou identidade e se transformou em um veículo de resistência e celebração à sua terra, seu povo e sua cultura. Stewart Sukuma é ativista social declarado e para ele a música é a nossa verdadeira pátria.

A Marrabenta, surgida nos subúrbios de Maputo na década de 1950, carrega em sua instrumentação adaptada e vibrante à narrativa de um povo que resistiu ao colonialismo. Sukuma absorveu essa herança, mas não se limitou a ela. Com isso, Moçambique, país marcado por uma história de guerras de libertação, encontrou na música de Sukuma um espelho para suas lutas e alegrias, de modo que apreciar a trajetória dessa música é um convite a repensar como a arte propicia reconectar fragmentos da luta de um povo e de uma África espalhada pelo mundo.

Sukuma fundiu a tradição com elementos contemporâneos, criando uma sonoridade que ele define como “afro-contemporânea”, valorizando línguas locais, abordando desde a crítica social até a celebração da diversidade étnica. 

Ele também é conhecido por seu ativismo além da música. Como Embaixador da UNICEF desde 2002, atua em campanhas de saúde – combatendo estigmas como o HIV/AIDS –, de educação e pela valorização da memória do seu país. 

O legado de Sukuma desafia-nos a pensar a diáspora não como um evento do passado, mas como um rio em fluxo contínuo. Ao ouvi-lo, percebemos que a Marrabenta não é apenas um gênero musical – é um convite a reimaginar fronteiras. E nesse exercício, Brasil e Moçambique não são nações distantes, mas irmãos separados pelo mar, cujas histórias se reconectam toda vez que um tambor é batido.

Essa postagem foi possível graças a um dos nossos parceiros:​

Rosalia Diogo

Jornalista, professora, curadora do Casarão das Artes Negras, chefe de redação da Revista Canjerê, Dra em Literatura, Pós-doutora em Antropologia.

Você também pode gostar

Em uma das áreas mais elitistas da capital mineira, na rua Tomé de Souza, está reservado no número 932, sala 205, um espaço dedicado à beleza negra: a Ubuhle. Lá é possível encontrar corte e hidratação de cabelos, design de sobrancelhas, tranças e penteados, além de serviços oferecidos por uma rede de parceiros que incluem estética corporal, massagens e limpeza de pele, tatuagens, depilação, manicure, entre outros.
Jornalista, colaboradora da revista Canjerê e modelo, a mineira nascida em Divinópolis, Samira Reis, escolheu BH como sua segunda casa. Determinada em relação aos seus objetivos, enfrentou os desafios colocados à sua frente com disposição e otimismo.